Curso sobre empreendedorismo tira alunos da ‘zona de conforto’

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Empreendedorismo é o estudo voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas a criação e progressão de um projeto. Reconhecer oportunidades, estruturar maneiras para buscá-las, e obter – assim como adaptar – os recursos que são necessários para transformá-las em um negócio lucrativo são as atividades que um empreendedor precisa saber.

José Antonio Lerosa de Siqueira, professor da Escola Politécnica (Poli) da USP, traça o perfil do empreendedor da seguinte maneira: “É alguém que está confortável com uma realidade, que é a seguinte: aquilo que não se move, fica verde, apodrece, deteriora. Ser empreendedor, é mais que um método. É uma postura de vida. É ter coragem de sair do seguro, da zona de conforto, não de maneira indiscriminada, mas no momento certo”.

Aquilo que não se move,

fica verde, apodrece, deteriora.

“Empreender” significa realizar, fazer, executar. No entanto, Lerosa, professor da disciplina Empreendedorismo e Planos de Negócios, oferecida pela Poli e aberta a toda Universidade como optativa, argumenta que nada deve ser executado sozinho nesse área. A iniciativa de uma ação deve sempre partir de um trabalho em equipe. “Empreendedorismo, antes de qualquer coisa, acima de qualquer outra característica, é um esporte de equipe. Não se joga sozinho em Empreendedorismo”, afirma Lerosa.

Do produto ao negócio

A metodologia do curso oferecido por Lerosa consiste no desenvolvimento de um plano de produto. Ir “da ideia ao produto”, como define o professor. Para tal, na primeira etapa da elaboração de um projeto (seja ele técnico, científico ou empresarial), o empreendedor deve enxergar todas as possibilidades existentes, sem preocupações com qualquer tipo de limitação – com exceção de uma: o tempo.

Empreendedorismo é uma postura de vida.

É ter coragem de sair do seguro, da zona de conforto,

não de maneira indiscriminada, mas no momento certo.

“A premissa é a seguinte: Se eu tivesse todo o dinheiro do mundo, mas tivesse as restrições de tempo. Como é que eu faria para chegar até o meu objetivo, ao futuro que eu quero? Isso [a resposta a essa pergunta] é o plano de produto”, coloca Lerosa.

Assim, os alunos se organizaram em grupos de modo que cada grupo passou a desenvolver um projeto, a partir de uma iniciativa escolhida por eles próprios. Não havia a necessidade de que tal projeto fosse uma empresa, mas precisava, ressalta o professor, ser “alguma coisa que os alunos querem que aconteça”.

Com os produtos de cada projetos devidamente escolhidos, o professor começou a inserir, aos poucos, o contexto das limitações reais nos projetos dos alunos. “Uma vez determinado o plano de produto, temos que ver o quanto que iria custar isso tudo”, comenta. O que será necessário? Qual é o público-alvo do projeto? Como ele será alcançado? Será que vão aprovar o produto? Há algum lugar específico e interessante para o projeto? São exemplos de problemáticas – que vão muito além da questão financeira – feitas ao longo do curso, que fizeram com que os grupos lapidassem, a cada novo obstáculo apresentado, seus planos de produto.

Caroline Spegiorin, aluna da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) e membro do grupos que desenvolveu o projeto Beauty Express, afirmar que os alunos escolhem esta disciplina pela vontade de entender o que é “empreender”, e de aprender as maneiras para desenvolver tal atividade. “Na minha graduação, nunca tive aula de como montar um plano de negócio”, diz. Carolina também conta que, ao longo do curso, o professor começou a pedir uma série de tarefas. “Nessa sequência, ele nos estimulava a pensar e a correr atrás, construindo, assim, uma mentalidade em nós. E nas últimas aulas, o professor explicou o que é um plano de negócio. A partir disso, começamos efetivamente a montá-lo”.

Ressalva-se a impossibilidade do desenvolvimento de, em apenas um curso semestral, todas as soluções definitivas para um plano de produto. Como explica o professor, “nós partimos da premissa de que importante é chegar até o produto. As etapas seguintes – que seriam o Mercado, o Plano Mercadológico, o Plano de Geração de Clientes – de uma forma geral, nós deixamos de lado”.

Apresentação dos projetos

No dia 18 de maio, cada grupo da disciplina apresentou um vídeo sobre seu projeto. Essa apresentação deveria ser voltada para investidores, não para o público em geral. De modo que o vídeo deveria conter alguns aspectos essenciais para uma boa comunicação entre a equipe e seu possíveis financiadores. Esses aspectos eram: apresentar os membros da equipe e a proposta do projeto; explicar qual o diferencial do projeto em relação a outros semelhantes; evidenciar o plano tático e estratégico do projeto, assim como seu primeiro objetivo específico e o primeiro passo a ser dado nesse sentido.

No papel dos investidores, a atividade contou com a presença de Nei Grando, consultor em Estratégia e Modelos de Negócios da Strategius, empresa de consultoria e treinamento, e Luciane Ortega, vice-coordenadora da Agência USP de Inovação. Lerosa define esses investidores iniciais de um projeto como “anjos”, e esclarece que “o anjo, dentro do conceito de Empreendedorismo, é um investidor, uma pessoa física, que entra no começo [do projeto], como um pessoa muito rigorosa, mas com muito recurso financeiro”.

Não se joga sozinho em empreendedorismo.

Os anjos também são caracterizados como pessoas que já têm bastante experiência no mercado financeiro. De maneira que, nos comentários, Grando e Ortega mostraram aos grupos questões jurídicas e burocráticas que se apresentariam para que os planos de produto apresentados se tornassem planos de negócio. Como investidora, Luciane Ortega contou que seu papel era o de avaliar como é que um investidor olharia o que os alunos chamam de oportunidade, pois são ideias iniciais que podem ou não virar um produto. “Nosso papel era o de avaliar se essas ideias seriam factíveis ou não perante um investidor”, diz.

Quanto ao desenvolvimento real de um projeto em um plano de negócio, Lerosa adverte que “no meio do caminho os problemas sempre mudam, seja para mais fácil ou mais difícil”. Assim, todas as atividades desenvolvidas no curso buscaram preparar os alunos para que, quando as adversidades surgirem, eles consigam estar preparados e não percam as oportunidades. “É essa a ideia: fazer a pessoa pensar mais à frente. Tentar não prever o futuro, mas inventá-lo”, define o professor.

Mais informações: (11) 3091-9783, jals@usp.br

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