Em paz

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Com o fundamental apoio do então arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns – elevado a cardeal no início daquele março –, os alunos da Geologia organizaram uma missa em memória de Alexandre. A celebração do dia 30 de março (o sábado 31 foi evitado para não coincidir com o aniversário do golpe militar de 1964), na Catedral da Sé, tornou-se a primeira grande manifestação pública contra a ditadura realizada no País desde 1968. Como fariam dois anos depois, na celebração em memória do jornalista Vladimir Herzog, também assassinado sob tortura, os órgãos de repressão “ocuparam” a Praça da Sé e seu entorno, dificultando ao máximo a chegada ao local.

Ao final da missa, os participantes saíram da Catedral cantando Pra não dizer que não falei de flores (“Caminhando e cantando”), de Geraldo Vandré. “Depois de tanto tempo, os jovens voltavam a se pronunciar em massa, e aquela missa seria o primeiro ato da retomada da presença política dos jovens. Com uma diferença notável em relação às formas de luta de então: os estudantes vinham em paz”, escreve o jornalista Caio Túlio Costa no livro Cale-se, de 2003. Mesmo saindo pacificamente, muitos estudantes foram presos nas imediações da Praça da Sé e levados para depor no DOI-Codi ou no Dops.

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