Pesquisadores da EERP apontam que atendimento de urgência têm dificuldades de comunicação

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Camila Ruiz, da Assessoria de Imprensa da EERP

Falhas na transmissão via rádio, falta de capacitação dos operadores, dificuldade no acesso à coordenação e ausência de supervisão dos enfermeiros. Estas foram as principais dificuldades encontradas por pesquisadores da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP durante análise da comunicação entre auxiliares de enfermagem do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência  (SAMU), seus supervisores e a Central Única de Regulação Médica (CURM).

O estudo foi desenvolvido pelas professoras da EERP, Andrea Bernardes, Carmen Silvia Gabriel, Fernanda Ludmilla Rossi Rocha e Yolanda Dora Martinez Évora e pela enfermeira do Hospital Estadual de Américo Brasiliense, Maria Claudia dos Santos Baldin, durante o ano de 2011 em Ribeirão Preto (interior de São Paulo).

Segundo a professora Andrea, com relação às operações de rádio transmissão, os resultados mostram “falta de capacidade dos operadores de rádio, de treinamento para o uso correto do código ‘Q’ (utilizado internacionalmente pelas Forças Armadas, limita os sinais de chamadas começando com a letra ‘Q’), falhas constantes dos equipamentos de rádio transmissão, escassez de informações coletadas pelos operadores.”

Quanto às equipes de enfermagem do Suporte Básico de Vida do SAMU-192, verificaram “dificuldade de contato com a coordenação e com os responsáveis pelo serviço, nos turnos noturnos e finais de semana”. Também encontraram “dificuldade de realização de reuniões entre coordenadores e trabalhadores, ausência de coordenadores e supervisores na CURM em todos os horários e todos os dias da semana, além de ausência de supervisão dos auxiliares de enfermagem”.

Soluções

“No entanto, foi possível detectar soluções para a melhoria da comunicação e, consequentemente, do atendimento ofertado pelo SAMU”, comenta a professora. Dentre as propostas que observaram, estão: o pedido dos trabalhadores para que seja realizada a manutenção dos aparelhos de rádio transmissão; a capacitação dos operadores de rádio; a permanência de enfermeiros na Central de Regulação em tempo integral e a realização de reuniões regulares no serviço.

Também ficou evidente a importância de supervisão de enfermagem intermitente nas viaturas. Segundo o estudo, esse trabalho facilitaria a capacitação da equipe e consequente melhoria do atendimento prestado.

O trabalho de pesquisa, realizado com o atendimento móvel de urgência em Ribeirão Preto, ficou em primeiro lugar entre 36 concorrentes no 13th Thinking Qualitatively Workshop, ocorrido entre 17 e 20 de junho deste ano na Universidade de Alberta, Canadá. O evento é anual e reforça a importância da pesquisa qualitativa, favorecendo a interação dos especialistas para discussão de métodos específicos, técnicas e abordagens.

Como desdobramento do estudo e premiação, a professora Andrea ganhou a inscrição para participar do próximo workshop em pesquisa qualitativa no Canadá em 2014. Em Ribeirão Preto, segue nova fase da pesquisa com o SAMU-192 e capacitação dos trabalhadores do serviço, conforme detectado no estudo de 2011.

Mais informações: (16) 3602-3471, email andreab@eerp.usp.br, com a professora Andrea Bernardes

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