Farmácia organiza campanha gratuita contra diabetes e hipertensão

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Funcionária da USP há mais de 30 anos, Cleonice de Souza Henrique, a Tatá, sabe muito bem como é conviver com os males da diabetes e da hipertensão. Faz duas décadas que a auxiliar de Serviços Gerais da Superintendência de Comunicação Social (SCS) da USP se juntou à estatística de 8% de brasileiros que, de acordo com a Associação Nacional de Assistência ao Diabético (ANAD), sofrem com os sintomas silenciosos das duas enfermidades que mais acometem pessoas no planeta.

Com o objetivo de orientar e prevenir a população sobre os perigos destas doenças, a Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP lança, nos dias 2, 3 e 4 de outubro, a Campanha de Diabetes e Hipertensão. Organizada anualmente por alunos desde 1998, a iniciativa é supervisionada pelos professores Mario Hirata e Rosario Hirata, da FCF. Em sua 12ª edição, estima-se a participação de 1000 pessoas, desde funcionários e estudantes da USP, até interessados da comunidade externa.

Da onde vem?

O diabetes é uma doença em que há aumento dos níveis de glicose (açúcar) no sangue. Ocorre porque o pâncreas não produz insulina suficiente, associada ou não a uma deficiência na ação da insulina no organismo. O diabetes é classificado em tipo 1, tipo 2, diabetes gestacional e outras formas menos comuns. O tipo 2 (diabetes mellitus) é o tipo mais frequente de diabetes e é mais comum em adultos. A doença só se manifesta pelo aparecimento de vários sinais e sintomas ao mesmo tempo, como: urinar várias vezes ao dia, sede e fomes exageradas, cicatrização difícil, cansaço, entre outros. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, na comunidade geral cerca de 60% destes não sabem que sofrem da doença.

As pessoas que apresentam fatores de risco predisponentes são as mais suscetíveis a desenvolver a doença. Os do diabetes tipo 2 são história familiar (parentes em primeiro ou segundo grau que tenham diabetes tipo 2); ser idoso, apresentar obesidade e hipertensão arterial; pertencer a grupos étnicos de alto risco (afro-americanos, hispânicos, asiáticos). Os filhos de mães desnutridas, fumantes e que ingerem álcool na gravidez também apresentam grandes chances de desenvolver diabetes, devido ao maior risco a infecções bacterianas e virais.

“A pressão alta é uma
doença democrática

Já a hipertensão arterial, usualmente chamada de pressão alta, consiste em níveis elevados e sustentados de pressão arterial e é uma das doenças associadas ao diabetes tipo 2. “A pressão alta é uma doença democrática”, explica o professor Hirata, “pode ocorrer em homens ou mulheres e em qualquer faixa etária, mas é mais comum em adultos e idosos”. Além da herança familiar, estresse, ingestão de muito sal, sedentarismo e estar acima do peso aumentam os riscos de se desenvolver o problema.

“Descobri que tinha diabetes e hipertensão no mesmo dia”, revela Tatá, “na semana do casamento da minha filha”. Levada para o pronto socorro quando fraquejou depois de um mal estar, Tatá ainda se lembra da correria dos médicos e enfermeiros ao constatarem que sua pressão estava bem acima do normal. “Corri risco de derrame”, conta ao se lembrar do dia que mesclou ao mesmo tempo a felicidade pelo casamento da filha, e o receio de sofrer de uma doença problemática.

Descobri que tinha diabetes
e hipertensão no mesmo dia

Medicada e de volta a sua casa, Tatá teve que se acostumar a uma nova vida. Remédios para controlar a pressão se tornaram rotina, mas que nem sempre ela cumpre. “Sou safadinha, tomo os remédios só quando me sinto mal”, teima, ao segurar o riso. Ciente do perigo que ronda sempre que decide arriscar, ela conta com amigos e familiares para se manter alerta aos sintomas de que algo não está certo com sua saúde.

