FOB desenvolve protótipo ergonômico de maca infantil multifuncional

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Valéria Dias / Agência USP de Notícias

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Foto: Divulgação

Um protótipo de uma maca infantil multifuncional para atendimento odontológico, médico e hospitalar exclusivo para bebês e crianças de até cinco anos de idade foi desenvolvido na disciplina de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP. “Com design totalmente ergonômico e repleta de componentes lúdicos, o projeto contempla tanto a condição postural dos profissionais de saúde (odontontopediatras, pediatras), como também contribui significativamente para a melhoria da qualidade de vida e humanização dos usuários destes sistemas, durante o atendimento”, informa a autora do projeto, a designer e professora universitária Susy Nazaré Silva Ribeiro Amantini. O projeto é inédito e está em processo de obtenção da patente.

A pesquisa está descrita na tese de doutorado Desenvolvimento da maca infantil multifuncional para atendimento odonto-médico-hospitalar de bebês e pré-escolares, defendida por Susy em fevereiro de 2014 na FOB, sob a orientação da docente Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, professora titular da Odontopediatria e atual diretora da FOB.

De acordo com a pesquisadora, uma opção que existe no mercado atualmente, utilizada para o atendimento de crianças nesta faixa etária, é uma espécie de cadeira para ser adaptada em cima das macas comuns. “A maca utilizada na clínica de bebês na FOB é destinada ao atendimento de crianças de 0 a 36 meses. É um produto da década de 1980 que, embora tenha sido desenvolvido por um odontopediatra experiente, não possui os atributos do ergodesign, característica que pode melhorar o desempenho do produto.”

Ergonomia

O projeto desenvolvido por Susy, cujas bases se estruturaram nos conceitos das necessidades da Odontopediatria, da ergonomia, usabilidade e emotion design, como grande diferencial. Ele foi desenvolvido para manter a postura adequada, para o bom desempenho dos profissionais de saúde durante os atendimentos, contribuindo assim para a melhoria das condições de trabalho e desempenho das tarefas, levando à redução do estresse do profissional, conforto, segurança e bem estar à criança. “Muitos desses profissionais acabam adquirindo distúrbios osteomusculares oriundos de longos períodos de atendimento. As articulações vão sendo debilitadas e o profissional pode sofrer dores lombares, nos ombros, punhos e mãos”, explica.

O projeto foi pensado também para as crianças: a maca é toda colorida, sendo que as cores utilizadas foram pesquisadas para atrair a atenção da criança e trazer ludicidade ao produto. Já o material do revestimento permite uma fácil assepsia, e pensando-se também no quesito biossegurança.

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Foto: Divulgação

Outro diferencial foi o desenvolvimento de módulos que podem ser adaptados à maca de acordo com a necessidade do profissional da saúde e do tamanho da criança. Há módulos para o atendimento de bebês e para quando a criança tem mais de 1 ano; outros para a contenção humanizada da cabeça, dos joelhos e dos pés. Existe ainda a possibilidade de incluir alguns itens como, por exemplo, um acessório para Ipad, permitindo assim que a criança assista a algum filme ou desenho e se distraia durante o atendimento, não comprometendo o trabalho do profissional. O protótipo oferece um cinto de segurança de 4 pontas que traz a possibilidade de agregar objetos lúdicos para a interação da criança, além de outros acessórios opcionais. Outra importante característica é o fato de o protótipo ser de fácil montagem, desmontagem e armazenamento.

Desenvolvimento

O projeto de Susy foi desenvolvido ao longo de 4 anos de pesquisas e contou com a participação do grupo de estudos de Design em Saúde da FOB, coordenado pela professora Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, e reúne 2 designers, 1 odontopediatra e 2 alunos de graduação do curso de Design do campus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Na primeira etapa do projeto foi realizado um levantamento antropométrico com 150 crianças entre 0 e 5 anos de escolas municipais de Bauru. Foi coletado um conjunto de 10 medidas antropométricas para esta faixa etária no que se refere a: estatura, peso, largura  e profundidade da cabeça, perímetro cefálico, largura dos ombros, altura da região da nádega – alto da cabeça, altura do ombro-assento, comprimento da perna – sentado, comprimento da nádega até o joelho – sentado, o que deu origem a um Banco de Dados destes dimensionamentos, algo inédito para o desenvolvimento de produtos.

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Na segunda etapa, foram feitas avaliações posturais dos profissionais e das crianças durante os atendimentos realizados na Clínica do Bebê da FOB para levantamento de todos os problemas que ocorriam. De posse desses dados foi possível realizar a construção do protótipo. Primeiro virtualmente, por meio de programas específicos como SolidWorks. Em seguida, foi realiza a fabricação do protótipo da maca por meio de uma parceria com o Senai de Lençóis Paulista, no interior de São Paulo, sendo mão de obra do Senai e material cedido pela FOB.

De acordo com a pesquisadora, a estimativa do investimento financeiro da maca desenvolvida no projeto foi em torno de R$1.000,00 a R$1.200,00 na versão “básica” (sem os acessórios). “Mas temos uma perspectiva de que o custo possa ser reduzido após algumas adaptações e chegue ao mercado com valor em torno de R$800,00. Este valor viabilizará a aquisição tanto para clínicas do SUS como as privadas”, avalia.

A Clínica de Bebês da FOB, que oferece atendimento e tratamento odontológico gratuito para crianças de 0 a 3 anos, será a primeira a receber uma unidade da maca infantil para os testes de usabilidade. “Trata-se de uma estratégia para difundir o conhecimento gerado pelas pesquisas realizadas na FOB para o público alvo”, informa. Como informação adicional, o preço de uma maca com cadeira adaptável utilizada atualmente pode ficar entre R$1.800,00 a R$2.000,00.

Mais informações: email design@fibbauru.br, com a pesquisadora Susy Nazaré Silva Ribeiro Amantini, ou email mmachado@fob.usp.br, com a professora Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado

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