Pesquisadora da EESC demonstra que mulheres empreendedoras valorizam trabalho em equipe

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Júlio Bernardes / Agência USP de Notícias

Pesquisa com pequenas empresas do setor de comércio em São Carlos (interior de São Paulo) revela que as mulheres empreendedoras valorizam o trabalho em equipe e a comunicação com seus funcionários, ouvindo suas sugestões e percebendo suas necessidades. O estudo de mestrado realizado pela administradora Cintia Salomão na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP também mostra que as empreendedoras possuem alto nível de instrução.

A pesquisa se concentrou nas empreendedoras do sexo feminino e procurou identificar os estilos de aprendizagem e liderança predominantes nas dirigentes de pequenas empresas por meio de questionários. Na parte de aprendizagem, foram adotados os estilos identificados pelo pesquisador norte-americano David Kolb: “Acomodador”, “Divergente”, “Convergente” e “Assimilador”. Em liderança, foram empregados os estilos “Transformacional”, “Transacional” e “Laissez-Faire” (“Deixar fazer”), utilizados pelo estudioso norte-americano Bernard Bass.

Os estilos de aprendizagem mais encontrados foram o “acomodador” e o “divergente”, com 39,7% cada. “Ambos se caracterizam por uma preferência pelo trabalho em equipe”, ressalta a pesquisadora. “As mulheres do estilo ‘acomodador’ gostam de executar planos e desenvolver novas experiências, utilizando o aprendizado em benefício próprio, enquanto no ‘divergente’ o ponto forte é a percepção dos valores e do significado do aprendizado, com uma grande procura por novas ideias”.

Liderança

No aspecto da liderança, todas as empreendedoras apresentaram uma pontuação maior no Estilo Transformacional. A pesquisadora aponta que este estilo é visto como um processo compartilhado que envolve as ações dos líderes em diferentes níveis da organização.

Segundo a administradora, os líderes transformacionais procuram aumentar a percepção dos seguidores por meio de valores como liberdade, justiça e igualdade, ao invés de trabalharem com sentimentos como o medo, a ganância, o ressentimento e a aversão.

Ao todo, foram aplicados 63 questionários em empresas identificadas pela parceria com o Conselho da Mulher Empreendedora (CME) da Associação Comercial e Industrial de São Carlos (Acisc). A maioria (46%) atua no setor de vestuário, calçados e tecidos, seguida pela área de artigos de uso pessoal e doméstico (24%), que inclui bijuterias, acessórios, utensílios para o lar, entre outros. As empresas tinham, em média, de três a quatro funcionários.

A pesquisa mostra que 79% das dirigentes possuem curso superior. Entre estas, 19% fizeram especialização, 2% Mestrado e 2% Doutorado. O estudo teve a orientação do professor Edmundo Escrivão Filho, do Departamento de Engenharia de Produção da EESC.

Mais informações: email cintia.s.salomao@gmail.com, com Cintia Salomão 

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