Futuros solucionadores de problemas visitam a Poli

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Alunos do ensino médio conhecem a vida universitária, recebem noções de engenharia e constroem protótipos de veículos autoguiados na Escola Avançada de Engenharia Mecatrônica da Poli

Como forma de estimular uma maior interação entre a Universidade e o ensino médio, proporcionando experiências com aulas teóricas, projetos práticos e contato direto com a vida universitária, a Escola Avançada de Engenharia Mecatrônica (EAEM) da Escola Politécnica (Poli) da USP promoveu neste mês mais uma edição do Programa de Educação Tutorial da Engenharia Mecatrônica (PET).

Segundo Diolino José dos Santos Filho, professor do Departamento de Engenharia Mecatrônica e Sistemas Mecânicos da Escola Politécnica e coordenador do programa, o objetivo é mostrar a realidade do que é a Universidade para o aluno do ensino médio, procurando promover o entendimento do que é engenharia de modo geral e engenharia mecatrônica. “É uma excelente oportunidade para os alunos conhecerem um pouco da vida universitária”, afirma.

A seleção dos estudantes foi feita pela equipe de professores do PET Mecatrônica, que analisam o histórico escolar e questionários respondidos pelos interessados, para avaliar o interesse no curso. Ao todo são reservadas dez vagas para alunos de escolas públicas. Neste ano houve uma grande procura feminina e um quarto dos participantes inscritos vieram de outros Estados.

Metodologia

Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP
Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP

Entre os dias 5 e 12 de julho, na Escola Politécnica, os 24 alunos participantes do programa assistiram a aulas introdutórias, já tendo como meta construir, em equipe, um carro autoguiado.

Do dia 6 ao dia 9 os alunos passaram o dia todo na Escola Politécnica, com aulas pela manhã e à tarde. Durante a manhã foram dadas aulas teóricas sobre o que é engenharia, desenho técnico, resistência de materiais, elementos de máquinas, processos de fabricação, computação, os sistemas que centralizam as informações e fazem os protótipos funcionarem e os sensores (que captam informações do ambiente e as transformam em sinais para que o sistema entenda e o protótipo se comporte como programado).

No período da tarde, em equipe, sob a supervisão dos professores do curso de Engenharia Mecatrônica, os alunos foram aos laboratórios para desenvolver na prática o projeto de um carro autoguiado, capaz de seguir um trajeto pré-definido, sem interferência humana.

No dia 10, foi o momento de finalizarem a construção do carro de acordo com as diretrizes determinadas pelos orientadores. No sábado, dia 11, as equipes tiveram seus projetos de carro avaliados e, no domingo, elas participaram de uma competição entre os veículos autoguiados.

O diferencial dessa experiência de imersão, segundo o coordenador Santos Filho, é o fato de o jovem poder se familiarizar com as disciplinas, ter contato com os professores do curso de Engenharia Mecatrônica e entender que o grande potencial do engenheiro é solucionar problemas, e para isso ele precisa ser criativo e propor soluções.

O coordenador explica que a estratégia é que os alunos já comecem a semana de imersão pertencendo a um dos cinco grupos formados e tendo que trabalhar com pessoas que nunca viram antes. “Procuramos agrupar aluno de escola pública com aluno de escola privada, aluno com visão técnica e aluno só com visão teórica. Buscamos a heterogeneidade para que eles aprendam a lidar com as diferenças, gerenciar conflitos e lidar com opiniões divergentes.”

Criatividade

Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP
Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP

Neste ano o programa contou com uma inovação metodológica, que foi a introdução do Problem Based Learning, método de aprendizagem centrado no aluno, que visa a levá-lo a aprender conceitos na prática. Com ajuda dessa técnica, os alunos aprenderam que a engenharia é uma área em que os profissionais são capacitados a resolver problemas, ou seja, conhecem teorias para aplicá-las na resolução de problemas. A partir dos fundamentos apreendidos, eles podem, como engenheiros, abstrair aspectos de um problema, criar modelos, testar e implementar soluções.

Foram 15 professores e 20 alunos de graduação em Engenharia Mecatrônica que se dividiram entre as atividades acadêmicas e a atenção aos visitantes, que ficaram alojados no Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp), fizeram suas refeições no Restaurante Universitário e receberam a proteção diária da Guarda Universitária, que os acompanhava aonde iam.

Para Rodrigo Pereira Abou Rejaili, um dos estudantes de graduação da Escola Politécnica que participaram da organização da semana, o evento é bem trabalhoso, mas compensador. “Todo o tempo investido é recompensado ao vermos que estamos ajudando um aluno que pode ser um futuro politécnico. Cem por cento dos alunos que fazem essa imersão afirmam que ajudou muito a escolher o curso no vestibular. Mesmo que não tenham escolhido o curso de Engenharia Mecatrônica, eles conseguiram definir melhor sua opção”, observa.

O programa conta com o apoio da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), do Centro Acadêmico de Engenharia Mecânica e Mecatrônica, do Departamento de Engenharia Mecatrônica e Sistemas Mecânicos e da Diretoria da Escola Politécnica, que proporcionaram infraestrutura, apostilas, alojamento e refeições para os alunos participantes.

Amélia, o protótipo vencedor

Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP
Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP

A equipe Rat Trick, formada pelos alunos Cynthia Lacroix Herkenhoff, Felipe Vallim Almirall, João Victor Meneghini, Juliano Decico Negri e Victor Venâncio Silva, foi a vencedora da apresentação de projeto de carrinho autoguiado, escolhida pela banca examinadora da Escola Avançada de Engenharia Mecatrônica (EAEM).

O grupo desenvolveu o carrinho Amélia e se destacou por ter sido o time a abordar de forma mais completa a metodologia usada para a construção do protótipo. Também demonstrou na apresentação uma visão clara sobre todas as etapas de desenvolvimento do projeto e quais conhecimentos teóricos foram usados em cada fase da construção do veículo.

As cinco equipes que confeccionaram os carrinhos utilizaram diferentes materiais, como compensados de madeira, papelão prensado e alumínio em chapa – usados para o chassi e para confecção da placa –, borracha, cola de alta aderência, rebites e parafusos, lápis para obtenção de grafite como antiaderente para diminuir atrito, elásticos e fitas para empregar nos pneus. Os protótipos foram equipados com bateria, motores e sensores capazes de ler a distância e captar as diferenças de cor na pista.

Izabel Leão / Jornal da USP

(Colaborou Janaina Simões, do Serviço de Comunicação Social da Poli)

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