Novo teste simplifica medição de toxicidade na água

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Kit YTOX é alternativa rápida e com custo-benefício bastante acessível para avaliar amostras de água e resíduos

A equipe do Laboratório de Química Ambiental do Departamento de Ciências Exatas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, vem desenvolvendo, há três anos, testes inovadores no método de avaliar a toxicidade em água e resíduos. O grupo encontrou uma forma de aperfeiçoar os testes tornando-o mais acessível, pois até então era necessário a tilização do Microtox, equipamento de alto valor, além de um kit de bactérias luminescentes. Os pesquisadores criaram um novo método, acompanhado de um kit denominado YTOX, no qual é possível diagnosticar rapidamente a presença de elementos tóxicos.

“O segredo foi utilizar levedura de panificação para nos ajudar a identificar as substancias”, conta Luiz Humberto Gomes, biólogo e especialista do laboratório. Enquanto pelo método Microtox se gasta R$250,00 por amostra, com o YTOX é necessário apenas R$10,00.

O método tem como base a rapidez do mecanismo de defesa das leveduras diante da exposição a qualquer agente tóxico, reduzindo a produção das desidrogenases (enzimas). “Toda essa detecção é realizada com a levedura e também a partir do reagente Cloreto de Trifenil Tetrazólio (TTC), que na presença das desidrogenases altera a coloração, passando do incolor ao vermelho”, conta o docente Marcos Yassuo Kamogawa, também parte da equipe.

Toxicidade

No kit YTOX, o indicativo é a levedura, que em contato com a água começa a crescer até entrar em contato com um agente tóxico. Nesse caso, ocorrem modificações em seu metabolismo e a produção de desidrogenase é reduzida. De acordo com a equipe, é nesse momento que se aplica o TTC, que na presença da enzima apresenta uma coloração vermelha. “Quanto mais forte a cor, significa que a toxicidade é baixa ou nula”, explicam.

“Na presença de agentes tóxicos o metabolismo da levedura é afetado e ocorre à diminuição da desidrogenase”. Consequentemente redução na conversão de TTC a Formazam [quando o composto altera a cor], resultando em uma solução sem coloração, ou vermelha menos intensa, dependendo da toxicidade”, descreve Gomes.

De acordo com o professor Kamogawa, a levedura utilizada nos testes, conhecida como Saccharomyces cerevisiae, que é a mesma utilizada na produção de etanol, pães e bebidas em geral, é um microorganismo eucarioto, ou seja, sua organização celular e o metabolismo apresentam muitas semelhanças com os seres humanos, sendo por isso um excelente “biotestador”, de modo que os resultados podem ser avançados para os seres humanos e beneficiar cada vez mais a sociedade. Em um futuro próximo, o YTOX poderá ser um grande aliado das indústria farmacêutica, cosmética e, principalmente, alimentícia.

As alterações do cenário hídrico mundial provocam reflexões sobre o uso da água, elemento indispensável a nossa existência. Além de suprir a sede do planeta, revitalizar a natureza, gerar energia e atender demandas econômicas diversas, a água enfrenta um constante problema, a contaminação.

Todo o lixo gerado e acumulado por pessoas e indústrias, muitas vezes, é depositado em áreas próximas dos leitos dos rios e reservatórios, ou seja, a própria ação humana é responsável por danificar uma de suas principais fontes de sobrevivência. No entanto, parte da comunidade científica se preocupa com esse estado de contaminação e busca métodos de avaliar sua toxicidade, com a finalidade de proteger a saúde humana e o meio ambiente.

Caio Albuquerque / Assessoria de Comunicação da Esalq
Com colaboração de Ana Carolina Brunelli

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