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Núcleo de pesquisa avança nos intrincados caminhos das células

Descobrir e caracterizar os peptídeos – moléculas que resultam da degradação da proteína pelas enzimas – é o trabalho do Núcleo de Apoio à Pesquisa na Interface Proteólise-Sinalização Celular (NAPPS) da USP, que pode resultar em novas formas de tratamento do câncer e outras moléstias

Terapias

Crédito: Fábio Gozzo e Elidiane da Silva
Crédito: Fábio Gozzo e Elidiane da Silva

Achar as funções biológicas para um conjunto grande de moléculas já geradas em laboratório, além das aplicações, mecanismos e caminhos que essas moléculas devem percorrer dentro da célula, é o foco das pesquisas do NAPPS. Enquanto Fábio Luís Forti tenta descobrir os caminhos dos peptídeos dentro da célula, Marco Antônio Stephano se utiliza das formulações farmacêuticas para atacar esses alvos destacados por Forti de forma altamente específica, reduzindo assim a possível toxicidade.

Stephano realizou algumas formulações terapêuticas que observam essas características. Como exemplo, ele cita as células cancerígenas do colo uterino, onde a base da nanopartícula funciona bem porque tem bastante mucoadesividade e as células cancerígenas do colo uterino são mais receptivas para adesividade do que outras células. “Dessa forma conseguiríamos direcionar o fármaco específico para essa doença”, ressalta.

Outra aplicação seria em células de câncer de pulmão que se encontram no parênquima – o setor de troca de gases do aparelho respiratório. Segundo Stephano, é muito difícil fazer um fármaco injetável chegar até lá. “Caso pudéssemos oferecer o fármaco pela via respiratória, o medicamento chegaria ao local doente da célula o mais rápido possível. O outro seria para o câncer de pele, o sarcoma. O nosso peptídeo poderia ser integrado dentro de uma formulação na forma de uma nanopartícula, que transpassaria a derme para chegar até as células cancerígenas da pele”, calcula. “Esses tipos de terapêutica, teoricamente, pela cultura de células que desenvolvemos, seriam perfeitamente possíveis de serem aplicados.”

A prática da ciência contemporânea

Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP
Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP

O Núcleo de Apoio à Pesquisa na Interface Proteólise-Sinalização Celular (NAPPS) é um exemplo da forma como a ciência contemporânea é produzida – não isoladamente, mas em grupos de pesquisadores de diferentes áreas. Integrantes do núcleo, o professor Fábio Gozzo e sua pós-doutoranda Elidiane da Silva, ambos do Departamento de Química da Unicamp, obtiveram a imagem da proteína 14-3-3, identificada pelo pesquisadores do NAPPS como o alvo do peptídeo AGH. Os dados para geração dessas imagens foram obtidos experimentalmente após ligação cruzada das duas moléculas (14-3-3 e AGH) em solução fisiológica, usando uma técnica de resolução de estruturas por espectrometria de massas desenvolvida por Gozzo. “Essa é uma técnica que poucos grupos no mundo dominam”, explica Ferro.

Outro pesquisador que compõe o núcleo, professor Marcelo Damario Gomes, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, ressalta a importância dessa interação entre cientistas. “É a partir de iniciativas como essa que temos oportunidade de colaborar, intercambiar estudantes, promover eventos etc.” Gomes ressalta que hoje em dia não se faz ciência sozinho. “É preciso uma abordagem multidisciplinar para entender qualquer fenômeno e a participação coletiva é fundamental para que se chegue aos resultados mais rapidamente”, diz.

Já o professor Marco Stephano, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, ressalta a credibilidade e a aplicabilidade da pesquisa como importantes aspectos do trabalho que o NAPPS desenvolve. “A exigência por uma pesquisa bem feita e de qualidade é muito maior, apura-se o senso crítico e, antes de publicar qualquer artigo, seus pares são seus primeiros críticos”, analisa.

O compartilhamento da expertise de cada pesquisador é ponto principal apontado pelo professor Fábio Luis Forti, do Instituto de Química (IQ) da USP. “Saber que posso dispor do meu conhecimento, do laboratório, das técnicas e abordagens para ajudar os colegas a resolver os seus problemas, e vice-versa, faz do NAP uma alternativa necessária no mundo da pesquisa.”

Mas nem só de pesquisador vive um núcleo de pesquisa. O técnico de laboratório é imprescindível e Leandro Gomes vem contribuindo com sua experiência. Ele lembra que o NAPPS também forma recursos humanos e, no seu caso, proporcionou em sua carreira uma especialização em técnicas que não dominava. “Através da integração com outros laboratórios, aprendi técnicas de espectrometria de massas, sequenciamento, extração e quantificação de peptídeos. Tudo o que utilizei para conseguir as centenas de peptídeos que o NAPPS tem hoje para estudar”, observa.

O NAPPS ajudou a formar quatro doutores e um mestre, e todos tiveram que aprender as técnicas de preparo e identificação dos peptídeos. Em dois anos de atividades, já foram publicados 12 papers em revistas cientificas.

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