Ciência dos números ganha destaque em Ano Internacional da Estatística

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2013 é o Ano Internacional da Estatística, e mais de duas mil instituições espalhadas pelo mundo, dentre elas a USP, se associaram para participar desse evento mundial. Universidades, escolas, sociedades profissionais em estatística, agências governamentais, empresas e institutos de pesquisas de mais de 100 países estão organizando atividades para celebrar e promover a importância da Ciência Estatística. Mas o que faz, de fato, a Estatística?

Alguns a chamam de “ciência da incerteza”, ou de “a arte de contar uma história com dados (numéricos)”, e não estão enganados. Mas a Estatística, enquanto teoria e conjunto de métodos utilizados na extração de informações a partir de dados, está quase sempre ligada à busca pela explicação de um problema, tentando sempre entendê-lo através dos dados e, com base nisso, criar espaço para que soluções e previsões hipotéticas sejam desenvolvidas.

Nascida para o planejamento de políticas públicas, “a Estatística surgiu do Estado – tanto que seu nome varia dele”, explica a professora Lúcia Pereira Barroso, do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP. Assim, voltadas para as necessidades do Estado, as primeiras aplicações do pensamento estatístico datam do século XVII, com destaque para o levantamento de dados demográficos e econômicos. “A Estatística, no começo, era apenas a coleta de dados, para que o Estado tomasse decisões baseadas em informações que existissem”, comenta a professora.

Hoje, a disciplina está presente em muitos outros campos, além da esfera pública administrativa. É aplicada na Medicina, na Agricultura, no Mercado Financeiro, nas Ciências Políticas, na Metereologia, no Direito, em estratégias de Marketing, enfim, em “qualquer área, que tenha dados e que seja necessária a extração de informações sobre eles, é possível à Estatística atuar”, comenta Lúcia.

O que faz um estatístico?

Ao contrário da época de seu surgimento, a atividade de um estatístico hoje vai além do mero levantamento de dados. Como coloca Lúcia Barroso, a “atuação [do estatístico] pode começar desde o planejamento do modo de obtenção dos dados, até à própria coleta e posterior análise. O estatístico pode trabalhar em todo esse caminho”.

A multiplicidade de atividades e campos de aplicação da Estatística também resultou na necessidade do estatístico saber se comunicar com os mais diversos profissionais, pois as pesquisas são desenvolvidas em conjunto e, por isso, é preciso saber traduzir as análises para um público menos familiarizado com a Estatística.

Nessa interação entre os profissionais, enquanto que o estatístico modela as ferramentas da pesquisa e ressalta os dados que se destacam nos resultados, o especialista da área, com base nesses resultados, passa a interpretá-los a partir de seus conhecimentos, desenvolvendo, então, suas hipóteses e teorias. Por isso a importância do bom diálogo entre os dois. A professora ainda ressalta: o estatístico nunca trabalha sozinho, ele sempre trabalha com pessoas de outra área. Então ele tem que desenvolver esse contato, aprender a conversar sem utilizar o jargão estatístico”.

Na USP, o curso de graduação em Estatística busca preparar os estudantes através de “uma formação ampla, com uma base teórica forte, para que depois o aluno possa atuar em qualquer área, inclusive a acadêmica”, explica Lúcia. Há ainda, no início do curso, uma disciplina – Perspectivas em Estatística – na qual os alunos são confrontados com diferentes problemas e devem projetar soluções através do uso da Estatística.

Já no quarto ano da graduação, os alunos têm disciplinas associadas ao Centro de Estatística Aplicada, do IME. O centro dá atendimento a pesquisadores de outras áreas, de maneira que o pesquisador que está fazendo seu mestrado, doutorado, ou desenvolvendo qualquer outra pesquisa, procura ajuda no Centro para fazer uma análise estatística. Então o aluno recebe esse projeto e é orientado por um professor.

Quanto às pesquisas desenvolvidas no IME, a professora comenta que a principal intenção dos recentes estudos é a de descobrir novas técnicas e novas metodologias de análise de dados. Assim, com o desenvolvimentos de novas ferramentas estatísticas, investigações que antes não existiam podem ser desenvolvidas e aplicadas em pesquisas de outras áreas.

Mais informações: site http://www.statistics2013.org/

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