USP investe em promessas do esporte para Olimpíadas de 2016

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Marco Aurélio Martins e Larissa Teixeira

Mais do que promessas, os oito atletas selecionados para a primeira fase do projeto A USP nos Jogos Olímpicos e Jogos Paraolímpicos 2016 – Programa de Incentivo e Suporte Técnico Esportivo já são excelentes “realidades” no esporte nacional. Há desde campeões regionais, até campeões brasileiros e sul-americanos. Alguns, inclusive, chegaram bem perto de se classificar já para as Olimpíadas de Londres, cuja abertura oficial acontece nesta sexta-feira (27).
O programa se baseia em quatro pontos principais: investimento na infra-estrutura dos centros de treinamento, avaliação física dos atletas, bolsas para financiar o treinamento e capacitação da equipe técnica. A primeira fase do projeto foi lançada no dia 28 de junho, em solenidade que contou com a presença dos oito atletas e doze estagiários participantes, a comissão técnica e o reitor, João Grandino Rodas.
Serão R$ 4,2 milhões investidos diretamente nos treinamentos e mais de R$ 13 milhões para a infra-estrutura, para que a USP esteja inserida técnica, científica e pedagogicamente nos jogos do Rio. O projeto envolverá diretamente pelo menos oito faculdades, cada uma em sua especialidade, como a EEFE, EEFERP, FMUSP, EACH, FCF, FO, FSP e FO.

Confira a lista dos oitos atletas selecionados, e conheça, a seguir,  um pouco das trajetórias.

  • Ana Luiza Lopes Pallassão (FO), do remo;
  • Arthur Gola de Paula, da Escola Politécnica (Poli), remo;
  • Augusto de Paula Felipe (EACH), hockey sobre a grama;
  • Bianca Miarka (EEFE), remo;
  • Diana de Freitas Mathias (EACH), taekwondo;
  • Gabriel Campos Alves de Moraes (EEFE), remo;
  • Gabriele Matias Avelino Bonfim (EACH), natação;
  • João Augusto Hackerott,  (IAG), atleta da vela.

João Augusto – tempo bom para a vela

Neto e filho de grandes velejadores, João Augusto Hackerott não se afastou das origens, e é um dos talentos da USP a ser lapidado para a próxima edição dos Jogos Olímpicos. O mestrando em metereologia no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP começou na vela aos seis anos por influência da família, e um ano depois já começou a competir.

João disputa há três anos na classe Laser Standard (categoria olímpica para homens) e já acumula o título de campeão Sudeste que o classificou para os Jogos Sul-americanos de Praia, disputado no Equador, onde também foi campeão. A medalha de ouro nesse torneio o fez acreditar na vaga para essa Olimpíada, mas quem representará o Brasil em Londres será Bruno Fontes. O atleta uspiano venceu 4 das 10 regatas disputadas na seletiva, mas teve o sonho adiado. “Não consegui a vaga, mas o resultado foi importante para eu saber que o sonho olímpico não é impossível”, comenta.

Nesse ponto, o novo projeto da USP deverá ter papel crucial. “A USP é o lugar que passo 70% do tempo, quando não estou velejando. Todo meu treinamento fora da água é feito no Cepeusp [Centro de Práticas Esportivas da USP], com academia, aulas de ginática, alongamento e relaxamento. O programa da USP ajuda muito financeiramente também”, ressalta.

O atleta já tem seus objetivos definidos. “Pretendo nos próximos quatro anos viajar bastante para melhorar meu nível e chegar em 2016 não apenas como o melhor do Brasil, mas com chances de disputar medalha”, diz.

Um dos desafios, não só para João, mas para todos os atletas é conciliar o esporte com o estudo. “Em épocas de provas da faculdade não é possível manter o mesmo ritmo de treinos, então o esporte sai um pouco prejudicado. Mas a universidade tem longos períodos de férias e feriados que têm que ser aproveitados 100% pelo esportista para se focar nos treinos”, pondera o velejador, que conta com a compreensão dos professores para as possíveis faltas quando a competição é fora de São Paulo.

