Disciplina do IFSC direciona para nova carreira: o pesquisador empreendedor

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Saber trabalhar em equipe, assumir riscos, ter responsabilidade e compromisso. São essas algumas características básicas necessárias para se tornar um empreendedor. Mais do que a criatividade e foco na inovação, o empreendedor deve ter iniciativa, coragem, capacidade de decisão e organização. E que lugar seria melhor para despertar esse espírito do que a universidade?

Com o intuito de formar jovens empreendedores nas áreas científica e tecnológica, o Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, em parceria com a Agência USP de Inovação, ofereceu no segundo semestre de 2012 a disciplina Inovação e Empreendedorismo (Sigla 7600001), ministrada online e na Cidade Universitária, em São Paulo. Segundo um dos professores do curso, Jose Antonio Lerosa de Siqueira, “o objetivo é mostrar aos alunos de graduação que existe uma vocação a mais que eles podem seguir, que é a de pesquisador empreendedor”.

A disciplina foi encomendada pelo pró-reitor de pesquisa da USP, Marco Antonio Zago, e elaborada por uma equipe de profissionais especialistas na área, como o professor Siqueira e o professor Vanderlei Salvador Bagnato. O curso é subdividido em cinco partes, sendo que em cada uma delas, um aspecto do processo empreendedor é apresentado, discutido e executado.

Experiência prática

As aulas são oferecidas através de vídeo na internet, e uma vez por mês acontece a aula presencial na Cidade Universitária, aos sábados. Nas aulas online, são discutidos conceitos relacionados com a atividade e o ambiente de empreendedorismo e inovação e as aplicações práticas desses conceitos. Nas aulas presenciais, os alunos recebem palestrantes, discutem casos, participam de dinâmicas integradoras, entrevistam empreendedores e desenvolvem o espírito de equipe.

“Empreendedorismo é algo que você só pode aprender fazendo, é execução, iniciativa. Nos projetos que fazemos, procuramos fazer com que os alunos coloquem em prática esses conceitos, e no momento em que eles realizarem algo com visibilidade, se tornarão realmente uma equipe”, explica o professor Siqueira.

O resultado esperado é capacitar os alunos a desenvolver um projeto que beneficie de alguma forma a Cidade Universitária e seus frequentadores. Ao final da disciplina, 19 equipes apresentaram seus projetos, explicados em vídeos de três minutos.

Projetos inovadores

Entre os trabalhos finais desenvolvidos para a disciplina, está o projeto que propõe transformar os restos de comidas dos restaurantes universitários em fertilizantes como húmus de minhoca e biofertilizante líquido. Segundo Daniel Santos Ricci, um dos alunos idealizadores, a ideia surgiu da constatação de que os resíduos orgânicos oriundos dos restaurantes universitários são incorretamente destinados aos aterros, o que implica em custos de gestão e transporte desnecessários.

“Parte dessa produção será destinada para a USP e suas áreas verdes, enquanto a outra parte será comercializada a preço baixo para agricultura familiar urbana orgânica e agricultores de baixa renda, ultrapassando os muros da universidade e promovendo a integração universidade-sociedade”, conta.

Outra iniciativa de destaque é a de Divulgação de Projetos de Iniciação Científica. A ideia consiste em criar um banco de dados que permita que professores possam registrar seus projetos de IC e os estudantes interessados possam colocar seus perfis, facilitando o contato entre docentes e discentes. “Aqui temos muitas cabeças e projetos bons mas que acabam não funcionando porque os alunos não ficam sabendo. É um projeto que agrega muito à universidade, porque a quantidade e a qualidade da pesquisa melhoram”, explica Tobias Lehmann, aluno da Escola Politécnica (Poli) da USP.

Ainda, há o projeto Caronas USP, que prevê que os alunos da USP possam oferecer e pedir carona entre si, facilitando a mobilidade e o conforto. O projeto acrescentou unidades da USP no site Unicaronas, já bastante conhecido na Unicamp. “Com as caronas, o trânsito na cidade universitária seria reduzido, seria mais sustentável, porque iria poluir menos, e, além disso, os alunos iriam conhecer pessoas de outras faculdades, promovendo uma integração dentro da universidade”, afirma Leandro Silveira, aluno da medicina.

Para o professor Siqueira, a disciplina desenvolveu o espírito universitário e colocou em contato pessoas com diferentes formações, o que irá influenciar muito na formação dos alunos. “O estudante percebeu que ele é quem faz o plano de sua vida, e que é preciso cometer erros e saber aprender com eles”, diz.

Além disso, ele aponta que o curso também foi uma contribuição positiva para a USP, que se beneficiou de diversos projetos inovadores e, principalmente, empreendedores. O programa completo da disciplina pode ser visto no Sistema Júpiter Web.

Mais informações: www.inovacao.usp.br ou pelo email jals@usp.br.

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