Lenho carbonizado mantém suas características anatômicas e garante a fiscalização em carvoarias

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 Lucas Jacinto / Assessoria de Imprensa Esalq

Alunos do Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP desenvolveram uma pesquisa de iniciação científica em que avaliaram o carvão vegetal do lenho (madeira) de quatro diferentes espécies florestais tropicais. O objetivo era demonstrar a aplicação da antracologia como ferramenta na identificação de espécies e seu potencial no controle ambiental. O trabalho foi orientado pelo prof. Mario Tomazello Filho, do Departamento de Ciências Florestais (LCF) e co-orientado pela dra. Célia Regina Montes, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena).

A pesquisa foi apresentada na 20ª edição do Simpósio Internacional de Iniciação Científica da USP (SIICUSP), entre os 22 e 26 de outubro de 2012, no Campus da USP que fica em Pirassununga. O grupo recebeu menção honrosa pelo trabalho em que encontrou uma forma de identificação mais fácil e eficiente para fiscalizar carvoarias e controlar o desmatamento ilegal de florestas brasileiras.

Guilherme Pontes, graduando do Curso de Engenharia Florestal, e Alessandro Rangel, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Recursos Florestais, selecionaram amostras do lenho de Bertholletia excelsaCouratari guianensisCouratari stellata e Lecythis luridas em duas áreas da floresta primária dos municípios de Belterra e Tailândia, no Pará. As amostras foram carbonizadas em forno mufla (400ºC) e submetidas à fratura nos 3 planos de estudo (transversal, longitudinal radial e tangencial). O exame dos planos em um microscópio eletrônico de varredura do Núcleo de Pesquisa em Geoquímica e Geofísica da Litosfera (NUPEGEL), da Esalq, possibilitou a obtenção de imagens de elevada qualidade científica, seguida da avaliação e descrição da estrutura anatômica e das alterações resultantes do processo de carbonização.

Os resultados dos exames da estrutura anatômica dos carvões das quatro espécies mostraram que, apesar das contrações dos elementos e estruturas celulares da madeira, em porcentagens diferentes, bem como as dos elementos de vaso, parênquima longitudinal, do diâmetro das pontoações da parede tangencial e radial dos vasos, a estrutura qualitativa do lenho típica da família Lecythidaceae foi preservada.

A pesquisa concluiu, portanto, que o lenho das quatro espécies não perdeu as suas características anatômicas originais, ainda que esteja carbonizado, o que indica uma forma de identificação prática, versátil e efetiva para a fiscalização das carvoarias e para o controle do desmatamento ilegal das florestas naturais do Brasil.

Mais informações: site www.esalq.usp.br

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