Nanopartículas magnéticas ajudam a entender atuação de células-tronco

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Quase todos os dias temos notícias sobre avanços em pesquisas com células-tronco em processos de regeneração de tecidos. Mas apesar dos muitos progressos obtidos, algumas questões sobre o funcionamento destas células permanecem em aberto. “Que elas funcionam, nós sabemos que funcionam, mas nós queremos saber exatamente como”, declara o professor Said Rabbani, do Instituto de Física (IF) da USP.

Procurando esclarecer estas dúvidas, um projeto de Rabbani utiliza a marcação de células-tronco com nanopartículas supermagnéticas para realizar imagens celulares. Deste modo, é possível estudar de forma muito precisa o mecanismo de funcionamento das células, acompanhando o caminho delas antes, durante e após a regeneração. Indicando o destino delas após terem atuado na regeneração, a marcação poderia auxiliar, também, na verificação de possíveis efeitos colaterais da terapia com células-tronco.

Como funciona

O rastreamento das células marcadas pelas nanopartículas é feito em um miocárdio (músculo cardíaco) de porco com um enfarto induzido, sendo acompanhada a sua regeneração, por meio de ressonância magnética. O docente ressalta que, utilizando este método, não é necessário sacrificar o porco.

Para desenvolver este complexo trabalho, Rabbani não atua sozinho. Ele conta com o apoio do professor Valtencir Zucolotto, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, na preparação das nanopartículas de óxido de ferro, e do professor José Eduardo Krieger, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), que incorpora as nanopartículas nas células-tronco retiradas de tecido gorduroso para que as análises possam ser feitas. “É um trabalho em conjunto. Eu apenas faço as imagens magnéticas”, diz.

O primeiro objetivo da pesquisa, a visualização celular do processo, já foi alcançado. “O próximo passo será ver para onde as células-tronco vão [após a regeneração], para tentar entender melhor seu mecanismo”. Após o término dos estudos com os porcos, as pesquisas serão feitas com ratos, utilizando-se as nanopartículas acopladas às células-tronco para estudar o trajeto delas em casos de regeneração renal. A ideia é verificar se o processo ocorre de forma semelhante em diferentes tipos de tecido.

Novos conhecimentos

Said afirma que um entendimento mais completo do funcionamento das células-tronco é fundamental para que elas possam ser usadas de forma mais ampla. O professor conta que no início das pesquisas, por exemplo, acreditava-se que apenas as células tronco embrionárias teriam as propriedades de regeneração. Atualmente é conhecido que as células adultas também possuem tais propriedades.

Outra questão levantada pelo professor era o desconhecimento das funções das células-tronco “Hoje sabe-se que elas não são apenas curingas. Elas também funcionam como um sinalizador”. Isso significa que elas mostram ao corpo quando e onde o trabalho deve ser iniciado e finalizado, como por exemplo na regeneração de um corte realizado na mão.

Esta função poderia ser utilizada para realizar uma liberação mais precisa de medicações que necessitam atuar de forma direta em determinados tecidos, como no caso de um câncer. “Pode-se encapsular o medicamento juntamente com as células-tronco e então ele atacaria diretamente o tumor, sem ser danoso aos demais tecidos”, prevê.

O professor ressalta, porém, que no caso de seu trabalho, não se busca desenvolver métodos de tratamento. “Nós apenas estudamos o comportamento das células-tronco. Mas nossa pesquisa poderá ser usada por outras áreas para gerar novas formas de diagnóstico ou terapia”, conclui.

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