Foto: Marcos Santos  / USP Imagens

Plataforma Integrity ajuda pesquisadores no desenvolvimento de fármacos

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O uso de bases de dados é bastante comum no meio acadêmico. Desde alunos de graduação a docentes e doutorandos, elas são essenciais nas pesquisas e trabalhos acadêmicos. Recentemente, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) disponibilizou o Integrity, plataforma criada pela editora Thomson Reuters, para auxiliar em pesquisas nas áreas de ciências da saúde e desenvolvimento de fármacos. Na USP, o uso da ferramenta ainda está abaixo do esperado.

A USP está totalmente coberta pelo sistema Integrity, graças a um convênio com a Capes, que oferece a base de dados para mais de 360 instituições, sobretudo para universidades públicas. Já as universidades particulares podem comprar o acesso ou fazer uso dela caso atinjam uma nota mínima exigida pela instituição.

A plataforma Integrity é composta por uma grande variedade de informações, com dados biológicos, químicos e farmacológicos de mais 450 mil compostos com atividade biológica demonstrada e mais de 2 milhões de citações. Ela nasceu para atender às necessidades da indústria farmacêutica, sobretudo setores que investem em descoberta e desenvolvimento de novos produtos. No Brasil, esse processo é feito em sua maioria nas universidades, e a USP é um polo de pesquisa e inovação.

Foto: Marcos Santos  / USP Imagens
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Em sua coleção de fármacos, a Integrity traz desde terapias até aqueles que ainda são emergentes, pouco conhecidos no mercado. “A plataforma disponibiliza registros de fármacos por mais novos que sejam, mesmo a dez anos de um potencial lançamento, além do histórico de desenvolvimento, os valores envolvidos, experimentações e se os testes estão sendo feitos em animais ou em humanos”, comenta Antero Macedo, um dos desenvolvedores do sistema pela Thomson Reuters. “Abordamos também as patologias envolvidas com esses medicamentos, desde as informações mais gerais até abordagens do ponto de vista molecular, de determinados genes e proteínas que podem estar relacionados ao surgimento e desenvolvimento de doenças.”

O trabalho de seleção dos dados é totalmente manual. São mais de 150 editores trabalhando para suprir a base de dados, com uma fonte composta por mais de 700 títulos de periódicos indexados, cerca de 200 congressos científicos e documentos de patentes dos sete principais escritórios de patentes do mundo. “É uma ferramenta para quem esteja na graduação, fazendo pesquisa ou escrevendo um trabalho científico. Nós evitamos repetições de teses que já foram extensamente abordadas e conseguimos mostrar caminhos diferentes, que muitas vezes nem se encontram na literatura científica, e sim nos documentos de patentes. É também uma ferramenta para alguém que queira encontrar parceria dentro e fora da Universidade, pois citamos diversas empresas nacionais e internacionais envolvidas com esse tipo de pesquisas”, comenta Macedo.

Para acessar a ferramenta, basta entrar no portal de periódicos da Capes e digitar Integrity no campo de busca ou acessar diretamente o endereço eletrônico integrity.thomsonreuters.com/capes. O site reconhecerá o IP dos computadores que estejam acessando direto da Universidade ou através de um acesso remoto. Posteriormente, deve-se criar um usuário e uma senha e concordar com os termos de uso.

Foto: Marcos Santos
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Atualização

Cada pessoa tem sua página de acesso personalizada, conforme seus interesses, estando disponíveis o histórico de pesquisa e relatórios. Também é possível definir um alerta sobre algum tema desejado. Se a plataforma for atualizada com alguma informação relevante para a pesquisa do usuário, o sistema alerta por e-mail, agilizando o processo.

A Thomson Reuters oferece, de forma gratuita, treinamentos para aqueles que desejam utilizar de maneira mais proveitosa a plataforma. “Se for identificado interesse de um grupo de pesquisa ou instituto, sejam alunos ou docentes, realizamos o treinamento de forma presencial. Geralmente tem duração de uma a três horas, mas pode se estender durante o dia todo, se houver perguntas e dúvidas. Também disponibilizamos treinamentos através de sessões on-line a qualquer momento”, diz Macedo.

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Na USP, já foram realizados cerca de 20 treinamentos, mas, segundo o desenvolvedor, ainda é muito pouco, e é difícil alcançar todo o público da Universidade. Algumas unidades já usam bastante o Integrity, como o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) e a Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF). O Instituto de Química (IQ) também tem grande acesso à plataforma, visto que o conteúdo não se restringe apenas ao aspecto biológico ou farmacológico, mas também disponibiliza dados como síntese de compostos orgânicos e suas atividades e aplicações. Ainda assim, o potencial do Integrity na USP ainda é baixo, se comparado com a quantidade de alunos e docentes que poderiam usufruir de seus benefícios.

Thiago Castro / Jornal da USP

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