Pesquisa da FEA quantifica custos das enchentes em São Paulo

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Talita Nascimento / Assessoria de Comunicação da FEA

Eliane Santos, orientada pelo professor Eduardo Haddad, desenvolve sua esperada dissertação de mestrado. A pesquisa inicial já rendeu diversas entrevistas para a TV, além de publicações importantes, como a da revista científica Habitat Nacional, que sairá no segundo semestre. A razão de tanta repercussão é o custo em dinheiro que a pesquisa atribui a cada ponto de alagamento em São Paulo por dia: aproximadamente 1 milhão de reais.

Esses custos são calculados a partir das relações econômicas afetadas pelas interrupções na produção
causadas pelas enchentes. O professor Haddad explica que uma vez que se tem um alagamento, a interrup-
ção no sistema produtivo faz com que se deixe de gerar riqueza em toda a economia brasileira. Essas relações econômicas, que são aparentemente impossíveis de se listar, são mapeadas pelo NEREUS (Núcleo de Economia Regional e Urbana da USP), o que viabiliza o desenvolvimento da pesquisa de Eliane Santos.

Para completar, os impactos desses desastres naturais, não são sentidos apenas no comércio nacional, mas geram também uma diminuição da competitividade das empresas paulistas brasileiras no âmbito internacional, já que, como lembra Eliane, São Paulo está diretamente envolvida em 14,1% de todos os fluxos comerciais do país.

Olhares se voltam ao estudo

A repercussão da pesquisa de mestrado de Eliane, que será defendida em outubro deste ano, é o que mais gera curiosidade: “Eu esperava um pouco de visibilidade por causa do tema. É um assunto bem interessante avaliar o impacto das enchentes em São Paulo. Mas não esperava tanto quanto está tendo”. Já o professor Haddad comenta que as pessoas gostam de ver números e que a divulgação deles gera sensibilidade para o tema na população.

Os pesquisadores veem estas descobertas como uma grande contribuição dada à Rede Clima e ao INCT (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia) para mudanças climáticas, além de terem permitido o desenvolvimento de uma metodologia pioneira para o assunto. Já em relação à cidade de São Paulo, eles acreditam que o principal ganho é não só a identificação dos pontos de alagamentos, mas a quantificação dos custos por eles gerados. Além disso, Eliane adianta que nesta segunda fase a pesquisa enumerará os pontos que mais causam prejuízos na cidade e no Brasil, o que pode orientar melhor as autoridades para gerar soluções.

Sobre a escolha do tema, Eliane conta que a princípio falaria sobre um assunto que tinha mais dados disponíveis, mas chegou à seguinte conclusão: “Eu vivo em São Paulo e sofro destes problemas todo verão; aí surgiu esta ideia, ficaria mais próximo da nossa realidade”. O orientador orgulhoso aproveita para elogiar a estudante: “Logicamente isso não teria sido feito sem uma pessoa altamente capacitada para lidar com esses dados. Não é algo trivial.”

Mais informações: site www.fea.usp.br

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