Encontro na USP debate o diálogo entre a Universidade e a imprensa

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Um debate com representantes da mídia marcou o início da programação de 2013 do Grupo de Gestão da Comunicação (Gecom) da USP, que reúne todos aqueles que de alguma forma trabalham com a comunicação da Universidade. O evento A Universidade sob os olhos da Imprensa< aconteceu no último dia 23, no auditório da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. As atividades elaboradas pelo Gecom para 2013, que incluem o debate, foram desenvolvidas para dar continuidade ao trabalho que teve início em 2012, no Encontro de Gestão de Comunicação da USP, reunindo profissionais de diversas unidades e órgãos, e colocando em pauta as políticas da Universidade para o setor.

“Quando a comissão organizadora fez o balanço pós-encontro [de 2012], analisando os relatórios dos grupos de trabalho, percebeu que havia várias questões importantes que foram levantadas e que mereciam um melhor aprofundamento, de modo que o grupo de comunicação da USP como um todo se debruçasse sobre elas”, observou Marcia Blasques, chefe da Divisão de Mídias Online da Superintendência de Comunicação Social (SCS) da USP e presidente do Gecom.

Junto com Marcia, compuseram a mesa de debate o pró-reitor de Pós-Graduação, professor Vahan Agopyan, o Superintendente de Comunicação Social, professor Alberto Carlos Amadio, a editora executiva do jornal O Estado de São Paulo, Luciana Constantino, e o jornalista Alexandre Machado, atualmente na Rádio Cultura.

O lugar da Universidade

Na busca para transformar a comunicação com a sociedade em um tema de discussão dentro da academia, os participantes foram unânimes em observar a presença insuficiente da Universidade na mídia. “A USP é um centro de produção de conhecimento, pesquisa, e formadores de opinião. No entanto, ela aparece pouco na imprensa. Será que USP aparece pouco por que não se abre ou não se abre por que aparece pouco?”, questionou Luciana Constantino.

Para a jornalista, a Universidade não pode ficar centrada em si, apenas produzindo conhecimento, mas deve traduzir as suas pesquisas, os seus projetos, em uma linguagem acessível a todos. “Hoje quem está lá fora [da Universidade] não quer só consumir, mas quer participar também desse processo”. Luciana sugeriu ainda que a Universidade deve buscar meios nos quais suas pesquisas possam ser inseridas socialmente, já que “a pesquisa sempre possui um lugar para ser divulgada, ser debatida”.

A pesquisa sempre possui um lugar para ser divulgada, ser debatida.

A editora do Estadão se voltou então para a própria mídia brasileira, levantando a questão: “por que nós não divulgamos pesquisas brasileiras, mas divulgamos pesquisas americanas e europeias?”. Para Luciana, uma das principais bandeiras que a Universidade deve carregar é a de mostrar suas boas pesquisas ‘traduzidas’, de maneira que atinjam o público além da comunidade acadêmica. Com isso, “ela [a Universidade] pode estar próxima à sociedade como um todo”.

Alexandre Machado também apontou a necessidade da Universidade se aproximar da imprensa. “A mídia não é um bicho papão”, brincou o jornalista. Para ele, o receio de receber críticas é um dos principais problemas que faz com que as universidades não se aproximem dos meios de comunicação em massa. “Claro que uma organização que se expõe está sujeita a críticas e reparos, e às vezes nessas críticas e reparos podem haver equívocos, mas esse é o jogo democrático”, ressalvou.

A mídia não é
um bicho papão.

Quanto à importância da Universidade no País, ele acredita que a USP não é só importante para o mercado de trabalho, mas também “para a construção de uma consciência nacional e da democracia”. A Universidade, então, precisa “falar mais, participar mais”, concluiu.

Concordando que ainda há muito trabalho a ser feito, o pró-reitor de Pesquisa Vahan Agopyan ressaltou, porém, que nos últimos anos, a USP tem se preocupado cada vez mais com o tema da comunicação com o ambiente externo à academia. A própria criação da Superintendência de Comunicação Social (SCS), em substituição à antiga Coordenadoria, alçou a um lugar de maior prioridade os órgãos de comunicação social da USP, possibilitando um melhor desempenho.

O papel da mídia

Dentre os papéis que deveriam ser exercidos pela Universidade, segundo Luciana Constantino, está “ouvir o que a sociedade está pedindo”. No entanto, levantou-se a questão de que a mídia também deve colaborar com Universidade nesta tarefa, já que a USP e a sociedade conversam pela mídia.

“As universidades que desenvolvem pesquisa têm uma certa dificuldade de se apresentar à sociedade. Nós não conseguimos nos mostrar na nossa real amplitude. A sociedade nos vê, principalmente, e quase que exclusivamente, como formadores de recursos humanos de graduação – e não como um centro de produção de conhecimento, de atividades de cultura e extensão. Nós não conseguimos nos apresentar. E é aí que está o papel da Imprensa”.

Outra dificuldade no diálogo entre a Universidade e a imprensa discutida no debate, foi a questão da velocidade com que as informações são requisitadas pelas mídias e o pouco espaço que tanto conteúdo encontra para ser veiculado. As mídias solicitam a simplificação de informações com um prazo considerado por muitos ínfimo, e, além disso, o espaço restrito que a matéria encontra no veículo, seja o tamanho do texto, seja no tempo dedicado no rádio ou na televisão, é indicado como um obstáculo – que  resulta num  reducionismo prejudicial. Para Agopyan, também por isso, não é possível oferecer à sociedade todo o potencial que a Universidade tem. “As atividades que a Universidade pode fazer em prol da sociedade não ficam muito claras à ela.”

Livro

Após o debate, foi lançado o livro Gestão da Comunicação na Universidade de São Paulo – A comunicação como razão de ser. A publicação foi desenvolvida a partir do material coletado nas palestras do encontro de 2012, e traz também os relatórios de discussão dos grupos de trabalhos que foram estruturados no encontro.

Mais informações: (11) 3091-4421, email gecom@usp.br

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