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Núcleo de pesquisa avança nos intrincados caminhos das células

Descobrir e caracterizar os peptídeos – moléculas que resultam da degradação da proteína pelas enzimas – é o trabalho do Núcleo de Apoio à Pesquisa na Interface Proteólise-Sinalização Celular (NAPPS) da USP, que pode resultar em novas formas de tratamento do câncer e outras moléstias

Desafios

Foto: Daniel Rocha
Foto: Daniel Rocha

A integração, a cooperação, o compartilhamento e a formação de recursos humanos têm sido as coisas mais positivas geradas pelo NAPPS, na opinião do professor Ferro. O trabalho interdisciplinar trouxe desafios à equipe, como atesta o professor Stephano, também do NAPPS, responsável por desenvolver a mecânica de transporte do pep5 até o tumor cancerígeno.

“Preciso entregar o peptídeo de forma que ele atinja apenas as células cancerígenas e não as normais. Com isso, preciso desenvolver a especificidade da droga. A forma que encontrei de fazer isso foi através da nanotecnologia. Estamos desenvolvendo uma nanocápsula feita com quitosana, um material derivado da quitinina da casca de crustáceos como camarão. Ela possui carga positiva e por isso é mucoaderente, ou seja, adere facilmente à pele da boca, nariz, colo uterino. Ao aderir, a nonocapsula libera o peptídeo. Testamos em culturas celulares e conseguimos reduzir muito a dose do peptídeo administrado. Estudamos para aplicações de câncer de cólon de útero e de pulmão”, afirma Stephano.

Segundo o professor, centenas de substâncias mucoaderentes poderiam ser testadas. Mas a quitosana, conhecida pelo professor em suas pesquisas com vacinas, foi o caminho natural. “A segunda etapa das nossas pesquisas com o pep5 seria colocar a célula cancerígena no camundongo e aplicar esse tipo de mecanismo de transporte da droga, mas não creio que teremos como investir nisso no momento”, afirma.

Alzheimer

portal20141021_12O laboratório de Neurofarmacologia Molecular, do Departamento de Farmacologia do ICB, também um dos colaboradores do NAP coordenado por Emer, tem na sinalização molecular do sistema nervoso central sua principal linha de estudo. No nível celular e molecular, os pesquisadores buscam respostas para neuroinflamação, envelhecimento e doenças neurodegenerativas.

Entre os diversos achados, o professor Cristoforo Scavone empolga-se ao falar dos bons resultados obtidos com a ouabaína, um extrato isolado de uma planta popularmente chamada dedaleira (Strophantus gratus). A oubaina já se transformou num fármaco clássico para o tratamento de doenças cardiovasculares. A novidade é que o grupo de Scavone descobriu que a substância é também um hormônio produzido por humanos e que tem a capacidade de proteger os neurônios de doenças neurodegenerativas, como o Parkinson e Alzheimer, por exemplo.

Ao estudar a curcumina, um flavonóide presente no tempero conhecido como curry, pesquisasdores coordenados pela professora Elisa Mitiko Kawamoto, do mesmo laboratório do ICB, conseguiram mostrar a interação desse fitoquímico com um receptor intracelular relacionado à inflamação. “Os achados mostram que a curcumina melhora os déficits cognitivos associados à ativação da resposta imune inata por um mecanismo associado à sinalização do TNFR2, um receptor celular”, afirma Elisa.

Os estudos buscam desvendar as interações entre glicocorticóides, estrógenos, e certas proteínas. Incluso na lista de investigações está o pep5. “Realizamos trabalhos de ciência básica e o que a sociedade pode extrair do nosso grupo é o conhecimento gerado, e não um produto”, ressalva a cientista.

Entender os mecanismos e funcionalidades das células é um passo à frente do mapeamento do genoma, afirma o professor Emer. “Hoje o grande mistério da ciência é conhecer como as células interagem entre si e com o meio externo, como se dá essa orquestração e dinâmica”, diz.

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