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USP integra projeto internacional para desenvolvimento de fármacos

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A fim de oferecer suporte aos grupos de pesquisa com foco no estudo de compostos naturais que podem atuar como agentes terapêuticos contra diversas doenças, incluindo malária, doença de Chagas, ou leishmaniose, o National Institutes of Health (NIH), instituição norte-americana, criou o projeto International Cooperative Biodiversity Groups (ICBG), no qual se inclui o Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar), alocado no Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP.

Foto: Marcos Santos
Foto: Marcos Santos

O objetivo da iniciativa é encontrar compostos com potenciais aplicações terapêuticas, a partir de bactérias que são simbiontes das formigas, incentivando o uso de recursos sustentáveis e reunindo especialistas de vários países em torno do tema. O CIBFar é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Nos formigueiros, existem jardins de fungos cultivados para o consumo de sua população — as formigas —, mas esses ninhos estão sempre sujeitos a inúmeras contaminações por outros microrganismos, sendo que existem patógenos — organismos causadores de doenças — que podem atacar esses fungos. Com isso, há mais de 50 milhões de anos que as formigas se associaram às bactérias capazes de produzir anti-fungos — produtos naturais —, protegendo os formigueiros contra esses organismos. Esses produtos intrigaram os cientistas, nomeadamente os pesquisadores que atuam no IFSC, que desde há algum tempo têm estudado os citados compostos.

Cooperação

No âmbito do ICBG, o IFSC recebeu, recentemente, a visita do professor Jon Clardy, da Harvard University (EUA) e da pesquisadora Flora Katz, diretora da Division International Training and Research, do NIH, que participaram de diversas reuniões com docentes e pesquisadores membros do CIBFar, com o objetivo de consolidar a cooperação entre as três instituições.

Segundo a professora Mônica Tallarico Pupo, que é docente da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP e coordenadora do CIBFar, a parceria entre a Universidade e essas duas instituições internacionais irá se consolidar por intermédio do citado projeto. “Nós já tínhamos uma parceria informal com Jon Clardy e Flora Katz, mas com o desenvolvimento deste projeto, essa colaboração deverá se consolidar de forma muito mais intensa e próxima”, afirma.

Por outro lado, segundo o professor Adriano Andricopulo, docente do IFSC e pesquisador do CIBFar, que acompanhou os visitantes durante todo o encontro, a inserção do Instituto nessa rede de cooperação é de suma importância, tendo em vista que a Unidade tem grande interesse por pesquisas que visam ao desenvolvimento de fármacos para o combate de doenças como a Chagas e leishmaniose. “Com este projeto financiado pela Fapesp e o NIH, pesquisaremos moléculas que tenham uma diversidade química inédita, para desenvolvermos possíveis novos candidatos a fármacos”, afirma, tendo acrescentado que os mais de mil substratos já encontrados serão analisados nos laboratórios do IFSC, o que eleva muito o grau de responsabilidade.

Agentes terapêuticos

A pesquisadora Flora Katz conta que esse projeto nasceu por meio do interesse em buscar novos caminhos para descobrir agentes terapêuticos, uma vez que há plena convicção de que existem milhares de moléculas capazes de solucionar doenças que ainda não têm cura. “Para que possamos tentar desenvolver fármacos efetivos, precisamos entender como funciona o sistema biológico desses microorganismos”, explica. Ela ainda ressaltou a importância da cooperação entre as universidades e institutos de pesquisa para possibilitar o melhor avanço das investigações referentes à área de saúde.

Foto: Marcos Santos
Foto: Marcos Santos

O professor Jon Clardy, que atua no Department of Biological Chemistry & Molecular Pharmacology, da Harvard University, ressalta a importância dos estudos envolvendo as pequenas moléculas biologicamente ativas, que exibem notável diversidade. Clardy diz que, por meio de estudos, já foi possível compreender alguns dos mecanismos genéticos dessas bactérias.

O pesquisador norte-americano também destaca a importância da colaboração que existe entre especialistas de diversos países que, mesmo atuando em diferentes áreas, têm como objetivo desenvolver novos fármacos, bem como estudar os produtos naturais liberados pelas bactérias antifúngicas. “Com o desenvolvimento desse projeto, vamos cooperar com a área da saúde e tentar desenvolver possíveis fármacos, inclusive, para o tratamento de câncer”, completa.

Para ele, também é preciso reconhecer a importância da existência desses microorganismos, pois embora sejam responsáveis por muitas de nossas doenças, as bactérias também podem ter um duplo papel, podendo combater muitas patologias cujas soluções ainda não foram descobertas.

Rui Sintra / Assessoria de Comunicação do Instituto de Física de São Carlos

Mais informações: (16) 3373-9770 ou email rcintra@gmail.com

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