Pró-Reitoria de Graduação destinará R$ 5 mi a laboratórios para aulas práticas

Publicado em Educação, Institucional, USP Online Destaque por em

Paulo Hebmüller/ Jornal da USP

Até o dia 30 deste mês, as unidades da USP podem apresentar suas propostas para o Programa Pró-Inovação no Ensino Prático de Graduação (Pró-Inovalab). A iniciativa da Pró-Reitoria de Graduação visa a apoiar projetos para instalação de laboratórios destinados a aulas práticas inovadoras. A verba disponível é de R$ 5 milhões, a ser distribuída entre dez projetos – cada um receberá no máximo R$ 500 mil. Os recursos poderão ser utilizados em pequenas reformas ou adaptações no espaço físico, compra de material de consumo ou softwares, instalação ou recuperação de equipamentos, contratação de serviços e viagens para seminários ou para conhecer instalações que possam servir de modelo. As verbas para viagem serão limitadas a 20% do valor aportado.

A pró-reitora de Graduação da USP, Telma Zorn, admite que é necessário investir nos laboratórios – “alguns espaços estão aquém do que a USP merece”, diz –, mas reconhece também que os custos são grandes e que não é possível atender a todas as demandas de uma vez só. “Temos que fazer por etapas, para não pulverizar as verbas”, justifica. O foco nos laboratórios se explica pela importância das aulas práticas, presentes nos universos mais variados e em todos os cursos. Para a pró-reitora, “a aula prática é o melhor lugar para o professor estar perto do aluno”.

O Pró-Inovalab se insere no rol de iniciativas da atual gestão para valorizar a graduação na USP. A seu lado está o Programa de Recuperação de Espaços Didáticos (Pró-Ed), que em sua primeira fase tem como foco a infraestrutura física. A intenção principal é melhorar as condições das instalações especialmente para os alunos dos cursos noturnos. A professora Telma Zorn também cita o aumento dos recursos destinados à sua área como exemplo da valorização. Em 2010, o orçamento da Pró-Reitoria, aprovado ainda no último ano da gestão anterior, era de cerca de R$ 8 milhões. Em 2011, para dar conta dos novos projetos, subiu para R$ 50 milhões. A intenção é manter esse nível de investimentos para 2012.

Critérios

Uma das inovações do Pró-Inovalab é que ele muda a forma como as unidades se candidatam aos recursos da Pró-Reitoria. Até agora, o principal critério era o número de alunos matriculados. O novo programa estabelece parâmetros competitivos, o que, segundo Telma Zorn, não é negativo, mas estimulará a comunidade a pensar cuidadosamente na construção das propostas. Entre os critérios estabelecidos está o caráter inovador do projeto para o ensino de graduação e a contribuição para o avanço do conhecimento nas disciplinas tratadas.

Cada unidade deverá submeter apenas um projeto, mas as propostas podem ser interdepartamentais ou mesmo interunidades. O edital estimula essas intersecções ao incluir nas diretrizes “o fomento de atividades que estabeleçam associações entre as diferentes áreas do saber da unidade ou de unidades correlatas”. Embutida nessa concepção está também a ideia de enfrentar a excessiva compartimentalização verificada tanto na graduação quanto na pós.

Outra novidade é que os projetos vão passar por uma avaliação externa. As comissões serão formadas por áreas, à semelhança do que ocorre na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e os avaliadores serão professores da USP e de outras instituições.

Avaliação

Para a pró-reitora, a maior intenção do programa é estimular a comunidade a parar e pensar na graduação. O formulário para candidatura aos recursos solicita uma série de informações das unidades, sempre baseadas nos parâmetros determinados pela Comissão Permanente de Avaliação (CPA) da USP. Esses critérios, que serão utilizados especialmente em caso de necessidade de desempate, incluem o desempenho da unidade quanto ao número de ingressantes e de formandos, o índice de evasão do curso, a produção de material didático pelos docentes, o grau de internacionalização, a prática de um sistema de avaliação da graduação e o número de bolsas de iniciação científica obtidas.

Telma Zorn acredita que levantar essas informações será importante para as unidades, mas também vai repercutir de forma muito positiva para que o conjunto da Universidade se conheça mais. A pró-reitora defende que é preciso deixar cada vez mais forte a cultura de avaliação permanente na USP. “Gostaria de deixar os critérios de avaliação mais consolidados, o que não é tarefa para uma só gestão”, diz. Estabelecer esses critérios no ensino de graduação é um desafio para universidades do mundo inteiro, afirma a professora, lembrando que na pesquisa e na pós-graduação os parâmetros já estão bem mais solidificados. Telma Zorn lembra ainda que algumas unidades da USP mantêm processos próprios de avaliação que vêm dando bons resultados e defende que essas iniciativas sejam adotadas também por outras escolas.

Mais informações sobre o Programa Pró-Inovação no Ensino Prático de Graduação (Pró-Inovalab) e o formulário de inscrição podem ser obtidos no endereço eletrônico da Pró-Reitoria de Graduação da USP (www.prg.usp.br).

.