Projeto cria jogos pedagógicos com materiais alternativos

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Não é preciso esperar até a graduação para realizar uma atividade de pesquisa científica. Foi assim com o aluno do ensino médio Maycon Vinicius Ferreira, da Escola Técnica Estadual (ETEC) Tenente Aviador Gustavo Klug, em Pirassununga. Em 2014, aos 15 anos, ele desenvolveu jogos pedagógicos utilizando painéis de partículas fabricados com bagaço de cana de açúcar e resina poliuretana à base de óleo de mamona. Foram produzidos dois jogos: “Sobra 1″ e “Cubo Quebra-Cabeça”.

A pesquisa Desenvolvimento de jogos pedagógicos com painéis de resíduos agroindustriais foi realizada no Laboratório de Construções e Ambiência da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP sob a orientação do professor Juliano Fiorelli, do Departamento de Engenharia de Biossistemas e pesquisador do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Materiais para Biossistemas (NAP – BioSMat).

O projeto foi realizado por meio do Programa de Pré-Iniciação Científica, iniciativa da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP que tem o objetivo de despertar e incentivar o interesse de alunos de escolas públicas em atividades de pesquisas científicas realizadas na Universidade. Cada estudante recebe uma bolsa mensal no valor de R$100,00.

Durante um ano, o estudante pode acompanhar as rotinas de pesquisa realizadas no âmbito do NAP – BioSMat e conhecer alunos da graduação e da pós, e também colocar a mão na massa.

De acordo com o professor Juliano Fiorelli, o projeto aproxima o aluno do ensino médio das atividades práticas realizadas no NAP-BioSMAT e ajuda a transferir conhecimento técnico e científico, além de promover o desenvolvimento de produtos com os materiais não convencionais de subprodutos agroindustriais pesquisados pelo grupo. “É uma atividade bastante valiosa em termos de abrangência, pois aproxima os jovens de escolas públicas e acaba sendo uma oportunidade para eles conhecerem outras profissões e também alunos da graduação, da pós e professores. É uma maneira de contribuir com a formação desses jovens”, destaca.

Para Ferreira, a experiência foi muito enriquecedora. “No começo, fiquei um pouco assustado com aquele ambiente, pois além de ser diferente do ensino médio, os alunos do laboratório eram bem mais velhos e já estavam na graduação e na pós. Mas depois fui interagindo com eles e fazendo amizade”, conta o estudante, agora com 17 anos. A experiência foi tão boa que ele tomou a decisão de cursar uma faculdade quando sair do ensino médio. “Antes eu nem pensava em continuar os estudos, em ir para uma universidade”, comenta o estudante, que agora está em dúvida se vai prestar vestibular para Psicologia ou para Design.

Jogos Pedagógicos

Nos primeiros meses, o estudante acompanhou as atividades realizadas pelos alunos. Em seguida, ele pôde verificar como é realizado o processo de produção dos painéis de partículas, os vários tipos de materiais e de resinas que podem ser utilizadas, e as outras fases de produção. Ao longo desse processo, foram realizadas várias reuniões com o professor Fiorelli onde foi decidido que seriam produzidos jogos educativos como produto final da pesquisa.

O estudante passou então a discutir e pesquisar sobre qual jogo seria mais viável até que decidiu pelo Resta 1 e o Cubo Quebra-Cabeças, ambos por instigarem a memória e o raciocínio das pessoas. “O Cubo Quebra-Cabeças, por exemplo, tem duas camadas de peças, uma em cima da outra. Mas para montar a camada de cima, é preciso que a primeira esteja com as peças corretas, caso contrário, não será possível montar a segunda camada corretamente”, explica o aluno. Os jogos foram pensados para um público jovem, na faixa dos 10 aos 14 anos. A próxima etapa foi o processo de confecção das placas. Para isso, Ferreira contou com a ajuda de técnicos e alunos do Laboratório. Por fim, a partir das placas, foram montados os jogos.

De acordo com Fiorelli, a estrutura física instalada na universidade permitiu a fabricação dos jogos em nível experimental, com dois exemplares de cada. Ele ressalta que o objetivo do projeto foi alcançado e que a produção em escala poderá ocorrer se houver parceiros interessados em produzir e comercializar os jogos desenvolvidos.

Outro aspecto positivo é que a experiência motivou o estudante a voltar ao Programa neste ano de 2016. “Mas agora o foco da pesquisa será o desenvolvimento de objetos sólidos para o ensino de desenho técnico utilizando painéis de resíduos agroindustriais”, informa Fiorelli.

Valéria Dias / Agência USP de Notícias

Mais informações: email julianofiorelli@usp.br

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