Estudo premiado da EACH investiga ações de promoção da atividade física

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Da Assessoria de Imprensa da EACH

A importância dada à prática da atividade física tem crescido nos últimos anos em vários países, inclusive no Brasil. No ano 2000, o Ministério da Saúde incluiu a atividade física na elaboração de políticas públicas de promoção da saúde e, reforçado pela estratégia global proposta pela Organização Mundial de Saúde, apoiou a implantação e o desenvolvimento do programa Agita Brasil, culminando em 2006 com a Política Nacional de Promoção da Saúde. Mesmo com a preocupação das autoridades, no entanto, a prática de atividade física ainda não é realidade para grande parcela da população.

Para compreender melhor este cenário, o Grupo de Estudos e Pesquisas Epidemiológicas em Atividade Física e Saúde (GEPAF), do curso de Educação Física e Saúde da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, coordenou uma pesquisa com o objetivo de descrever ações de promoção da atividade física, a partir de dados colhidos no ano de 2007 no distrito de Ermelino Matarazzo, no extremo leste de São Paulo.

Verificou-se que 68% da população adulta não praticava nenhum tipo de atividade física no tempo de lazer, 14,3% não caminhava como forma de deslocamento e 47,1% não atingia a recomendação de pelo menos 150 minutos por semana de prática de atividade física. A partir destes dados, e levando em consideração o ambiente no qual esta população está inserida, o GEPAF propôs diferentes estratégias de promoção da atividade física. Foram duas intervenções baseadas nas diretrizes do SUS e em consonância com a Política Nacional de Promoção da Saúde.

O estudo foi composto pela implantação de três programas de intervenção: prática de exercícios físicos supervisionada, educação em saúde e curso de capacitação em atividade física.

Intervenções 

Os programas de exercício físico supervisionado e educação em saúde ocorreram entre março de 2011 e fevereiro de 2012 e tiveram como objetivo aumentar o nível de atividade física de adultos saudáveis atendidos pela Estratégia de Saúde da Família de três Unidades Básicas de Saúde (UBS) do distrito de Ermelino Matarazzo. Cinquenta e quatro adultos alocados no programa de exercício físico supervisionado participaram de três sessões semanais de exercícios cardiorrespiratórios, força e flexibilidade desenvolvidos no ginásio da EACH. O programa de educação em saúde também contou com a participação de 54 adultos que reuniam-se para discutir atividade física, alimentação saudável, estresse e hábitos saudáveis. A frequência dos encontros reduziu de mensalmente no primeiro mês, para quinzenalmente no segundo e mensalmente a partir do terceiro.

O curso de capacitação teve como objetivo verificar o impacto da promoção da atividade física mediante a intervenção dos agentes comunitários de saúde em suas visitas domiciliares. Para tanto, os agentes comunitários de saúde de uma UBS do distrito participaram de um trabalho educativo de ampliação de conhecimentos e participação semanal de um programa de atividade física desenvolvido por um profissional de educação física. Além do programa, os agentes receberam um material educativo elaborado GEPAF para auxiliá-los durante as visitas domiciliares.

A experiência obtida através das intervenções deve contribuir no aprimoramento das ações de promoção da atividade física não somente na região de Ermelino Matarazzo, mas em outras áreas da cidade de São Paulo.

Premiação

O trabalho “A experiência da pesquisa Ambiente Ativo na promoção da atividade física em Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo” recebeu o prêmio de melhor artigo no nono Congresso Brasileiro de Atividade Física e Saúde, que aconteceu no mês de novembro em Curitiba (Paraná). O artigo foi publicado na seção “Do diagnóstico à ação”, da Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde.

A publicação contou com a liderança do professor Douglas Roque Andrade e com a participação do professor Alex Florindo (responsável geral por todo o estudo), ambos do curso de Educação Física e Saúde da EACH. Também participaram Evelyn Costa, Evelyn Ribeiro, Emanuel Péricles Salvador e Leandro Garcia, alunos da pós-graduação da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. A pesquisa conta com o apoio da FAPESP e das Supervisões de Saúde e de Esporte da Subprefeitura de Ermelino Matarazzo.

Mais informações: email douglas.andrade@usp.br, com prof. Douglas Roque Andrade

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