Nova pós-graduação consolida o curso de têxtil e moda da EACH

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Em março deste ano, teve início na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP o curso de Pós-graduação em Têxtil e Moda. Com duração de 2 a 4 anos, o curso é estruturado em duas linhas de pesquisa: Processos e Materiais Têxteis, que abrange questões de tecnologia, gestão e inovação; e Projetos em Têxtil e Moda, que engloba design, moda, arte e, eventualmente, comunicação e até sociologia.

Segundo a professora Júlia Baruque, que coordena o programa acadêmico do projeto, o curso foi criado devido à grande necessidade de profissionais especializados, professores e pesquisadores sobre o tema. “A demanda se sente tanto em áreas de tecnologia quanto em áreas de moda”, explica.

Welton Zonatti, que também é graduado em têxtil e moda na USP, e que agora frequenta a pós-graduação da EACH, diz que o curso é um dos melhores do país devido à união entre inovação e a tradicional qualidade da Universidade. Ele acredita que a mistura de engenharia e arte “torna o curso atraente e o deixa muito amplo para os alunos, que podem optar por diferentes áreas como desenvolvimento de produto, modelagem, marketing e controle de qualidade, por exemplo”.

Para Júlia, a relevância de uma pós-graduação em têxtil e moda está no “efeito multiplicador”, pois, dessa forma, acontece a formação em alto nível de professores, pesquisadores, que podem trabalhar tanto em universidades quanto em departamentos de desenvolvimento e pesquisa das indústrias, e profissionais, que adquirem uma visão ampliada do processo têxtil.

“Hoje, o engenheiro tem que entender da parte de criação, e quem trabalha na criação tem que entender da parte de tecnologia. Se não houver esse ‘casamento’ já na base, a pessoa não é mais profissional para essa área”.

Graduação e pós

Apesar de ter começado apenas em 2011, a Pós-graduação em Têxtil e Moda foi aprovada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em novembro do ano passado. A partir de então, foi realizado um processo seletivo para formar a primeira turma, que hoje conta com o número máximo de participantes: 32 alunos. “A procura é muito grande”, afirma a professora.

No nível de graduação, o curso de têxtil e moda da EACH foi aberto em 2005, assim como a própria Escola. No começo, o curso se chamava “Tecnologia têxtil da indumentária” e tinha o perfil completamente técnico. “Nós vimos que o mercado não queria esse profissional”, conta a professora Regina Sanches, coordenadora de Graduação em Têxtil e Moda.

Por esse motivo, por volta de 2007 e 2008, houve uma mudança na grade curricular e no nome do curso. Esse fato possibilitou o convênio com universidades internacionais e aumentou o intercâmbio entre os estudantes do Brasil e de diversos outros países. “A reestruturação foi muito positiva e os alunos estão conseguindo espaço no exterior”, afirma Regina.

De acordo com ela, o novo foco trouxe, também, um diferencial para a qualificação dos estudantes. Nessa área, existem três tipos de profissionais: o engenheiro têxtil, responsável pela parte técnica, o bacharel em moda, que cuida apenas da parte de estilo, e o bacharel em têxtil e moda, formação oferecida pela USP, que consegue atuar tanto no campo da tecnologia aprofundada quanto no da criação. “É um profissional com perfil diferente”, diz a professora, acrescentando que, das três turmas já formadas, “todos os alunos estão no mercado de trabalho”.

Segundo Regina, o curso de têxtil e moda é importante não só por ser a única graduação sobre o tema na USP, mas também por ter possibilitado o intercâmbio da Universidade, que é uma referência, com diversas instituições estrangeiras. Da mesma forma, acredita que o fato de a EACH estar localizada na região de Guarulhos, que é um polo têxtil, é outro ponto interessante. “Com certeza, a região vai se desenvolver mais rapidamente”, completa.

Alunos e o mercado

Para Yasmin Baggi, aluna do oitavo semestre de têxtil e moda, a estrutura física da EACH voltada para o curso melhorou muito. “Hoje eu posso dizer que a estrutura é similar a alguns cursos de moda particulares”, diz. Ela comenta, ainda, que as atividades mais interessantes são as visitas em fábricas do setor e confecções. “Assim, a gente aprende na prática como o mercado funciona”.

Kledir Salgado foi aluno do curso de têxtil e moda na EACH, e hoje, além de trabalhar em uma consultoria sobre o assunto, dá aula em um curso técnico de moda. Para ele, a multidisciplinaridade da graduação foi decisiva para a sua função atual, que apesar de envolver mais conhecimentos de criação, também requer noções da parte técnica do desenvolvimento. “No Brasil, o curso é pioneiro, e abre mais possibilidade de trabalho”, afirma.

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