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Estudo da FEA aponta que distribuição de gás necessita de informação centralizada

Informações para tomada de decisões circulam com rapidez, mas não de modo sistematizado entre as empresas.

Júlio Bernardes / Agência USP de Notícias

As informações que envolvem a produção, transporte e distribuição de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP, conhecido como gás de cozinha) circulam com rapidez, mas não de forma sistemática e informatizada entre as empresas. Estudo da professora de contabilidade Beatriz Fátima Morgan mostra que a centralização das informações que circulam no setor se faz necessária, de modo que possam ser tomadas decisões que gerenciem os riscos e garantam o abastecimento de gás. A pesquisa foi realizada na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP.

A professora aponta que o GLP é um produto social, necessário para as famílias poderem cozinhar. “O abastecimento é pontual e não é possível fazer grandes estoques, para vários dias, pois isso demanda um investimento muito elevado”, ressalta. “Por isso, é importante um fluxo rápido de informações e decisões entre as companhias petrolíferas (refinarias), transportadores e distribuidores, pois o risco se intensifica no curto prazo”. No período do estudo de campo da pesquisa, em julho do ano passado, havia 21 empresas atuando no setor no Brasil. De acordo com o Ministério das Minas e Energia, o consumo de GLP no País em 2011 foi de 1,012 milhão de metros cúbicos, sendo a produção interna de 733 mil metros cúbicos e 282 mil metros cúbicos de importação.

A circulação envolve informações numéricas, financeiras e não-financeiras, como indicadores de produção de gás, além de informações não-numéricas, como chegada de navios, tempo de percurso de caminhões e condições climáticas. Embora o fluxo de informações seja dinâmico, graças à utilização de telefone e e-mail, além de reuniões locais, não há um sistema padronizado e informatizado que integre as companhias envolvidas.

“Embora as diversas unidades de produção e distribuição e as refinarias sejam descentralizadas, elas estão interligadas entre si, e um problema ocorrido em uma região do País pode afetar as demais. Assim, o risco é resultado de redes de fatores”, afirma Beatriz. “Há necessidade de centralização, um lugar que permita a comparação e a combinação de informações de forma a visualizar cenários e permitir decisões”.

Confiança

Segundo a professora, a própria confiança para a tomada de decisões é flexível, e não está relacionada a pessoas ou empresas. “Ela depende da qualidade da circulação das informações. Isso gera confiança entre as empresas envolvidas”, destaca. Nesse processo, a atuação da contabilidade gerencial é indispensável, observa a pesquisadora. “Pelo planejamento e orçamento, ela realiza a comparação de informações e pode visualizar diversos pontos do país numa estrutura só, permitindo que se tomem decisões mesmo à distância, e que resultem em ação à distância”, acrescenta.

Beatriz ressalta que isoladamente as informações contábeis padronizadas não têm força suficiente para gerar a ação. “Elas precisam estar combinadas com outras informações, que estão contidas em planilhas que comparam planejamento, orçamento e previsões mensais, além de informações pontuais obtidas pelo responsável pelo suprimento e programações efetuadas para curtíssimo prazo, uma semana, por exemplo”, aponta.

A professora conta que a pesquisa começou com uma revisão da literatura sobre o modo com que decisões coletivas são tomadas por diferentes empresas e após essa etapa é que o campo e o foco da pesquisa foram estabelecidos. “O estudo de campo foi no setor de distribuição de GLP em que há a atuação conjunta das refinarias de petróleo, transportadores terceirizados e distribuidoras”, diz.

A pesquisadora acompanhou toda a movimentação em uma empresa de distribuição de atuação nacional, uma das cinco maiores do País. “A partir daí foi verificado como as decisões são construídas para gerenciar riscos operacionais e evitar desabastecimento, como problemas de transporte ou climáticos e situações que desviam do planejamento, mesmo que de curto prazo”. A pesquisa foi orientada pelo professor Gilberto de Andrade Martins, da FEA.

Mais informações: (61) 3107-0809, com Beatriz Fátima Morgan 

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