Diferentemente do que sugere o curso de metereologia, para João, a área está diretamente ligada ao esporte. Ele escolheu essa carreira ao assistir uma regata de volta ao mundo e notar que em cada barco havia algum especialista no tempo. “Se eu fosse um meteorologista e um bom velejador teria grandes chances de no futuro competir num barco destes”, projeta.

Bianca: remando para um sonho

Os títulos nacionais, sul-americanos e a participação nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara (México) no ano passado são as credenciais para Bianca Miarka, doutoranda em biomecânica pela Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP e atleta do remo, sonhar com a participação nas Olimpíadas  de 2016.
Pode-se dizer que a entrada do remo na vida de Bianca foi acidental. “Eu era da seleção de judô, mas por causa de diversas rupturas de ligamentos e lesões articulares tive que optar por um esporte menos traumático. Então, comecei a remar e deu certo!”, explica a atleta, que começou nesse esporte com 26 anos.
No entanto, o judô não saiu tão facilmente da vida de Bianca. Seu mestrado e agora o doutorado têm grande ligação com o esporte. Depois de graduada na Universidade Estadual de Londrina, ela procurou o Grupo de Estudos e Pesquisas em Lutas, Artes Marciais e Modalidades de Combate da EEFE como base para sua pós-graduação. O líder do grupo de pesquisa inclusive, professor Emerson Franchini, é o seu orientador no doutorado.
Bianca planeja a sua rotina de treinos para conseguir a vaga na próxima olímpiada. “A ideia é tentar melhorar ao máximo a parte técnica nesses primeiros dois anos e potencializar ao máximo a remada nos últimos dois anos antes dos Jogos”, prevê. Para as Olimpíadas de Londres, a vaga escapou por pouco, já que Bianca foi segunda colocada para a seletiva que garantia um posto no torneio.
Destacando que a USP é o centro de treinamento do remo em São Paulo, a atleta comemora fazer parte do projeto, que envolve diversos profissionais capazes de realizar análises biomecânicas, o que pode, segundo ela, ser um diferencial frente à outros Clubes do Brasil.

Diana, lutadora

“O taekwondo transformou a minha vida.” É assim que a atleta Diana Mathias de Freitas, estudante de Ciências da Atividade Física na USP, sintetiza a importância do esporte na sua vida.

Diana começou a praticar em 1999, quando tinha apenas 13 anos, em um projeto do governo federal que oferecia aulas com os técnicos da seleção brasileira de taekwondo. “Eu sempre gostei de artes marciais, de brincar de luta. Mas era muito tímida, e o taekwondo me ajudou muito com isso”, diz.

A aluna treinou no mesmo local por dez anos, mas começou a competir em 2007, com 22 anos. Segundo ela, a grande quantidade de viagens e os custos com transporte, alimentação e estadia, além dos materiais necessários, foram empecilhos para que ela começasse a competir profissionalmente.

Mas, quando começou a trabalhar, Diana pode investir na sua paixão. Já no ano em que competiu pela primeira vez foi campeã paulista e vice-campeã brasileira na categoria de até 53 kg. Isso motivou-a a continuar lutando, o que traria diversos títulos para a atleta nos anos seguintes.

Ao entrar na USP, em 2011, ela foi novamente campeã paulista e brasileira. E objetivo agora, diz ela, é chegar na seleção brasileira e ir para as Olimpíadas de 2016. Com o Programa de Incentivo ao Esporte Olímpico, Diana recebe o apoio que precisa para treinar e competir. “Eu estava um pouco desanimada com o taekwondo, e estudando muito. Mas esse apoio da USP, assim como o acompanhamento nutricional, serão essenciais”, afirma.

Hoje a atleta estuda à tarde, dá aulas na USP e treina todos os dias no período noturno. Além disso, ela participa de diversas competições pelo Brasil, o que é fundamental para acumular pontos no ranking nacional. Os dois melhores do ranking terão a chance de competir com os atuais representantes da seleção brasileira.

Para ela, a perseverança e a persistência são indispensáveis para quem se arrisca em algum esporte, e são exatamente essas qualidades que o atleta aprende a adquirir em sua trajetória. “O esporte transforma no sentido de você ter mais autoconfiança, acreditar em você mesmo. Você pode ser um exemplo para as pessoas, mostrar que é possível”, completa.

 

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