Projetos na ECA investem no diálogo e integração entre as ciências

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A interdisciplinaridade e o diálogo entre ciências de diversas áreas está ganhando cada vez mais importância em universidades do Brasil e do mundo. Essa prática contribui para o desenvolvimento de novas pesquisas, além de proporcionar a integração entre os diferentes cursos da universidade. Abordando essa questão, a Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP aposta em projetos como o Novo Pacto da Ciência e, mais recentemente, um programa de seminários junto ao Memorial da América Latina.

A pesquisadora Cremilda Medina, professora titular da USP e organizadora dos projetos, acredita que a Escola tem o dever de proporcionar uma linguagem que estimule o diálogo não só entre a sociedade e a ciência, mas também entre os próprios saberes da universidade.

Nessa troca, percebe-se que os problemas e desafios enfrentados  pelas humanidades são muito parecidos com os enfrentados por outras ciências. Segundo ela, independentemente da área,

“Toda pesquisa deve ter como princípio o comprometimento com o sujeito humano.”

Portanto, a relação sujeito-objeto precisa ser revertida urgentemente para a relação sujeito-sujeito.

“Esse é o problema do comunicador social e dos pesquisadores em geral: se eles não tem um compromisso com o outro, se tratam o outro como apenas como objeto de pauta ou de estudo, não há dialogia, e sim um monólogo autoritário”, completa.

Projeto Novo Pacto da Ciência

Criado na pós-graduação da ECA em 1990, o projeto Novo Pacto da Ciência foi o primeiro credenciado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) chamado de Projeto Integrado de Pesquisa. Ele se propõe a captar na interdisciplinaridade questões que quebrem as fronteiras entre as unidades da universidade, criando uma linguagem de diálogo social.

“A certa altura não tivemos mais essa ligação [com o CNPq], e hoje ele já não tem uma geografia fixa, está numa diáspora. As pessoas que participaram levam para as universidades onde trabalham essa mesma ideia,” aponta Cremilda.

Os resultados interdisciplinares se multiplicam em outras universidades nacionais e internacionais, tanto na graduação como na pós. Os encontros e seminários organizados pelo projeto estão publicados em uma série de 11 livros, que tratam principalmente de temas que articulam os diferentes saberes – científicos, artísticos e da experiência do cotidiano.

Foro Permanente de Reflexão sobre a América Latina

Segundo a professora Cremilda, a USP possui tradição nos estudos de América Latina devido ao Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina (Prolam), criado há 21 anos.

O Foro Permanente de Reflexão sobre a América Latina nasceu no começo de 2010, vinculado à Cátedra Unesco Memorial da América Latina, um projeto acadêmico que une a Fundação Memorial, por meio de seu Centro Brasileiro de Estudos da América Latina (CBEAL), com as três universidades públicas paulistas – USP, Unicamp e Unesp. Ele foi implantado pela professora Cremilda a convite do ex-reitor da USP, Adolpho José Melfi, hoje diretor do CBEAL.

Sua finalidade é divulgar ao público teses de doutorado e dissertações de mestrado que focam na  América Latina, oferecendo conteúdos científicos que apresentem significativas contribuições sócio-econômicas, culturais e artísticas. Elas são expostas por meio da realização de seminários, que posteriormente são transformados em livros.

Como em toda a sua trajetória a professora Cremilda incentivou a metodologia interdisciplinar, seu novo projeto não poderia se limitar somente a uma área. Nos três primeiros livros da coleção, são feitas relações entre diferentes campos do saber. “Os seminários do memorial são um exemplo perfeito dessa interdisciplinaridade”, pontua.

Livros lançados

No ano passado, foram realizados quatro seminários, dentre os quais três foram publicados pela Fundação Memorial da América Latina em livros lançados em outubro deste ano.

O volume Aids na rota da Esperança baseia-se na pesquisa de mestrado desenvolvida no Prolam pela  médica infectologista Sônia Geraldes. Ela realizou um trabalho inédito no Brasil, com relação a linguagem das campanhas preventivas de Aids no Brasil e no México.

“Sua pesquisa fez uma crítica contundente tanto ao procedimento dos infectologistas quanto dos comunicadores que fazem as campanhas, porque detectou de ambas as partes uma linguagem autoritária que não tem efeito”, ressalta Cremilda.

Já em Viagem à América Indígena: do Eldorado à cidade contemporânea, o tema abordado é o das populações indígenas em grandes cidades, como São Paulo e Santiago do Chile. Ele surgiu da tese de doutorado de Pedro Ortiz, mestre e doutor pelo Prolam. No mesmo livro, Enrique Amayo Zevallos, Edson Capoano e Cremilda Medina refletem sobre culturas ancestrais nas sociedades contemporâneas; e Sinval Medina complementa com um texto literário que mistura arte e ciência.

Por fim, O impacto do microcrédito para a mulher latino-americana registra a tese de doutorado de Cláudia Forte. A doutora pesquisou a expansão das políticas de microcrédito na América Latina e o caso das mulheres empreendedoras brasileiras e colombianas.

“Essa tese reforçou a nossa linha de pesquisa, introduzindo na economia as variáveis de cultura e comunicação. Isso foi importante pra demonstrar a necessidade de darmos as mãos em uma forma de estudos interdisciplinar, nesta e em outras universidades.”

No primeiro semestre de 2011 ocorreram três seminários, e outro já está marcado para o próximo dia 29. Segundo a professora, provavelmente no começo de 2012 mais três livros serão lançados.

Informações sobre aquisição das publicações podem ser obtidas pelo email editor@memorial.sp.gov.br.

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