Pasta de dente com menos flúor pode ser mais eficaz contra cárie, mostra pesquisa da FOB

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Da Assessoria de Comunicação da Prefeitura do Campus de Bauru

Na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, pesquisa da dentista Cristiane Baldini de Almeida Cardoso comprova que um dentifrício (pasta de dente) de baixa concentração de flúor (F), com 550 partes por milhão (ppm) da substância, pode ser tão eficaz contra a cárie quanto um dentifrício convencional, que contém 1.100 partes por milhão (ppm) de flúor. A consistência líquida permite a aplicação de uma gota, reduzindo a sua quantidade na escova dental, e o pH ácido permite uma maior incorporação do flúor na placa bacteriana, favorecendo seu efeito anticárie.

“A vantagem é que este dentifrício pode ser deglutido pelas crianças numa quantidade maior do que o convencional, sem o risco de causar a fluorose dentária”, garante a dentista. “Ele é tão eficaz contra a cárie quanto o dentifrício convencional, e ao mesmo tempo é mais seguro para evitar a fluorose”. O grupo de pesquisa de flúor da FOB desenvolveu uma formulação dentifrícia líquida de baixa concentração de flúor (550 ppmF) e pH ácido (4,5) para combinar as estratégias de redução da ingestão de flúor através do dentifrício.

A pesquisa foi realizada com 315 crianças de 2 a 4 anos de idade, procedentes de 5 escolas das diversas regiões da periferia de Bauru, que tem água fluoretada, durante o ano de 2010. As crianças tinham apenas a dentição decídua (dente de leite) e utilizaram o dentifrício no período de um ano. Da mesma forma, numa parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) a aluna de doutorado Dayane Mangueira analisou 215 crianças da cidade de João Pessoa (Paraíba), que não tem água fluoretada. O resultado apontou uma progressão menor de cárie em Bauru e uma progressão mais alta em João Pessoa.

A análise da progressão ou regressão das lesões de cárie foi feita clinicamente e utilizando o método da fluorescência quantitativa (QLF), que permite a detecção precoce, quantificação e monitoramento de lesões no estágio inicial da cárie. Este fator é uma vantagem em comparação aos dados qualitativos e subjetivos obtidos pelo exame visual convencional, porque com o aparelho foi possível detectar que o dentifrício de baixa concentração de flúor (550 ppm F) e pH ácido (4,5) é tão eficaz na prevenção do aparecimento de novas lesões e regressão de lesões cariosas pré-existentes, quanto o dentifrício convencional (1.100 ppm F e pH 7,0). Além disso, estes dois dentifrícios tiveram uma performance melhor do que o dentifrício de baixa concentração de flúor (550 ppm F) e pH neutro (7.0).

Gel dental

O dentifrício utilizado na pesquisa denomina-se “gel dental escovinha” e foi desenvolvido na FOB, durante a tese de doutoramento do aluno Fabiano Vieira Vilhena, sob orientação da professora Marília Afonso Rabelo Buzalaf. O produto foi patenteado por intermédio da Agência USP de Inovação e foi o vencedor da primeira edição da Olimpíada USP de Inovação, superando mais de 600 tecnologias de todas as áreas do conhecimento. Hoje, Vilhena é proprietário da empresa Oralls Saúde Bucal Coletiva, localizada em São José dos Campos (SP), que adquiriu da USP a licença para comercializar o produto.

O gel dental já foi distribuído em diversas Prefeituras Municipais do Brasil e dentro de pouco tempo deverá ser colocado à venda ao consumidor em duas embalagens: 100 gramas (g) ao preço de R$ 2,90 a R$3,00 e 50 g ao preço de R$ 2,00. A compra poderá ser feita diretamente na empresa Oralls. O produto já foi utilizado por 10 mil pessoas, entre crianças e seus familiares e resultou em cinco estudos clínicos de pesquisa.

A fluorose dentária, que só acontece em criança, se manifesta como um defeito de desenvolvimento do dente, quando se tem uma ingestão excessiva de fluoreto no momento em que o dente está sendo formado, no caso da dentição permanente é de 1 ano até 7 anos de idade. Este defeito é caracterizado nos casos mais suaves por manchas esbranquiçadas opacas, e nos casos mais severos por manchas amarronzadas e até mesmo com perda de substância do esmalte, porque ele fica muito quebradiço e pode fraturar.

A pesquisa desenvolvida no Laboratório de Bioquímica da FOB recebeu o Prêmio Colgate de Pesquisa em Prevenção durante a 90ª edição do Congresso da Associação Internacional de Pesquisa Odontológica (IADR), realizado em junho de 2012, em Foz do Iguaçu (Paraná). O trabalho Efeito do pH e da concentração de flúor presente em dentifrícios líquidos no controle de cárie em área fluoretada: estudo clínico randomizado foi desenvolvido por Cristiane, doutoranda em Biologia Oral no Programa de Pós-Graduação da FOB, com orientação da professora Marília Afonso Rabelo Buzalaf. O prêmio selecionou os melhores trabalhos científicos em prevenção, apresentados por pesquisadores da Américas do Norte e Latina, Europa, África, Oriente Médio e Ásia.

Mais informações: (14) 3235-8385

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