Estudo da Esalq avalia tratamentos que melhoram qualidade de rosas

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Alicia Nascimento Aguiar / Assessoria de Comunicação da Esalq

Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, pesquisa avaliou o efeito de tratamentos pré e pós-colheita na qualidade de rosas de corte. O trabalho da engenheira agrônoma Gabriela Maria Geerdink procurou aumentar a qualidade e durabilidade por meio de tecnologias não tóxicas e envolvidas no controle de estresses, como a adubação com silício em pré-colheita e o controle dos efeitos do etileno em pós-colheita.

De acordo com Gabriela, os benefícios encontrados por meio do estudo a partir da aplicação de silício, são o incremento do comprimento das hastes e botões florais, que são fatores determinantes na classificação e, conseqüentemente, no aumento do valor de mercado. Por outro lado, os tratamentos pós-colheita possibilitam que as flores se desenvolvam e mantenham a sua qualidade por mais tempo, mesmo após os longos períodos de transporte e armazenamento, sendo benéfico para as floriculturas e consumidores finais.

“Os tratamentos com silício durante seis semanas proporcionaram maior massa, comprimento de haste e botão, e abertura floral”, conta a pesquisadora. “Já os tratamentos com ácido salicílico e 1-Metilciclopropeno (1-MCP) permitiram melhor abertura floral, reduziram a atividade respiratória, produção de etileno e perda de massa”.

“A manutenção da qualidade de flores de corte é extremamente importante. A falta de cuidados pós-colheita faz com que os benefícios procedentes do uso de práticas de cultivo mais modernos, que permitem o aumento da produção e da qualidade das flores, tornem-se inúteis”, diz Gabriela. As rosas pertencem à família Rosaceae e ao gênero Rosa L, apresentando mais de 200 espécies e diversas variedades, híbridos e cultivares. Podem ser arbustivas ou trepadeiras e, geralmente, apresentam acúleos (espinhos).

Vida

A qualidade e a vida pós-colheita das rosas de corte é decorrente de fatores pré e pós-colheita e de suas características genéticas, que conferem diferentes sintomas de senescência. “A senescência é considerada a fase final do desenvolvimento da planta, quando a degradação de estruturas celulares é mais rápida que a síntese, causando o envelhecimento e morte dos tecidos”, conta a pesquisadora. “Para as rosas, os principais sintomas de senescência são o murchamento e escurecimento de pétalas, curvatura do pedúnculo, abscisão e redução da coloração de pétalas e alta atividade respiratória”.

O mecanismo de abertura floral é variável para as diferentes espécies de flores e é dependente de condições ambientais como temperatura, reservas de carboidratos e hidratação das hastes florais. Após a colheita, o balanço hídrico das hastes é afetado, gerando grande perda gradual da turgescência das células, reduzindo a qualidade do produto. A pesquisadora explica que “a turgescência é necessária para o desenvolvimento e abertura de botões florais, e a vida de vaso de flores de corte está associada aos altos níveis de hidratação dos tecidos”.

A pesquisa também aponta que o Brasil possui perspectivas para ser um grande produtor e exportador de flores e plantas ornamentais, com vantagens para sua produção pela disponibilidade de áreas, microclimas, água, mão-de-obra e tecnologia. “Porém, tanto o mercado interno quanto o externo exigem flores de qualidade e com longevidade adequada. Em geral, elas são caracterizadas como produtos altamente perecíveis e, devido a isso, alguns aspectos da cadeia produtiva precisam ser melhorados”, lembra Gabriela.

Os principais estados produtores são São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Alagoas, Pernambuco, Bahia, Ceará, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. São Paulo apresenta maior volume de produção, com destaque para os municípios de Atibaia e Holambra. O projeto foi desenvolvido em uma propriedade em Holambra, e as avalições feitas no Laboratório de Fisiologia e Bioquímica Pós-Colheita da Esalq. O orientador da pesquisa realizada no programa de pós-graduação (PPG) em Fitotecnia, foi o professor Ricardo Alfredo Kluge, do Departamento de Ciências Biológicas (LCB).

Mais informações: email gabriela.geerdink@usp.br, com Gabriela Maria Geerdink 

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