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Biossensor identifica de forma mais rápida e barata concentração de hormônios da tireoide

Sistema é capaz de separar as quantidades de tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3) de forma rápida e barata.

Da Assessoria de Comunicação do IFSC

Cientistas do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP produziram um biossensor capaz de identificar e separar diferentes concentrações de hormônios produzidos pela tireoide de uma maneira rápida e barata. Através de medidas elétricas e eletroquímicas, o biossensor é capaz de separar as quantidades de tiroxina (T4) e a triiodotironina e, inclusive, de TRIAC – também chamado de “Triatcol”, um hormônio análogo da tireoide, também produzido pelo organismo -, encontradas no organismo, e trazer um rápido diagnóstico sobre a falta ou excesso de qualquer um dos três hormônios.

A tireoide é uma das maiores glândulas endócrinas (que produz secreções) do corpo humano. Localizada no pescoço, em frente à traqueia, ela é responsável pela produção dos hormônios (T4) e (T3), que regulam diversas – e essenciais – funções em nosso organismo.

Para se ter uma ideia da importância desses hormônios, na falta de ambos (hipotireoidismo), o intestino fica mais lento, os rins passam a filtrar menos líquidos, a pessoa pode ter depressão, dificuldades com a memória, raciocínio e fala, diminuição da frequência cardíaca, fraqueza e dores musculares, aumento de peso, infertilidade, entre outros problemas. O excesso de ambos (hipertireoidismo) acelera o intestino, causa irritabilidade, nervosismo insônia, taquicardia e arritmias, perda de peso etc.

“Conseguimos separar populações de diferentes concentrações desses hormônios a níveis muito baixos, em torno de 2,5 nM (0,000000001mg), que são níveis compatíveis com o que se tem no corpo humano”, explica o docente do IFSC e um dos autores da pesquisa, Valtencir Zucolotto, coordenador do Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do IFSC.

O desequilíbrio na produção desses hormônios não só é comum como também expressivo: de acordo com pesquisa realizada entre 2001 e 2002 na grande São Paulo com mulheres entre 20 e 78 anos, 10% apresentou sintomas clínicos e laboratoriais de desequilíbrio hormonal da tireoide.

Funcionamento

O método funciona da seguinte forma: um nanofilme é depositado sobre um chip. Este contém receptores nucleares, que são imobilizados sobre o nanofilme e, por sua vez, capazes de identificar e quantificar os hormônios da tireoide presentes na amostra. “Atualmente, essa quantificação de hormônios só é feita em laboratórios e demora para que o diagnóstico chegue nas mãos do paciente. Os equipamentos usados para realização desses exames custam muito caro também”, explica o docente.

O dispositivo que realizará a tarefa ainda não existe, mas a metodologia criada pelos pesquisadores funciona e, inclusive, já foi patenteada. Além da resposta em minutos, os chips utilizados serão descartáveis, tornando o processo mais eficiente e higiênico. “A eletrônica envolvida nesse processo, ou seja, o equipamento que servirá de base para o chip, não terá um custo alto. Mas, este, obviamente, não será descartável”, esclarece Zucolotto.

A novidade pode ter grande potencial na medicina e uma das mais importantes aplicações é o auxílio nos processos de reposição hormonal, uma vez que a nova técnica possibilitará que, em poucos minutos, o nível dos hormônios da tireoide no sangue seja medido. Outra aplicação importante refere-se ao controle de qualidade para indústrias farmacêuticas, possibilitando que a quantidade certa de hormônio seja inserida nas cápsulas de remédios de reposição hormonal.

Assim que o convênio empresa/universidade estiver firmado, o dispositivo poderá chegar às prateleiras das farmácias. Pesquisadores, médicos e, sobretudo, pacientes aguardam ansiosos pela concretização dessa parceria.

O trabalho contou com a colaboração com o Grupo de Biotecnologia Molecular do IFSC, sob coordenação do professor Igor Polikarpov e o artigo está aceito para publicação na revista Journal of Biomedical Nanotechnology.

Mais informações: comunicifsc@ifsc.usp.br

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