Jornada Científica da Farmácia divulga resultados e começa novo ciclo

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Projetos de cultura e extensão são essenciais para uma universidade pública como a USP, tanto para ampliação do conhecimento adquirido dentro dela quanto para devolver à sociedade o que se investe na instituição. E se a expressão a extensão universitária aparece na própria Constituição, como diretriz para o Ensino Superior, é em ações como a dos estudantes da Jornada Científica de Farmácia e Bioquímica que ela se materializa.

A Jornada Científica dos Acadêmicos de Farmácia e Bioquímica (JCAFB)  reúne alunos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP que realizam trabalhos voluntários e prestam atenção farmacêutica a comunidades carentes, buscando melhorar a qualidade de vida da população local.

Criada em 1966 já com esse intuito, a Jornada foi paralisada no final da década de 70, devido ao surgimento do Projeto Rondon e à ditadura militar, e foi retomada em 2003. Desde então, já atuou nas cidades de São Miguel do Arcanjo (interior de São Paulo), Olhos d’Água (norte de Minas Gerais) e Córrego Fundo, (centro-oeste de Minas Gerais).

Em Córrego Fundo, aliás, a Jornada acaba de completar um ciclo de quatro anos de prestação de serviços, que envolveram o apoio da Fundação Instituto Pesquisas Farmacêuticas (FIP Farma), da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão e da Pró-Reitoria de Graduação da USP e de empresas como a Roche, a Horiba e a Merck. A cidade escolhida para receber os estudantes em 2012 é Canitar, interior de São Paulo.

O projeto

O projeto fica de três a cinco anos em cada cidade, e acontece no mês de janeiro por aproximadamente 20 dias. A equipe de jornadeiros é formada por 40 alunos da graduação, selecionados através de um treinamento de 6 meses e posterior aplicação de prova. Neste ano, foram 120 inscritos.

As atividades realizadas englobam o trabalho de campo, como a visita à residências para dar orientação e levantar o perfil socioeconômico da população, palestras, campanhas de diabetes, hipertensão arterial e anemia, conscientização da população sobre uso correto de medicamentos, atividades educativas para crianças e adultos e capacitação dos agentes comunitários de saúde.

Além disso, a equipe de análises clínicas monta um laboratório na cidade, realiza exames coproparasitológicos (exame de fezes) e faz a análise microbiológica da água.

Segundo um dos coordenadores da Jornada, João Victor Cabral, o projeto possui três principais vias de ação: levar o conhecimento para a população, criar um contato com a Prefeitura e a Secretaria de Saúde através de relatórios e sugestões e, por último, inserir os alunos em trabalhos sociais, formando profissionais mais conscientes.

“A orientação é o carro-chefe da jornada. Temos a parte assistencialista, que é entregar o exame para as pessoas e orientá-las a procurar um médico”, afirma o estudante. E ressalva:

“O nosso maior foco é formar multiplicadores de conhecimento, para que depois que o projeto sair da cidade, ela continue caminhando com suas próprias pernas.”

Resultados em Córrego Fundo

Os quatro anos de trabalho na cidade de Córrego Fundo, em Minas Gerais, revelaram resultados impactantes na cidade. Segundo dados divulgados pela coordenadoria do projeto, alguns dos benefícios obtidos foram a redução da contaminação da água, diminuição da anemia infantil, maior distribuição de água e implementação de rede e coleta de esgoto pela prefeitura.

O estudo revela que, entre 2008 e 2011, a aceitação da população para realizar exames aumentou em 20% e a contaminação da água com coliformes (tipo de bactéria que causa infecção intestinal) diminuiu de 62% para 18%.

Os exames de sangue demonstraram a diminuição de pessoas com glicemia e pressão acima do normal, e o índice de anemia em crianças de 8 a 9 anos caiu de 1% para 0%.

A nova cidade

A escolha da nova cidade baseou-se no banco de dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Foi feita uma filtragem das cidades do Estado de São Paulo a partir de critérios de saneamento básico, tratamento de água, tamanho da cidade, situação do sistema de saúde, número de hospitais e tamanho da população (menos de 10 mil habitantes).

Partindo de 80 cidades, a filtragem diminuiu o número para dez, das quais cinco foram visitadas pelos coordenadores. Por fim, a escolhida foi Canitar, uma cidade rural do interior de São Paulo a aproximadamente 360 km da capital paulista.

“Foi um processo seletivo extenso. Fomos bem minuciosos e tentamos olhar vários tipos de dados. Canitar foi uma cidade bem escolhida, já que era a melhor tanto na estrutura para atender o projeto quanto na receptividade. Eles demonstraram que querem a nossa presença lá, querem a nossa ajuda”, comenta João Victor.

A Jornada acontecerá em 2012, entre os dias 7 e 25 de janeiro, e contará também com a participação de alunos de outros cursos da graduação da USP, como nutrição e publicidade.

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