Livro de professora do IF explica física a partir do futebol

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“Futebol e física são inseparáveis”, crava logo em seu início o livro Física do Futebol (Oficina de Textos, 144 p., R$ 55,00), de autoria do professor Marcos Duarte, da Universidade Federal do ABC e da professora Emico Okuno, do Instituto de Física (IF) da USP. Se por um lado a obra dá uma aplicação cotidiana à matéria, por outro, mostra uma face do esporte que não ganha destaque normalmente.

O livro é um paradidático voltado ao público do ensino médio, e busca ensinar física justamente àqueles que não veem a matéria como algo atrativo. “A ideia é tentar ensinar física às pessoas que não gostam de física, mas adoram futebol”, diz a professora Emico. Para isso, a escrita se dá de modo leve e divertido, utilizando o pano de fundo do esporte que é paixão nacional. “É um livro tranquilo, que pode ser lido por diversão na cama, à noite”, conta.

Os professores realizaram análises físicas de diversos momentos de uma partida de futebol, como a corrida de jogadores, as trombadas entre eles, a deformação da bola no momento do chute e as curvas que elas fazem no momento das batidas. São utilizados exemplos concretos, como o famoso gol de falta de Roberto Carlos em 1997, em partida contra a França. “Todo mundo quer entender um pouco melhor o futebol e a física”, conta. Além disso, estão presentes explicações acerca de outros fatos presentes no futebol, mas menos comuns, como partidas disputadas na altitude “Os jogadores dizem que a bola fica mais leve, mas a verdade é que o ar está rarefeito”, corrige a professora.

Pelota, gorduchinha, redonda, jabulani

A obra também inclui uma seção explicando as regras do futebol, e aponta as dimensões do gramado, tamanho de traves e peso das bolas oficiais, além da indicação do posicionamento dos jogadores no gramado através de coordenadas cartesianas.

A seção de curiosidades do livro é extensa e traz, entre elas, a bola desenvolvida por alunos da Universidade de Harvard que capta energia durante a partida e pode ser utilizada para recarregar baterias após o jogo; ou estádios de futebol que se utilizam de painéis solares para absorver energia, que posteriormente será utilizada durante uma exibição no estádio. Este último fato ocorrerá no Maracanã, após a reforma visando a Copa do Mundo de 2014. A energia também poderá servir para outros fins: “caso não seja toda utilizada, o estádio pode cedê-la para a cidade”, diz a professora.

A publicação apresenta ainda explicações sobre a evolução das bolas de futebol ao longo do tempo, com as modificações dos materiais e o número de gomos utilizados em cada uma, e uma galeria de fotos das bolas utilizadas nas Copas do Mundo. Além disso, o livro mescla biografias de futebolistas em comparação com a de físicos famosos.

Para que todos os dados pudessem ser coletados, foi necessário um processo de sete anos e , durante esse período, Emi e Duarte catalogaram diversas informações já presentes na literatura técnica acerca da física no futebol. Por conta da prévia existência destes dados teóricos em outras obras publicadas, não foram necessários testes práticos na elaboração do livro.

Serviço

O lançamento de Física do Futebol ocorrerá na quinta-feira (1º), às 18 horas, no Museu do Futebol, na Praça Charles Miller, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, e contará com sessão de autógrafos e convidados especiais. O evento será aberto ao público.

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