Revista USP comemora centésima edição com dossiê sobre educação

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Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Da edição número 1, sobre o bicentenário da Revolução Francesa, até a centésima publicação, que trata de educação, foram anos de mudanças, tanto na própria Universidade como no projeto da Revista USP que, neste ano, comemora 25 anos.

Mesmo que tenham sido necessárias três tentativas até entrar em vigor o modelo proposto e idealizado em 1988 pelo então reitor José Goldemberg, a revista se mantém fiel ao seu projeto editorial, cujo objetivo, desde o início, era o de ser porta para escoamento da produção da instituição –  visando tanto leitores leigos quanto especialistas. Entre outras seções, figura sempre um dossiê monotemático sobre assunto em destaque na atualidade.

Tempos heroicos

Segundo Francisco Costa, editor-chefe da Revista, a primeira tentativa de estruturar esse modelo de revista foi em 1950, quando foi criada a Revista da Universidade de São Paulo, que teve somente um número. A ideia foi retomada em 1986, e seguiu trimestralmente até 1988, com seis edições, quando suas atividades foram encerradas. Foi somente no ano seguinte que o projeto foi ressurgiu com o nome de Revista USP.

“A Revista enfrentou tempos heroicos de consolidação (basicamente seus cinco primeiros anos), quando ainda era uma espécie de ‘primo pobre’ do Jornal da USP”, conta Costa. Na época, a produção era um tipo de apêndice do Jornal da USP até o final da década de 1990, quando a equipe conseguiu instalação própria com equipamentos adequados, como computadores.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Atualmente a equipe da revista é composta por cinco pessoas. Quadro bem diferente da época em que foi criada, quando trabalhavam somente duas pessoas: o editor-chefe e o editor-executivo. “Antes a gente tinha que se virar com máquina de escrever”, lembra o editor-chefe. “Até o Macintosh que a gente usava para diagramar a revista, por exemplo, não era nosso, era do Jornal. Era tudo muito precário, e só depois dessas mudanças efetivas começamos a ser um time de verdade, as coisas começaram a andar.”

Matéria de capa

A Revista é divida por seções, tendo como matéria de capa o chamado dossiê. Cada número trata de um tema específico de uma determinada área do saber. Tais dossiês já abordaram os mais diversos assuntos: redes sociais, humor na mídia, computação em nuvem e até mesmo duas edições sobre futebol. Não há assunto que a Revista dispense.

Os conteúdos publicados são de produção de professores e pesquisadores, membros do Conselho Editorial do projeto e outros autores. O Conselho é composto por dez conselheiros nomeados pelo reitor da USP, e mais um conselheiro que é o superintendente de Comunicação Social da USP.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Além do dossiê, a revista também conta com uma seleção de textos com uma miscelânea dos conhecimentos universitários, onde entram artigos de todas as áreas: de física a religião, história, literatura. Por fim, há uma seção de arte e um espaço para resenhas de livros.

“A revista sofreu uma grande mudança conforme o tempo foi passando”, relembra Francisco Costa. Até os 14 primeiros números, conta, o projeto de capa era inspirado no trabalho do artista plástico cubista geométrico Piet Mondrian. Na edição seguinte, os editores de arte resolveram inovar e adotaram o figurativismo. “O projeto gráfico se aperfeiçoou desde seu primeiro número – e ainda há de melhorar, porque projeto gráfico é algo que nunca está completo”.

De olho no futuro, a revista pretende se modernizar, estando mais presente nas redes sociais. Atualmente a Revista está apenas no Facebook e, para o editor, isso é algo que tem que mudar. “As redes sociais fazem parte do nosso dia a dia e precisamos urgentemente cuidar disso”, diz – e completa: “se nós conseguirmos equacionar melhor essa linguagem e a relação entre linguagem e imagem, nós vamos conseguir uma revista melhor”.

Edição comemorativa: educação

Para marcar uma data importante, o tema não poderia ser “menor”. Esta edição foi destinada ao grave déficit que envole o sistema educacional brasileiro. Segundo o professor e membro do Conselho Editorial, Paulo Nathanael, trata-se de uma crise que nada tem de passageira ou circunstancial. “O que se pretende [nesta edição] é dar a leigos interessados e profissionais do setor uma ampla visão das dificuldades com que luta o ensino brasileiro para atualizar-se, modernizar-se e qualificar-se, no seu papel de alavanca indispensável dos meios que assegurem a prosperidade na nação”, explica.

Nas 170 páginas são expostas análises sobre a extensão e a gravidade da crise que avança sobre a educação, da pré-escola ao ensino médio, sobre o conceito de alfabetização, formação de professores para a educação básica e sobre assuntos que dividem opiniões, como a prática do ensino a distância (EAD) no país.

De carona em outra problemática, a da saúde pública, um dos artigos esmiúça o ensino médico no Brasil, seus defeitos e virtudes, e a tão discutida questão da falta de médicos e má distribuição desses profissionais.

Serviço

A Revista USP pode ser encontrada em São Paulo nas livrarias da Edusp, Livraria da Vila e Cultura. No Rio de Janeiro,  na Livraria Travessa. Para demais cidades e países, ou para quem preferir, podem ser solicitadas assinaturas ou exemplares avulsos via correio. Números esgotados são disponibilizados online.

Mais informações: (11) 3091-4403, email revisusp@edu.usp.br

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