Alunos da Esalq mapeiam arborização em cinco bairros de Piracicaba

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A disciplina optativa Silvicultura Urbana, que contempla estudantes de Engenharia Agronômica, Engenharia Florestal e Gestão Ambiental da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, envolveu, durante o 1º semestre deste ano, 21 alunos no estudo da arborização urbana de Piracicaba.

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Foto: Gerhard Waller / Acom-Esalq

Com orientação do professor do Departamento de Ciências Florestais Demóstenes Ferreira da Silva Filho e do mestrando do Programa de Pós-graduação (PPG) em Recursos Florestais Flávio Henrique Mendes, os resultados foram apresentados na segunda-feira, 8 de junho.

Durante a atividade, os estudantes se organizaram em cinco grupos e cada um ficou responsável por escolher e analisar um bairro da cidade. Aleatoriamente, foram elencados os bairros Cidade Jardim, São Dimas, São Judas, Santa Cecília e Vila Independência. Por meio de imagens de satélite, técnicas de sensoriamento remoto e verificação em campo, foram amostradas aproximadamente 10 quadras de cada bairro, totalizando 821 árvores. As espécies mais frequentes no inventário foram: sibipiruna, resedá, falsa-murta e oiti. Ao final da pesquisa, foi verificado que os bairros mais arborizados foram, respectivamente: Santa Cecília (20,9%), Cidade Jardim (20,6%), Vila Independência (14,5%), São Judas (13%) e São Dimas (5,5%). No bairro Cidade Jardim, as árvores encontram-se bem distribuídas na área, enquanto que no Santa Cecília estão mais concentradas.

De acordo com Mendes, os alunos identificaram alguns pontos que dificultam a arborização. “Foram encontradas calçadas estreitas e grandes testadas de casas, transformadas em garagem, o que minimiza a chance de novos plantios”, disse. O bairro Cidade Jardim é um dos mais arborizados da cidade, com aproximadamente 20% de cobertura arbórea. “Ao todo, 26% das vias públicas desse bairro encontram-se sombreadas – 194 árvores foram inventariadas –, o que reduz os custos com manutenção do asfalto, pois as árvores sombreiam e fazem com que a radiação solar não seja acumulada. Assim, o asfalto fica mais estável e se conserva por mais tempo”, explicou.

Segundo o pesquisador, a literatura recomenda um índice entre 20 e 30% de cobertura arbórea e os outros três bairros analisados possuem potenciais de arborização. “No geral, assim como muitas cidades do interior paulista, a arborização da cidade toda fica abaixo do esperado, em torno de 10 a 15%, mas os alunos da disciplina identificaram algumas mudas no inventário, o que significa que novos plantios estão sendo feitos”. Mendes acredita que há certa aversão da sociedade quanto ao plantio. “Os moradores ficam incomodados com a sujeira e se preocupam em trincar a calçada, então acabam não percebendo o benefício que uma árvore pode trazer, como pela sombra, e também não se vê muito incentivo do poder público”, mencionou. O mestrando lembra que as árvores retêm poluentes em folhas e troncos, não permitindo que fiquem dispersos no ar. “São benefícios que vemos indiretamente e, no futuro, valem a pena”, afirmou.

Segundo o profissional, uma opção para a Avenida Centenário, que passa atualmente por reformas e tem grande circulação de automóveis em Piracicaba, seria a plantação de árvores resistentes à poluição como ipês, sibipirunas, oitis, quaresmeira, chuvas de ouro, córdias, dentre outras. O Manual de Arborização de Piracicaba, por exemplo, recomenda o plantio de árvores de médio a grande porte na cidade. “Essa escolha se deve justamente por seus benefícios perante arbustos e árvores de pequeno porte e é por meio da diversidade de espécies que se busca o equilíbrio e a permanência das árvores nas cidades”.

Alessandra Postali / Assessoria de Comunicação da Esalq 

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