População idosa cresce, e especialistas vêm à USP debater o envelhecimento

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Bruna Pellegrini / especial para o USP Online

Estudo do Banco Mundial aponta que, em 40 anos, a população idosa brasileira será proporcionalmente maior que a atual do Japão, país mais envelhecido hoje. Atentos para a nova face do Brasil, pesquisadores das áreas de Enfermagem, Odontologia, Educação Física e Medicina Esportiva da USP se juntaram para debater o assunto com renomados especialistas internacionais na Conferência USP sobre Envelhecimento, que acontece na quinta  (1) e sexta-feira (2) na Cidade Universitária.

Envelhecer bem

Os idosos no Brasil já somam mais de 14 milhões de pessoas, de acordo com o último censo. Para uma das organizadoras da Conferência, a professora Isabel Mendes, esse fato merece atenção especialmente dos profissionais de saúde. “Na conferência, vamos debater o tema de forma interdisciplinar, para que possamos atender melhor essa população idosa. Afinal, não adianta viver muito sem qualidade de vida” argumenta a docente da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP.

Uma das principais preocupações neste aspecto é a prevenção de quedas, tema que será extensamente debatido na Conferência. “Evitar a queda pressupõe, no mínimo, boa alimentação, infraestrutura adequada para as limitações dessa população mais velha e bom condicionamento físico”, esclarece Isabel, que convocou colegas internacionais para contar suas experiências sobre o problema.

Outra organizadora do evento, a professora Patrícia Brum, da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, enfatiza a importância do diálogo entre os profissionais de diferentes áreas. “Meus colegas da odontologia ressaltam a influência da dentição na alimentação do idoso. Alimentação influencia na síntese de proteínas, que se reflete na perda ou não de massa muscular. E a eventual diminuição da massa muscular proporciona maior vulnerabilidade para quedas, que, no limite, diminuem a qualidade e a expectativa de vida”.

Atividade x fragilidade

As atividades da Conferência USP estão divididas em dois dias. No primeiro, o tema é o envelhecimento ativo: a manutenção ou promoção de ações feitas pelos idosos para que sua expectativa de vida seja prolongada com qualidade.

Nesse quesito, atividades física e mental são de extremas importância.  “A Organização Mundial de Saúde recomenda investimento maciço nas atividades voltadas ao envelhecimento ativo saudável”, lembra Isabel, enquanto Patrícia complementa:

“O que buscamos nesse primeiro dia da Conferência é tomar conhecimento das melhores alternativas para que o idoso preserve ou adquira independência.”

No segundo dia, o tema é a fragilidade: como prevenir o enfraquecimento dos idosos e como reverter quadros de debilidade senil, tanto no campo físico como mental. Aqui a atenção está voltada para ações de saúde pública pela prevenção de quedas, a importância dos exercícios físicos e os cuidados com envelhecimento ósseo, esquelético, e em particular o odontológico.

Como parte da programação da Conferência sobre envelhecimento, Patrícia e sua equipe promoveram, no fim de outubro e início de novembro, atividades em escolas do ensino médio e fundamental, a fim de que os jovens se informassem sobre o tema e fizessem testes sobre o equilíbrio corporal. Para a docente,

“O tema do envelhecimento deve ser cada vez mais debatido não só por especialistas, mas por toda a sociedade.”

“E nada melhor do que subsidiar a população mais nova, nosso futuros pesquisadores e idosos, com oficinas que incentivem a pesquisa” – completa.

A programação pode ser conferida na íntegra neste link.

Idosos e a USP

Para além da preocupação com políticas públicas que beneficiem população idosa e soluções de sucesso internacionais, a USP já atua por diferentes formas em atividades de extensão voltadas à população idosa.

O projeto Envelhecer Sorrindo, por exemplo, tem como objetivo subsidiar melhorias odontológicas ao pacientes, e informar a população idosa sobre o processo de envelhecimento. O projeto surgiu vinculado à Faculdade de Odontologia (FO) da USP, com o apoio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária, e se tornou uma OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público.

O programa Universidade Aberta à Terceira Idade, que existe há 17 anos, também busca proporcionar maior qualidade de vida ao idoso, permitindo a sua convivência com jovens de diferentes cursos de graduação e o aprendizado permanente, estimulando um envelhecimento saudável e ativo.

Serviço

A Conferência USP sobre Envelhecimento é organizada pela Pró-Reitoria de Pesquisa e acontece nos dias 1º e 2 de dezembro no Auditório da FAU. O endereço é Rua do Lago, 876, Cidade Universitária, São Paulo.

As inscrições presenciais estão encerradas, mas o evento pode ser acompanhado pela internet. Inscrições para transmissão por IPTV no site www.inovacao.usp.br/uspconferencias/envelhecimento.

Mais informações podem ser obtidas no site ou por email envelhecimento@usp.br
ou pelo telefone (11) 3091-2247.

Conheça as demais Conferências USP no site www.inovacao.usp.br/uspconferencias.

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