Programa Nascente premia jovens talentos em noite especial

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Foi uma noite de muitos sonhos. Com o mestre de cerimônia Sidney Santiago, ator e ex-aluno da Escola de Arte Dramática (EAD) da USP, recitando trecho de “Eu tenho um sonho” – histórico discurso feito pelo ativista político norte-americano Martin Luther King em 1963 – e distribuindo sonhos (o doce) para a plateia, teve início a Festa de Premiação do Programa Nascente, organizado pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da USP. A festa aconteceu dia 5 de julho, às 20 horas, no recém-inaugurado auditório da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na Cidade Universitária.

Em sua 21ª edição, o concurso artístico do qual participam alunos de graduação e pós-graduação da USP bateu recorde de inscrição. Ao todo, foram 547 trabalhos em 30 categorias, divididas em sete áreas: Artes Cênicas, Artes Visuais, Audiovisual, Design, Música Erudita, Música Popular e Texto. O número é quatro vezes maior do que o registrado nas últimas duas edições: no ano passado foram 136 grupos inscritos e, em 2011, 130.

Eduardo Coutinho, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e coordenador acadêmico do Programa, acredita que estes números resultam do empenho da comissão organizadora em divulgar o concurso: “O programa já está bem estruturado e este ano resolvemos colocar o gás na divulgação. Nosso lema é que ninguém na USP pode dizer que não sabe da existência do Nascente. Se não quiser participar, se não quiser prestigiar, tudo bem, mas dizer que não conhece não será possível”, afirma.

“É a USP reconhecendo na arte um pedaço do seu papel de formadora do ser humano que aqui estuda”

Para Coutinho, a iniciativa é importante porque “é a USP reconhecendo na arte um pedaço do seu papel de formadora do ser humano que aqui estuda”. Rodrigo Medeiros Monteiro, coordenador executivo do Programa, concorda: “A Universidade concentra muito naquela ideia de produção acadêmica. É preciso mostrar que tem um monte de artista aqui dentro e o Nascente dá essa voz a eles.”

A arte como bandeira

Mas não só de premiações foi feita a festa. A cerimônia contou também com a apresentação de Zé Leônidas, músico multi-instrumentista, cantor e compositor graduado pela USP, e com o show de música e dança da Cia. Do Núcleo de Artes Afro-Brasileiras da USP. O Núcleo atua no campus Butantã desde 1997, mas só foi oficialmente reconhecido dez anos depois. Atualmente vinculado à PRCEU e à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o grupo arrancou aplausos ritmados e fez a plateia dançar com suas referências à dança afro-brasileira de origem baiana, capoeira, maculelê, samba de roda e percussão afro-baiana.

Zê Leônidas apresentou canções de sua própria autoria e também resgatou nomes importantes da MPB, como Edu Lobo. O músico foi finalista do Programa Nascente em 2010 com a composição “Fiz um samba para você”, que também executou na Festa deste ano. Ele não ganhou o prêmio naquela época, mas considera a experiência muito positiva. “Desde então estou tendo mais oportunidade de divulgar meu trabalho, sou convidado para apresentações em eventos da USP e estou lançando um CD”, conta o músico. Para ele, ganhar não é o mais importante. “Persistência é fundamental”, aconselha.

Os ganhadores receberam prêmios de 4 mil reais e ainda vão participar do Circuito Nascente, que apresentará os trabalhos vencedores em unidades de ensino da USP na capital e no interior. “Para nossa felicidade tivemos um boom de inscrições e queremos aumentar ainda mais esse número para o ano que vem. Estamos no caminho certo divulgando a arte da USP”, acredita Rodrigo Monteiro. E é isso que espera também Coutinho: “Que a gente invada outras unidades da USP, vamos para a Química, a Física, para o interior. Vamos fazer da disseminação da arte uma bandeira”, convida.

Investimento para o futuro

Marcos da Costa Braga, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP e um dos jurados na área de Design, destacou a presença, na maioria dos trabalhos inscritos nesta categoria, da preocupação com a relevância social dos projetos. Em Design, foram dois vencedores. O “Bolsa Entrelaço”, projeto de extensão da FAU realizado em parceria com a Associação Brasileira de Distrofia Muscular (Abdim), promove a capacitação por meio de oficinas em técnicas artesanais de familiares cuidadoras de pacientes com distrofia muscular. Esse familiares produzem bolsas exclusivas, o que possibilita a geração de renda complementar para as famílias.

Um dos autores de “Ambus”, outro projeto de Design vencedor, Victor Vicenzo Scopacasa destaca a importância do Programa Nascente no reconhecimento e valorização do trabalho na sua área. “Não vemos este tipo de reconhecimento no mercado. Muita gente acha que o Design é um trabalho só de carcaça, mas tem todo um processo de pesquisa, desenho, frustração e reconstrução”, ressalta.

Felipe Rocha, estudante de Artes Cênicas e diretor da peça “Hamlet – Faltei no psiquiatra para consertar o freezer”, vencedora na categoria pela Interpretação em Grupo, considera importante o reconhecimento recebido pelo Programa Nascente: “O Departamento de Artes Cênicas da ECA é tido como um lugar que não forma bons atores e a minha luta enquanto diretor é que eles sejam bons. Isto não significa dizer bem um texto, mas estar inserido na obra que você escolheu fazer com sinceridade e honestidade. Ter o retorno deste trabalho todo é muito bom”, afirma. Sobretudo, Rocha destaca a contribuição financeira oferecida pelo Programa: “Estamos com um projeto novo e precisamos de recurso. É dinheiro para fazer mais teatro!”.

Para os vencedores de Audiovisual – dois projetos de animação – a ajuda financeira também será fundamental, já que os gastos com a produção de um filme não são pequenos. O curta-metragem “Oceano”, de Renato José Duque, contará a história de cinco garotas com superpoderes, mas que não são superheroínas. Para isso, será utilizada a técnica de rotoscopia, em que a animação é redesenhada a partir de referências filmadas. Caetano explica que produzir uma animação é um processo complicado, que exige muitos recursos técnicos e sempre esbarra em imprevistos. “O dinheiro do prêmio vai ajudar na realização de fato deste curta. Sempre acabamos tendo que captar recursos além daqueles oferecidos pelo nosso Departamento e o Nascente poupou uma longa busca por patrocínio. Agora estamos muito mais confortáveis para fazer o filme e experimentar”, afirma o estudante.

A lista completa dos vencedores desta 21ª edição está disponível na página do Programa Nascente no Facebook.

Mais informações: site http://prceu.usp.br/nascente

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