Estudante do ICMC premiado na França comenta seu desempenho acadêmico

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Davi Marques Pastrelo/ Assessoria de Comunicação do ICMC

O campus da USP em São Carlos é caracterizado pela forte presença de cursos na área de Ciências Exatas, que necessitam de uma base sólida em matemática. Este cenário reforça a importância do papel do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, que ministra disciplinas de serviço para esses cursos, além de orientar projetos de iniciação científica de seus estudantes.

Foi o caso de Guilherme Mazanti, que acaba de se formar em Engenharia Elétrica pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP. Sob orientação do professor Hildebrando Munhoz Rodrigues, do Departamento de Matemática Aplicada e Estatística do ICMC, ele desenvolveu projeto sobre Análise e Integral de Lebesgue e de Álgebra Linear e Análise Funcional. Guilherme afirma que estes projetos o ajudaram a ter uma base sólida em matemática, e contribuíram muito para que fosse estudar na França.

Mazanti ficou na França por dois anos e meio, e, nos últimos três meses do curso, desenvolveu um estágio em Controle de Sistemas Dinâmicos, que foi premiado recentemente pela École Polytechnique, instituição em que realizou seus estudos. O tema foi sugerido por seus orientadores, professores Yacine Chitour e Mario Sigalotti. Eles escreveram um estudo que continha alguns problemas em aberto, e Guilherme estudou durante três meses os dois artigos escritos por eles para tentar chegar nos resultados esperados.

O tema de estudo de Mazanti foi Estabilização de Sistemas Lineares a Excitação Persistente. Esse projeto entra na classe dos chamados Sistemas Chaveados que, por sua vez, estão incluídos na classe de Sistemas Híbridos. A aplicação desses sistemas na indústria é recente pois, apesar de ser fácil fazer os modelos, seu estudo é complexo. Um exemplo de Sistema Híbrido é o sistema de refrigeração de uma sala. “A temperatura é a dinâmica contínua, e a possibilidade do sistema de refrigeração estar ligado ou desligado seria o estado discreto”, explica Mazanti. Outro exemplo clássico seria o carro, com a dinâmica contínua de velocidade ou posição, com a dinâmica discreta das marchas, pois não se pode ter uma marcha intermediária. “É como se para cada marcha tivéssemos um sistema diferente”, esclarece.

Com 23 anos, ele ingressou na EESC em 2006 e concluiu o curso em 2011 com nota média geral 9,8, a maior da história da instituição. “Nunca pensei em concluir o curso com a maior média da USP, apenas me esforcei para aprender e pelo fato de gostar dos cursos, sentia-me motivado a estudar as disciplinas.”

Sobre seu orientador, professor Hildebrando, Guilherme conta que ele passa aos alunos em suas aulas problemas motivacionais. “As aulas dele sempre começam com problemas que motivam os alunos a entender por que aquela teoria é importante e onde ela pode ser aplicada. Ele procura extrair o melhor do aluno”. Em relação à iniciação científica, ele diz que a maneira como o professor Hildebrando conduz o programa é um exemplo, pois entre outras coisas, ele passa aos alunos da engenharia uma excelente base matemática, que serve para qualquer estudo, mesmo que o aluno não vá seguir carreira em matemática. “Cursei com o professor Hildebrando a disciplina de Equações Diferenciais Ordinárias, diz Guilherme. Ele também citou a importância de outros docentes do ICMC para seu trabalho, com destaque para o professor Paulo da Veiga e a professora Sandra Godoy.

Em relação ao futuro, Mazanti conta que ingressou em 2012 no programa de Doutorado Direto do ICMC, pois apesar do curso realizado por ele na França contar como o primeiro ano de mestrado na grade europeia, seria difícil pedir equivalência. Independente do que ocorrer, a trajetória de Guilherme pode servir como inspiração para as novas gerações que ingressam na universidade.

Mais informações: (16) 3373-9666, email comunica@icmc.usp.br.

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