Clone selecionado pode ampliar produção de lima ácida, revela estudo da Esalq

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Alicia Nascimento Aguiar / Assessoria de Comunicação da Esalq

Pesquisa realizada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, aponta que entre as variáveis horticulturais que influenciam a viabilidade econômica da cultura de lima ácida “Tahiti”, destacam-se a produtividade, a precocidade de início de produção e a qualidade dos frutos.

O trabalho do engenheiro agrônomo Horst Bremer Neto mostra que a maximização desses fatores pode ser alcançada pela seleção criteriosa da combinação copa (clone da árvore que produz a lima, a limeira) e porta-enxerto (planta na qual é enxertada a copa), para obter plantas mais resistentes à deficiência hídrica, e com a aplicação de tecnologias de produção, como a irrigação, que tem gerado resultados favoráveis quanto ao aumento da produção de frutos na safra e na entressafra.

O trabalho, conduzido em Bebedouro (interior de São Paulo), avaliou o desempenho horticultural de clones de limeira ácida ‘Tahiti’ enxertados em citrumelo ‘Swingle”. Levando-se em conta as restrições do uso comercial do citrumelo ‘Swingle’ em ambientes que apresentam deficiência hídrica prolongada, os clones foram avaliados em duas áreas distintas, diferenciadas pelo uso da irrigação. Foram avaliados os clones “IAC5”, “IAC 5-1”, CNPMF/EECB”, “CNPMF 2000” e “CNPMF 2001”.

Bremer Neto assegura que, por meio desse estudo, foi possível fixar um clone altamente produtivo sob condição irrigada e não irrigada (“CNPMF/EECB”), previamente selecionado pelo pesquisador Eduardo Sanches Stuchi da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Mandioca e Fruticultura), o qual apresenta potencial para futura disponibilização aos citricultores.

“Além disso, a irrigação mostrou-se técnica adequada para o cultivo da lima ácida ‘Tahiti’ por induzir aumento significativo de produção, inclusive na entressafra, quando os preços praticados no mercado interno são elevados”, acrescenta o engenheiro agrônomo. “E, ainda, os clones estudados apresentam desempenho distinto sob deficiência hídrica, resultado inédito na citricultura mundial, que concentra relatos envolvendo a influência do porta-enxerto sobre a tolerância da planta à deficiência hídrica”, complementa.

Tolerância de citros

O pesquisador destaca que estudos envolvendo tolerância de citros à deficiência hídrica são fundamentais e que, por essa razão, a obtenção de plantas tolerantes sempre esteve no escopo das pesquisas envolvendo melhoramento genético e fitotecnia. “Esse resultado poderá ser incorporado no planejamento de sistemas produtivos e viabilizar a produção de lima ácida sem irrigação em regiões que apresentam déficit acentuado. Por outro lado, por meio da combinação de clones e porta-enxertos que apresentam menor tolerância à deficiência hídrica, possivelmente a obtenção de frutos na entressafra será favorecida em pomares irrigados”, conclui.

A pesquisa, realizada no Programa de Pós-graduação (PPG) em Fitotecnia da Esalq, é descrita na tese de doutorado Desempenho horticultural de clones de lima ácida ‘Tahiti’ enxertados em citrumelo ‘Swingle’ cultivados com e sem irrigação. O projeto é resultado de parceria entre a Esalq e a Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro. Foi realizado sob orientação do professor Francisco de Assis Alves Mourão Filho, do Departamento de Produção Vegetal (LPV) da Esalq e contou com a participação de Eduardo Sanches Stuchi, da Embrapa Mandioca e Fruticultura.

Stuchi foi responsável pelo planejamento inicial e instalação do experimento. Assim, o estudo relata que as pesquisas realizadas nos últimos anos tem se dirigido à avaliação de porta-enxertos e irrigação para lima ácida ‘Tahiti’. “São poucas aquelas que envolvem a avaliação de clones de lima ácida ‘Tahiti’ devido à constituição genética triplóide da espécie que impõe limitações à aplicação de técnicas de melhoramento convencional. A diversidade genética da espécie é pequena e os cultivos comerciais são baseados, predominantemente, nos clones “IAC 5” e “Quebra-galho”. No entanto, esses clones apresentam limitações relacionadas ao porte elevado e à contaminação com viróides dos citros”, explica Bremer Neto.

O pesquisador lembra, ainda, que além da baixa diversificação de copas, grande parte dos pomares utilizam o limão “Cravo” (Citrus limonia Osbeck) como porta-enxerto, por induzir maior produtividade e tolerância à deficiência hídrica. Por outro lado, a combinação dos clones “IAC 5” e “Quebra-galho” com o limoeiro ‘Cravo’ tem levado à produção de plantas de porte elevado e baixa longevidade devido às elevadas taxas de mortalidade causadas por gomose Phytophthora (Phytophthora spp.) e a presença de estirpes severas do vírus da tristeza dos citros e do viróide da exocorte.

Mais informações: (19) 3429-4109 / 3447-8613 / 3429-4485

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