As duas são doenças difíceis, que exigem idas constantes aos médicos. Em sua última visita no mês de julho, por exemplo, Tatá foi alertada sobre sua glicemia. “Se não baixar, vamos partir para a insulina, hein?” intimidou sua médica.

Posso evitar?

De acordo com os estudantes da Farmácia Acadêmica Social (FAS),  do Centro Acadêmico e da Jornada Científica dos Acadêmicos de Farmácia e Bioquímica, entidades que coordenam a Campanha, a prevenção de ambas as doenças parte de medidas simples que envolvem essencialmente estilo de vida.

A dieta saudável e heterogênea diminui a probabilidade de desenvolver a diabetes e hipertensão no adulto jovem. A ingestão de gorduras saturadas de origem animal também deve ser evitada. Para a diabetes é indicado um controle de peso, principalmente em pacientes obesos, associado com um aumento do consumo de frutas, verduras e leguminosas, grãos integrais, leite e derivados desnatados.”O paciente também deve estar atento ao consumo de açúcar e álcool, porque ambos causam uma piora sintomática. O consumo destes produtos não é proibido, porém deve ser bastante moderado”, alertam os estudantes Camila Reigado, Danielle Ragioto, Nathália Militão, Nathália Juvenal e Lucas Justo, todos membros da FAS.

O consumo de açúcar e álcool não é proibido, porém deve ser bastante moderado.

Para Tatá a dieta não é das tarefas mais fáceis de cumprir. Consciente de que devia ter largado o açúcar faz algumas décadas, ela confessa: “é difícil”. Massas e doces são uma paixão que ela ainda cultiva, mas que é cerceada responsavelmente pelos amigos ao redor.

No caso dos hipertensos, recomenda-se o controle no consumo de sódio. O principal produto de conhecimento popular que contém sódio é o sal, mas outros produtos como temperos industrializados, sucos em pó e refrigerantes também possuem uma quantidade excessiva de sal e devem ser diminuídos na dieta. Consumo exagerado de café e cigarro também não é recomendado.

O grupo de farmacêuticos ressalta que a mudança de estilo de vida pode e deve ser adotada aos poucos na vida do paciente para que a adesão a este tipo de tratamento seja maior e perdure por mais tempo, aumentando sua qualidade de vida. Os estudantes lembram também que o governo fornece medicamentos gratuitamente, contanto que haja acompanhamento regular do paciente por médicos.

Tem cura?

“A cura é muito difícil de prever”, explica Hirata. Dentre pesquisas até então conhecidas e que tiveram algum sucesso, destaca-se a terapia celular, mas que ainda apresenta limitações. “Teoricamente se pode pensar que a terapia por células tronco indiferenciadas pode ter sucesso, no entanto ainda estamos muito aquém do que se espera.”

“As pesquisas na Universidade de São Paulo são inovadoras e existem várias equipes renomadas trabalhando nesta proposta, inclusive com criação de um núcleo de terapia celular dentro do campus de São Paulo”, revela ele.

Da teoria a prática

Aos alunos que participam do projeto, a Campanha serve como atividade de extensão em que se aplica a formação gerencial, social e de assistência direta a comunidade, permitindo aos acadêmicos de Farmácia-Bioquímica desenvolverem habilidades de organização, trabalho em equipe e espírito de liderança. “A experiência adquirida nesse processo é de grande enriquecimento para a formação profissional”, conclui o professor Mario Hirata.

Contando com patrocínio de órgãos como a Fundação Instituto Pesquisas Farmacêuticas (FIPFarma) e a Comissão de Cultura e Extensão (CCEx), entre outros colaboradores, a ação será realizada na FCF  –  Conjunto das Químicas – das 8 às 12 horas (Avenida Lineu Prestes, 580, Cidade Universitária, São Paulo).

Para mais informações ou dúvidas o email de contato é campanhadediabetes@gmail.com.

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