Plástico integrado à prata nanométrica tem ação bactericida

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Mariana Melo / Agência USP de Notícias

A integração de um polímero termoplástico com nanopartículas de prata garante efeito bactericida para recipientes que podem ser utilizados para conservar alimentos, soluções fisiológicas, produtos farmacêuticos e cosméticos, dentre outros. O processo de produção industrial foi desenvolvido no Laboratório de Química Supramolecular e Nanotecnologia do Instituto de Química (IQ) da USP por Sérgio Hiroshi Toma e pelo professor Koiti Araki.

Esses materiais poliméricos, segundo o professor, “também podem ser incorporados em materiais plásticos utilizados na fabricação de produtos tais como eletrodomésticos, eletroeletrônicos, tecidos e materiais hospitalares, tornando-os resistentes à contaminação por bactérias patogênicas.”

O processo desenvolvido no IQ se caracteriza pelo fato de as nanopartículas serem preparadas diretamente na forma de concentrados denominados “masterbatches”. Nesse processo, o material nanométrico é acrescentado à matriz polimérica nas máquinas injetoras, onde o plástico é fundido para ser introduzido nos moldes, gerando os produtos acabados.

Na produção de 1 quilo (kg) de resina, são necessárias cerca de 30 partes por milhão (ppm) de prata nanométrica para garantir a ação bactericida, que ocorre por contato, e não pelo desprendimento de íons prata para o meio. “Dessa forma, evita-se qualquer ação tóxica aos usuários dos produtos baseados nos nanocompósitos termoplásticos, que apresentam cor amarelada” diz o professor.

Outras aplicações
A nanotecnologia, segundo Araki, pode ser aplicada em temáticas de vários interesses, como produção de materiais, compósitos e dispositivos. “O interessante nos nanomateriais decorre das novas propriedades físico-químicas, além de novas possibilidades de manipulação, processamento e combinação de materiais gerando aplicações com propriedades ou funcionalidades inéditas, bem como pela maior dispersabilidade / atividade, possibilitando o uso de menores quantidades para se obter as propriedades desejadas.”

Para exemplificar, Araki cita a magnetita que, quando em tamanho nanométrico, pode ser dispersada em água ou em óleo, fazendo com que a solução apresente propriedades magnéticas e seja atraída por imãs. “Neste caso, as nanopartículas interagem fortemente e conferem suas propriedades magnéticas ao líquido, transformando-o em fluído magnético. Analogamente, as propriedades bactericidas das nanopartículas de prata podem ser incorporadas em polímeros quando são homogeneamente dispersas naqueles materiais.”

A prata tem efeito bactericida porque prejudica a atividade celular de microrganismos. Araki cita a armazenagem de água em regiões remotas ou com pouco acesso a saneamento básico. “O armazenamento da água em recipientes fabricados com este plástico pode não apenas conservar, mas melhorar a qualidade da água, diminuindo o número ou eliminando as bactérias causadoras de doenças.” O professor diz que, em testes realizados em laboratórios especializados, uma hora de contato com o material provocou a morte de 90% das bactérias de uma solução. O pedido de patente deste plástico já foi depositado e a tecnologia encontra-se disponível para licenciamento aos interessados na Agência USP de Inovação.

Mais informações: (11) 3091-8513

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