Brasil e Angola são parceiros na formação de enfermeiros

Publicado em Especial por em

Brasil e Angola, apesar de geograficamente distantes, são parceiros em diversas áreas do conhecimento. A proximidade cultural e a identidade de linguagem facilitaram o início de um movimento de colaboração entre os dois países, que inclui o conhecimento na área da saúde.

Desde o início da década de 1990, através de iniciativas diversas, vêm sendo mantidos laços de cooperação e desenvolvimento acadêmico entre  a Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) e o Ministério da Saúde da República Popular de Angola. O que começou com intercâmbio em nível de graduação, contribuiu, recentemente, para a organização do primeiro curso de mestrado em enfermagem no país africano.

Início da parceria

O ano de 1991 marca a assinatura, com a interveniência da EERP, do convênio entre a USP e o Ministério da Saúde de Angola. “Era um convênio com metas audaciosas, com foco na formação de recursos humanos, intercâmbio do docentes e alunos, pesquisa. Mas o cenário político econômico e social em Angola [devido à guerra civil] restringiu as ações à formação de enfermeiros”, explica Ida Mara Brunelli, assistente técnica acadêmica da EERP e membro da Comissão de Relações Internacionais da Escola.

Houve  alguma dificuldade no período de adaptação dos alunos intercambistas. “Os alunos que nos chegavam tinham um perfil muito distinto dos alunos regulares, pois além das diferenças culturais, eram muito mais velhos e apresentavam deficiências na formação básica, dificultando seu aprendizado na graduação. A EERP constituiu grupo de apoio e acompanhamento desses alunos, para facilitar a ambientação ao país, à nossa cultura e à vida universitária”, conta Ida Mara.

O primeiro curso de graduação em Enfermagem, em Angola, nasceu na Universidade Agostinha Neto, com a criação do Instituto Superior de Enfermagem – ISE, atual Instituto de Ciências da Saúde – ISCISA. Um dos protagonistas para a criação do curso foi o professor Manuel Simão, que cursou o Bacharelado em Enfermagem, seguindo para o mestrado e doutorado em Enfermagem Fundamental na EERP.

Quando dos conflitos político-militares, em 1992, as infra-estruturas do ISE foram parcialmente destruídas e saqueadas, resultando na paralisação total das atividades de formação, que foram reabilitadas pelo Governo de Angola. De acordo com o site da instituição,  “o regresso dos primeiros quadros angolanos licenciados em Ciências de Enfermagem, provenientes das escolas da Universidade de São Paulo, a partir de 1993, e a conclusão da reabilitação das infra-estruturas” permitiram a reabertura da instituição pelo MINSA, em julho de 1998.

Resultados

Os números apontam que, no período de 1988 a 1993, a EERP recebeu vinte e um alunos selecionados para realização do curso de Bacharelado em Enfermagem e Obstetrícia, com idade média de 33 anos, no momento de ingresso no curso. Desses, dezoito concluíram o curso de Bacharelado em Enfermagem e dez avançaram sua formação, obtendo o grau de Licenciado em Enfermagem. Na pós-graduação stricto sensu, três desses egressos obtiveram o título de Mestre em Enfermagem Fundamental, em 2001, 2004 e 2005, e um deles prosseguiu os estudos, obtndo o título de Doutor em Enfermagem Fundamental em 2005.

Desde 2007, a EERP recebe grupos de alunos matriculados no último ano do curso do atual Instituto de Ciências da Saúde para realização da disciplina de estágio curricular supervisionado na área hospitalar e na atenção básica. Além disso, os alunos são inseridos em uma programação que inclui grupos de estudos, aulas expositivas, treinos em laboratórios e visitas técnicas a serviços de saúde de Ribeirão Preto. De 2007 até 2012, a EERP recebeu 70 estudantes para essa atividade. Além das atividades acadêmicas, o intercâmbio cultural também é estimulado. Os alunos do ISE/ISCISA organizam apresentações para os estudantes da EERP sobre o sistema de saúde de Angola e sobre os principais traços culturais do país. Periodicamente, participam também de evento promovido no campus para reunião de alunos estrangeiros, o “Get Togheter”.

Em 2011, a EERP assinou novo convênio com o ISCISA, para assessoria na organização e instalação do curso do primeiro curso de mestrado em enfermagem em Angola. Docentes da EERP prestaram assessoria na organização acadêmica do curso e vem colaborando no oferecimento de disciplinas e na coorientação de alunos.

Segundo Ida Mara, o trânsito entre os alunos do Brasil e Angola só tem benefícios a somar na formação acadêmica e civil dos estudantes. “Percebe-se nesses alunos que vêm para intercâmbio o desejo de aprender para melhorar a prática do cuidado. Por outro lado, os alunos, docentes e funcionários da EERP também se beneficiam da parceria, com o intercâmbio de informações, experiências e aspectos culturais. Institucionalmente, a Escola está cumprindo com sua missão universitária de formar recursos humanos, produzir conhecimento e assim contribuir para o desenvolvimento de Angola.”

Início | Próxima

.