Feira na Poli mostra criatividade da nova geração em busca de soluções

A feira é realizada anualmente Poli com o intuito de estimular nos jovens o gosto pela ciência, criatividade e inovação.

Soluções simples e viáveis para os problemas do cotidiano. Esse é um dos principais objetivos da Febrace 2013 (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia) que reúne protótipos feitos por alunos do ensino médio e fundamental. Entre as grandes inovações desse ano podemos citar um copo biodegradável comestível, um tijolo sustentável, um protótipo que auxilia o movimento de pacientes que sofrem de Mal de Parkinson e até mesmo um tênis que é capaz de gerar energia a partir do movimento.

A feira, que está em sua décima-primeira edição, é realizada anualmente nas dependências da Escola Politécnica (Poli) com o intuito de estimular nos jovens o gosto pela ciência, criatividade e inovação. Os 330 projetos expostos são de alunos de todo o País. Eles competem em sete áreas de interesse (Exatas e da Terra, Biológicas, Agrárias, Saúde, Sociais, Humanas e Engenharia) e concorrem a vários prêmios, entre eles a participação na Feira Internacional de Ciências e Engenharia da Intel (Intel ISEF), que acontece em maio, no Arizona (EUA).

Para avaliar os projetos são levados em consideração 12 critérios (atitude científica, habilidades, criatividade e inovação, profundidade, aplicação do método científico, relatório, diário de bordo, pôster, apresentação oral, empreendedorismo, relevância social e trabalho em grupo). Segundo Irene K. Ficheman, responsável pelo núcleo dos avaliadores, o aluno aprende mais quando se interessa pelo tema. “Nós acreditamos que, quando o aluno escolhe um tema e pesquisa sobre esse tema, ele se apropria disso. Ele aprende mais, ele aprende a fazer relatórios, a procurar bibliografia, a investigar. E isso o tornar mais preparado para o ensino superior”, afirma Irene.

Para Roseli de Deus Lopes, coordenadora da feira e professora da Poli, a Febrace representa a consolidação de um trabalho, mas ainda deve se expandir para atingir mais professores e alunos. “Um dos pontos altos da feira é mostrar que há grandes talentos advindos de todo Brasil”, afirma a coordenadora.

De olho na sustentabilidade

Embora haja muitas áreas de pesquisa, alguns temas acabam sendo mais recorrentes entre os projetos, e a busca por iniciativas sustentáveis tem sido uma grande aposta dos expositores. Os jovens pernambucanos Willians Francisco da Rocha e Anna Rebeca Fonseca Seabra,  desenvolveram uma solução para o cenário degradante de excesso de lixo que os vendedores ambulantes de cana-de-açúcar deixavam no chão. A equipe conseguiu fazer um tijolo utilizando o bagaço da cana que era descartado. Testes realizados mostraram que o tijolo sustentável possui a mesma resistência a compressão, umidade e calor que o tijolo convencional, mas com o benefício de ser mais barato.

Outra equipe que foi capaz de transformar um problema em uma saída ecológica foi a dos gaúchos Tainá de Vargas, Érico de Oliveira e Lisiane Oestraich. Observando o grande desperdício de copos descartáveis em sua escola os jovens criaram um copo biodegradável comestível. “O projeto é uma saída viável para a problemática do descarte de copos descartáveis e a gente pretende dar continuidade para que possa resultar em uma possível comercialização”, revela a estudante Tainá de Vargas.

Energia é a gente quem faz

Inspirados pelo movimento da ONU, ano passado, que realizou o Ano Internacional da Energia Sustentável, um grupo de amigos do Rio Grande do Sul resolveu criar um método viável de fabricação de energia.

“A ideia era achar uma forma barata que pudesse gerar eletricidade”, conta Leomar Radke. O projeto dos meninos consiste, basicamente, em utilizar tênis para comprimir cristais e com isso gerar um diferencial de potencial elétrico, ou seja, energia. O protótipo tem um custo barato, já que pode ser implantado em qualquer par de tênis. O custo real dos cristais não ultrapassa o valor de R$ 3,00.

O tênis foi bem sucedido e teve um pico de 10V produzidos. O problema a ser solucionado agora consiste em como armazenar a energia. Mas os próprios cientistas mirins reconhecem seu feito como uma solução viável para o problema de energia, e consideram que utilizar os cristais comprimidos em locais de fluxo intenso – seja de automóveis ou de pessoas – é uma forma de reduzir os custos em energia.

Facilitando a vida

Os mineiros Guilherme Ribeiro, Eduardo Padinha e Alisson Augusto desenvolveram um protótipo que busca auxiliar na locomoção de pacientes que sofrem com o Mal de Parkinson. A ideia surgiu de uma pesquisa feita com uma fisioterapeuta, quando se pôde notar que os pacientes de idade avançada e com Parkinson apresentavam sérias dificuldades para andar. O mecanismo indica onde o paciente deve pisar com lasers e tem um custo médio de R$ 60,00.

Ainda no quesito de promover facilidades para o cotidiano, um grupo de amigos cariocas cansados de ouvirem queixas – e se queixarem –  sobre objetos perdidos, elaboraram um dispositivo que emite um sinal quando supera certa distância máxima permitida, indicando onde está o objeto perdido. O projeto, que ficou conhecido como Carteira Antiperda, funciona com dois dispositivos, um transmissor e um receptor de sinais.

Música, brincadeira ‘séria’

O baiano Arismário Araújo Júnior sempre gostou muito de tocar guitarra, e movido por seu interesse resolveu dar aulas para crianças. Contudo, um problema era frequente nas aulas: a dificuldade de coordenação motora.

Decidido a  ensinar música para às crianças a qualquer preço, o baiano desenvolveu uma guitarra com materiais recicláveis e com conexão USB que simula os movimentos dos acordes e da rítmica com o auxílio de um jogo na Internet. O protótipo que fez sucesso entre as crianças e ajudou a popularizar o instrumento pode ser utilizado tanto em computadores quando em videogames. Apesar de reconhecer seu protótipo como pioneiro, já que há não registros de nenhuma guitarra feita de materiais reciclados anteriormente, Arismário não possui metas maiores por enquanto. “Eu pretendo apresentar meu trabalho e conhecer os outros projetos que estão expostos. Não tenho grandes expectativas porque essa é a minha primeira vez na feira”, comenta.

Serviço

A Febrace fica aberta, gratuitamente, a todo o público interessado entre os dias 12 e 14 de março, das 9 às 12 horas e das 14 às 19 horas. O local é o estacionamento da Poli, na Av. Professor Luciano Gualberto, travessa 3, número 380, Cidade Universitária, São Paulo.

Mais informações pelo site da Febrace.

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