Cinusp celebra em mostra os 100 anos do cinema indiano

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A produção cinematográfica indiana é a maior do planeta, superando de longe, com suas mais de mil obras anuais, o que é produzido no mesmo período por Hollywood. Para se ter uma ideia, o número de indianos que frequentam as salas de cinema em uma única semana ultrapassa o de brasileiros que vão ao cinema em um ano.

Uma amostra desta produção, que raramente atinge um público numeroso no Brasil, poderá ser conferida no Cinema Paulo Emílio da USP (Cinusp) a partir do dia 16 de setembro.

A mostra 100 Anos de Cinema Indiano é uma parceria do Cinusp com a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, e tem o apoio do Centro Cultural da Índia. A programação não se restringe ao círculo da chamada “Bollywood”, trazendo filmes que são produzidos em vários lugares da Índia e de distintas épocas, dos anos 1950 aos 2000. A entrada é gratuita a todas as sessões no Cinusp e no Centro Maria Antonia.

Diversidade

Pouco conhecida fora da Ásia, a produção indiana passou a ganhar notoriedade no Ocidente após a explosão do cinema de Bollywood, que se transformou em um estereótipo do cinema indiano. Falado em hindi, com números musicais, de longa duração e com tramas açucaradas, esse padrão está longe de representar a diversidade do cinema na Índia. E é justamente isso que a mostra proposta pela professora Laura Izarra (FFLCH) foi buscar.

Marcos Kurtinaitis, coordenador de programação do Cinusp, dá mais detalhes: “há filmes recentes bem mais modernos, que já têm uma cara bem diferente do cinema típico indiano e  que não têm números musicais. E, ao mesmo tempo, há alguns clássicos da história do  cinema, filmes que são fundamentais para qualquer cinéfilo, como A Canção da Estrada e O  vagabundo”.

Estagiária de programação no Cinusp, Yasmin Afshar acredita que “toda essa variedade  contribui para que, a partir de temas relevantes para a história da Índia, possa se seguir rumo a  um entendimento daquele país”. Desse modo, colocam-se, entre outras, a questão da  mulher, a questão da vida rural, do crescimento econômico, a partição, a guerra, a  dependência e as divisões em castas.

Pelo mundo

Lugares como China, Rússia e o sudeste asiático consomem bastantes filmes indianos, o que, somado ao próprio consumo interno, dispensa a necessidade de exportação. Além disso, nos Estados Unidos alguns filmes têm sido lançados, mesmo em festivais e em Blu-Ray.

Já ao Brasil, apesar de pouco divulgados, os filmes indianos já chegaram, mais de uma vez, através do Cinusp. O mais importante diretor indiano, Satyajit Ray, teve seus filmes exibidos em 2004. Além disso, frequentemente, o Centro Cultural São Paulo e a Cinemateca realizam alguns circuitos – o que permite ao público interessado acompanhar, ainda que de forma restrita, o panorama do cinema indiano.

Ainda assim, comenta Kurtinaitis, os poucos filmes que chegam ao circuito exibidor nacional restringem-se a filmes com uma temática mais “palatável” ao ocidente, como as obras da diretora Mira Nair, que faz filmes sobre migrantes indianos.

Como motivo desta baixa penetração, o coordenador sugere a imaturidade do mercado interno, e o fato de que o nosso circuito exibidor é muito pequeno. “Ele mal tem espaço para passar a produção brasileira e americana, quanto mais para se expandir para outros países”, avalia.

Dança e palestras

Na mostra do Cinusp, o espectador terá uma rara oportunidade de acompanhar uma criteriosa seleção de filmes indianos, que dão conta de diversos aspectos da realidade  daquele país. Além disso, os presentes poderão assistir às palestras dos dias 19 e 26 de setembro, que fazem parte de um curso de extensão montado pela professora Laura  Izarra sobre o assunto.

No dia da abertura da mostra, 16 de setembro, também haverá uma apresentação de dança  do grupo Bollywood Brazil, ocasião na qual o diretor do centro Cultural da Índia, Kamal Jit  Singh estará presente.

A mostra 100 Anos de Cinema Indiano acontece de segunda a sexta no Cinusp Paulo Emílio, com sessões às 16 e às 19 horas. As palestras realizadas antes dos filmes se iniciam às 14 horas nos respectivos dias. Já o Centro Maria Antonia terá sessões sextas às 20 horas, sábados às 17h30 e às 20 horas, e domingos às 17 horas e às 20h30.

O Cinusp localiza-se na rua do Anfiteatro, 181 – Colmeia, Favo 04, Cidade Universitária. A lotação é de 100 lugares.

O Centro Maria Antonia está situado na rua Maria Antonia, 294, Consolação. A lotação é de 70 lugares.

Mais informações pelo site do Cinusp ou pelo telefone: (11) 3091-3540.

Fotos: Divulgação Cinusp

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