Escola de Ecologia da USP busca fomentar pesquisa na área

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Discussões sobre a preservação dos recursos naturais e o impacto das atividades humanas sobre o meio ambiente são frequentes nos noticiários e estão em pauta nos debates que envolvem a gestão pública. A despeito deste cenário, o interesse acadêmico na área ainda é considerado abaixo do esperado – são poucos os que procuram a formação em nível de pós-graduação envolvendo os estudos da ecologia.

A iniciativa da EcoEscola surge, assim, buscando atrair a atenção da universidade para a pesquisa na área, que envolve desde estudos de conservação de ecossistemas, dinâmica de populações, desequilíbrios ecológicos, evolução, entre outros que envolvem a interação dos seres vivos com o ambiente . Trata-se de um curso intensivo de três semanas voltado para alunos no final da graduação ou recém-formados com interesse em aprofundar seus conhecimentos em ecologia  e desenvolver projetos e pesquisas nessa área. A primeira Escola de Ecologia da USP começa no mês de julho, com a ideia de se tornar um evento anual.

A proposta de criação do curso surgiu dos alunos do Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PPGE) do Instituto de Biociências (IB) da USP, com apoio do Departamento de Ecologia e a supervisão da professora Daniela Scarpa. O modelo já era usado em outros cursos do IB, como a Zoologia e a Fisiologia, que oferecem este tipo de atividade de difusão a pessoas externas à Universidade. Entretanto, segundo a organizadora do curso Melina Melito, a pós-graduação em ecologia não atraía muitos alunos de dentro da USP.

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O objetivo inicial da EcoEscola era divulgar para a comunidade USP as pesquisas desenvolvidas pelos docentes e discentes da ecologia. O planejamento do projeto exigiu uma busca pelas universidades do país que os levou a identificar uma grande carência deste tipo de curso na área da ecologia.

O curso de difusão visa fornecer aos participantes os tópicos atuais em ecologia e as linhas de pesquisa que vem sendo desenvolvidas no PPGE. Além disso, visa capacitar os alunos a planejarem e executarem um projeto de pesquisa seguindo o método científico hipotético-dedutivo.

Forma e método

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Foto: Divulgação

O curso será dividido em dois módulos que acontecerão durante três semanas. No primeiro módulo, que acontece entre os dias 15 e 19 de julho, os participantes assistirão a palestras sobre temas relacionados à ecologia de populações, comunidades, evolução e conservação da biodiversidade.

O principal diferencial da EcoEscola está no módulo II, ministrado de 21 de julho a 1 de agosto, no qual os alunos desenvolverão seus projetos de pesquisa na reserva da Cidade Universitária ou através de simulações utilizando modelos computacionais.

Para o desenvolvimento do projeto, os participantes terão aulas sobre o que é o método científico e como aplicá-lo. Também serão introduzidos a tópicos de argumentação científica, técnicas de permutação para análise de dados e dicas de como divulgar os resultados de uma pesquisa. A ideia geral do módulo II é proporcionar aos participantes a noção de como se fazer pesquisa, que vai do delineamento amostral até a divulgação dos resultados.

Os projetos serão executados em grupos compostos a partir das vivências, proporcionando uma experiência enriquecedora através da interação entre pessoas com formações distintas. Por isso, entre os critérios de seleção dos alunos da EcoEscola, está a destinação de uma vaga para pessoas de áreas afins para cada três três vagas destinadas a participantes com formação em Ciências Biológicas.

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Foto: Divulgação

O método abordado no segundo módulo será adaptado dos moldes dos principais cursos de campo em ecologia do Brasil, como o de campo da Mata Atlântica e o de Ecologia da Floresta Amazônica. Este é o único curso de ecologia para não pós-graduandos neste formato no Brasil.

“O pensamento científico é um conhecimento construído ao longo do tempo através do acúmulo de experiências. Percebemos que a grande maioria das pessoas finaliza a graduação ainda com grandes deficiências em planejar adequadamente um projeto científico.”, disse Melina. A organização espera, com a EcoEscola, contribuir com a capacitação dos participantes no método científico que é deficiente durante a graduação.

Inscrições

As inscrições para o curso acontecem até 18 de abril por meio do site da EcoEscola. As aulas acontecerão entre 15 de julho a 1 de agosto no campus da USP da capital. Mais informações pelo email ecoescola@ib.usp.br.

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