Pesquisa da FFLCH aponta que comportamento eleitoral de São Paulo mantém padrões

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Mariana Grazini / Agência USP de Notícias

Diante do cenário dos diversos partidos políticos existentes no estado de São Paulo, foi realizado um estudo que analisou a oscilação de votos e partidos e mostrou que, ao contrário do que geralmente se encontra, existem bases eleitorais definidas na democracia paulista. Uma pesquisa de mestrado da Faculdade de Filosofia, Línguas e Ciências Humanas (FFLCH) da USP também buscou apresentar uma visão alternativa que enxerga a mudança de voto como algo que pode ser desejável.

Sérgio Simoni Júnior, autor do estudo e formado em Ciências Sociais, baseou-se em teorias e índices de volatilidade eleitoral para analisar de que forma partidos políticos estão ancorados a bases eleitorais mais ou menos estáveis. Ao aplicar as teorias e índices nas eleições e nas características dos eleitores do estado foi possível observar que os partidos são muitas vezes sustentados por fatores que não são unicamente devido a características pessoais dos candidatos e da campanha. Esse tipo de ancoragem não é, de fato, muito forte e perene, no entanto, Simoni levanta que muito da volatilidade vem da alteração da oferta partidária e não da inconstância do eleitor. “O índice que mede a flutuação partidária [Índice de Pederson] é fortemente influenciado pelo comportamento dos partidos, mas não revela, necessariamente, um comportamento eleitoral desordenado”, completa.

Bipolaridade e Educação

Para comprovar ainda mais a certa estabilidade encontrada em padrões de votação, a pesquisa Flutuação do voto e sistema partidário: o caso de São Paulo, orientada pelo professor Fernando Limongi, constatou que o eleitor de São Paulo mantém certo padrão em suas preferências, majoritariamente voltadas e orientadas para o pólo Partido dos Trabalhadores (PT) – Partido Social Democrata Brasileiro (PSDB). Ambos os partidos conseguiram, ao longo dos anos, manter hegemonia e impedir que outros partidos ocupassem seus espaços na política.

Além disso, a dissertação foi capaz de levantar indícios sobre as bases sociais dos partidos, sobretudo no que diz respeito às ancoragens de grupos educacionais definidos. Acredita-se muito na inconstância dos votos de grupos de baixos níveis educacionais, contudo, dados do mestrado evidenciaram que não é possível afirmar que determinados grupos sociais têm sistematicamente um comportamento mais volátil que outros. Por exemplo, tanto os grupos de baixos níveis educacionais com os de alta apresentam pouca volatilidade. O primeiro grupo mantém sua preferência ao votar no PT, enquanto o segundo sustenta o PSDB.

Ao longo de disputas presidenciais e de governador entre 1994 e 2006, e de prefeito entre 1996 e 2008, o PT esteve associado às urnas de menor educação e também aumentou sua inserção nesse grupo. Já o PSDB teve uma trajetória semelhante no sentido contrário, o partido recebeu mais votos de urnas de maior educação mas esse padrão se manteve mais estável. De qualquer forma, as duas informações servem para expor que há um aprofundamento no padrão eleitoral no estado de São Paulo, mesmo em grupos de baixo níveis educacionais.

Discussões futuras

Simoni explicou que o mestrado poderá proporcionar discussões diferentes sobre a institucionalização de partidos e sobre o funcionamento da democracia brasileira. Além disso, há uma ressalva quanto à aparente desordenação do comportamento do eleitor, uma vez que são os próprios partidos que reconfiguram constantemente as opções de escolha oferecidas. Assim, o pesquisador diz ser até irrealista exigir uma identificação partidária da sociedade civil.

Apesar dos fatores apresentados, o estudo ainda demonstra a gradual estabilização do eleitorado paulista e pode servir para romper preconceitos com grupos educacionais, em destaque os de baixo nível, já que, “os eleitores têm a mesma lógica e, no final, eles querem saber quem irá representá-los melhor,” afirma Simoni.

Mais informações: email sergiojr_ssj@yahoo.com.br, com o pesquisador Sérgio Simoni Júnior

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