CPC apresenta resultados do­­­­­­­­­­­ “Bixiga em Artes e Ofícios: Percursos Audiovisuais”

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O projeto Bixiga em Artes e Ofícios: Percursos Audiovisuais foi concebido pelo Centro de Preservação Cultural (CPC), conhecido como Casa de Dona Yayá, para estreitar a relação entre a Universidade de São Paulo e a cidade. Para tanto, o CPC convidou moradores, frequentadores e trabalhadores para mapear os fazeres de artesãos e artistas do Bixiga, visando ampliar o conhecimento sobre o patrimônio material e imaterial da região.

Para conduzir o mapeamento, foram oferecidas quatro oficinas. Na oficina “Cadernos de Viagem”, cada participante registrou com lápis, aquarela, canetinha e materiais recolhidos nas ruas seu percurso entre a Casa de Dona Yayá e a oficina/ateliê de um artesão/artista. Na oficina de “Observação e Escrita”, o desafio foi estranhar o familiar e ir além do senso comum para compor textos que provocam novas formas de pensar o que entendemos como artes e ofícios, muitas vezes embaralhando as fronteiras entre estas práticas. A oficina de “Videodocumentário” promoveu um exercício do olhar. Ver filmes para fazer filmes. Observar ou provocar? Registrar ou aludir? Em filmes de curta duração destacam-se os sons, gestos e cores das artes e ofícios do Bixiga. Já na oficina de “Fotografia”, os participantes foram estimulados a perambular pelas ruas para apreender em imagens processos lentos e delicados da produção artesanal do Bixiga. Nas fotos, detalhes de corpos, instrumentos e materiais trazem à luz um pouco da arte e da técnica de trabalhos que escapam da produção em larga escala e do tempo da máquina.

Os materiais e reflexões produzidos pelos participantes das oficinas e pela equipe do CPC compõem a exposição que será aberta ao público no dia 23 de agosto e o mapa virtual colaborativo que será lançado na mesma ocasião.

Um lugar comum

O mapeamento evidenciou o Bixiga como um lugar comum, em vários sentidos. O lugar comum de um Bixiga essencialmente italiano, da igreja e da festa da Achiropita, da rua 13 de Maio com suas cantinas. O lugar comum onde pessoas se encontram para curtir samba, jogar capoeira, participar do teatro de rua, reunir-se na praça e no barzinho para papear, tomar uma cerveja, espairecer e celebrar a graça de se ter, ali mesmo, em pleno centro de São Paulo, um convívio amistoso de cidadezinha de interior ou de periferia de metrópole. O lugar comum onde várias pessoas vivem seu cotidiano, porque aqui moram, trabalham, estudam, divertem-se, perambulam. Nesse corre-corre, uma gravurista imprime em suas imagens um pouco do movimento de pessoas e carros que ela espia pela janela do seu ateliê. Ao seu redor, o trabalho de um tropel de artistas e artesãos locais se desvela na relação com os clientes: “Meu sapato/vestido/terno/relógio ficou pronto?”, “É possível restaurar essa imagem quebrada de Jesus Cristo?”. Aqui, o espocar da bateria mirim da escola de samba, ali, o zunido da serra do marceneiro, o ronco da máquina de costura do alfaiate.

Além de verde e vermelho, o mapa das artes e ofícios desvela um Bixiga mais colorido. É italiano e também africano, japonês, baiano, pernambucano, mineiro e paulistano. Em vez de imagens-clichê fixadas no tempo e no espaço, um caleidoscópio de diferentes experiências culturais foi sendo construído, com as peças do trabalho minucioso ao qual artistas e artesãos dedicam sua vida – trabalho que a modernidade ora deixa opaco, ora ilumina.

Um mapa virtual colaborativo

Na exposição também será possível acessar o site do projeto, um ambiente virtual com a localização, a descrição e os registros escritos, sonoros e visuais dos fazeres das artes e ofícios no Bixiga. Um site em permanente construção com base na colaboração de moradores, trabalhadores, frequentadores e interessados na região. Mais do que a tudo mapear, buscou-se dar corpo aos múltiplos significados do Bixiga por meio das percepções de seus próprios viventes. Assim, propositalmente, o site exibe uma natureza afetiva e fragmentada – as texturas, imagens, sons, odores e sabores que mais atiçaram a percepção dos participantes no mapeamento.

Os participantes das oficinas já deram sua contribuição. O CPC-USP espera que mais pessoas se apropriem do site para mantê-lo vivo e proveitoso. Para saber como colaborar, consulte: www.yayabixiga.prceu.usp.br

Com informações da Assessoria de Comunicação do Centro de Preservação Cultural

Mais informações: site www.usp.br/yayabixiga

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