Ciclo na USP discute ciência e inovação no Brasil

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Do Jornal da USP

A ciência brasileira não se interessa por inovação e patentes? A ciência brasileira está somente interessada em produção científica e publicação de artigos científicos? Os pesquisadores brasileiros deveriam se dedicar mais à produção de patentes e menos nas publicações?

Com esses e outros questionamentos, o professor Glaucius Oliva, presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), abriu sua exposição no terceiro encontro do ciclo A USP e a Sociedade, realizado no dia 17 passado, na sala do Conselho Universitário, que teve como tema “Inovação científica”.

Coordenado pelo professor Luiz Nunes de Oliveira, o encontro, além de Oliva, teve a participação também dos professores Glauco Antonio Truzzi Arbix, presidente da Finep, e Hernan Chaimovich, coordenador adjunto de Programas Especiais e Coordenador dos Cepids da Fapesp. Estavam presentes também o reitor da USP, Marco Antonio Zago, e o presidente da Comissão Coordenadora das Comemorações dos 80 Anos da USP, professor José Goldemberg.

O próprio Glaucius Oliva respondeu àqueles questionamentos citando dados que apontam os grandes avanços da ciência brasileira. “Temos 45 mil grupos de pesquisa, 2,7% das publicações, formamos 45 mil mestres, mais de 25 mil doutores, as matrículas nos cursos de graduação obtiveram crescimento extraordinário nos últimos dez anos em função das várias políticas educacionais. O número de docentes em dez anos saltou de 35 mil para 85 mil professores com doutorado em universidades públicas em tempo integral. Estamos com 5.700 programas de pós-graduação (mestrado, doutorado e mestrado profissional). As instâncias governamentais aumentaram seus orçamentos, como o CNPq, com R$ 3,7 bilhões por ano, a Capes, com R$ 6 bilhões por ano, e a Fapesp, com R$ 1 bilhão por ano.” Para Oliva, esses são fatos da ciência brasileira que mostram que ela está cumprindo o seu papel ao criar um sistema nacional de ciência e tecnologia.

Em sua exposição, o presidente da Finep, Glauco Arbix, também destacou o enorme avanço da ciência e tecnologia no Brasil nos últimos 20 anos. “Temos hoje uma comunidade científica mais forte e grupos empresariais mais dinâmicos, mesmo com todas as dificuldades encontradas”, disse, lembrando que 22 Estados da federação já aprovaram leis de inovação. “São cerca de 7 mil empresas brasileiras que desenvolvem ciência, tecnologia e inovação, e 2 mil que desenvolvem estratégias de crescimento”, analisou.

Mesmo avaliando bem a performance brasileira em ciência, tecnologia e inovação, o presidente da Finep destacou a importância de se criar uma série de mecanismos legais para uso de verbas sobressalentes em instituições públicas, como a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), que tem R$ 2 bilhões para investimentos na área de pesquisa em petróleo; a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com R$ 600 milhões não reembolsáveis, que podem ser utilizados para a pesquisa básica, e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), com R$ 3 bilhões por ano em recursos não utilizados, que acabam caindo na vala comum do tesouro nacional.

Segundo Arbix, para o Brasil se aproximar dos países avançados no investimento em ciência, tecnologia e inovação, é preciso crescer 5% ao ano. Em dez anos, o investimento público deve saltar dos atuais R$ 27 bilhões para R$ 50 bilhões. “É necessário acelerar para diminuir a distância que separa a nossa CT&I da fronteira do conhecimento.”

O terceiro palestrante do encontro, professor Hernan Chaimovich, referiu-se à imensa contribuição da USP para a ciência e a tecnologia no Brasil em seus 80 anos de atividades.

Ele citou o mais recente ranking da editora norte-americana US and World Report. Esse ranking mostra que a USP é a melhor universidade da América Latina, alcançando a quinta posição no mundo em ciências agrícolas, a 65ª posição em biologia e a 58ª em química. “Quero mostrar com esses indicadores que esta universidade, neste continente, está disparadamente na frente de todas as universidades.”

Ele lembrou ainda a USP continua produzindo 25% de toda a produção científica de todo o Brasil. “Não há ciência no País sem a USP.” O mais importante no momento, para Chaimovich, é a Universidade recuperar sua imagem positiva diante da sociedade, já que a mídia comercial tende a destacar diariamente apenas assuntos negativos sobre sua atuação. “Como recuperar essa imagem e fazer com que a sociedade paulista nos veja com uma visão mais altruísta, depois de termos colaborado com mudanças na agricultura, na engenharia, na aeronáutica, na saúde e na educação, entre outras áreas, e investido em inovação e na formação de milhares de doutores?”

Mais informações sobre este evento na próxima edição do Jornal da USP, que circulará a partir do dia 24 de novembro

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