Estudo da EACH analisa papel da expressão corporal na ópera

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Da Assessoria de Imprensa da EACH

Por que motivo diversos cantores de ópera, em sua apresentação, não utilizam o corpo, além da voz, como ferramenta para estender os significados da palavra cantada? A movimentação corporal do cantor de ópera seria capaz de completar o sentido da música? Até que ponto a voz ficaria comprometida? Indagações como estas levaram a professora do curso de Ciências da Atividade Física da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, Marília Velardi, a desenvolver o projeto de pesquisa O corpo na ópera, o qual desde 2011 recebe o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Antes de iniciar a pesquisa, o objetivo de Velardi se restringia a auxiliar no trabalho da preparação corporal para as apresentações dos cantores do Núcleo Universitário de Ópera (NUO), o qual é formado por estudantes de canto lírico de diversas universidades, inclusive da USP. No decorrer da experiência inovadora de fazer com que os cantores do NUO utilizassem o próprio corpo para estender o sentido da palavra cantada – diferentemente do que acontece numa apresentação de ópera tradicional onde o cantor geralmente se limita na utilização da voz -, Velardi percebeu que na experiência vivida por aqueles jovens havia uma riqueza de opiniões e concepções sobre a importância de seu corpo em relação às apresentações de ópera.

“Embora seja comum entre os cantores de ópera a afirmação de que existem movimentos que não podem ser feitos por comprometer o desempenho vocal, os cantores do NUO questionam este tipo de posicionamento”, afirma a professora Velardi. Segundo ela, “os integrantes do NUO acreditam que a encenação tem papel fundamental na busca pelo envolvimento do público durante uma apresentação, e seus recursos são infinitos no sentido de complementar o significado da apresentação de ópera”.

Durante o ensaio de um dos diversos espetáculos do NUO, a pesquisadora observou que em determinada performance na qual os cantores rastejariam pelo chão, foram questionados pelo diretor sobre se seria possível cantar naquela posição, já que ela estava dentro do contexto da apresentação. Eles afirmaram que sim e conseguiram atingir a todas as notas musicais sem prejuízo na sonoridade.

“A pesquisa atua na busca pelo limite de até que ponto a ação corporal vai atrapalhar a expressão da voz. O que podemos adiantar é que esse limite é muito mais estendido do que os próprios cantores imaginam. Neste sentido, a investigação acontece a partir das experiências vividas pelos cantores do NUO, levando em consideração o que eles pensam e sentem sobre isso”, diz Velardi.

Os espetáculos têm conquistado um público novo, que geralmente nunca assistiu a uma apresentação de ópera, mas tem comparecido a todas as apresentações do NUO. “Algumas instituições demonstraram interesse em ceder espaço para as apresentações do NUO justamente por acreditar que a encenação na ópera é algo completo, atraente, que merece ser divulgado para a sociedade”, disse a professora Velardi.

Tão inovadora quanto as apresentações do NUO são os repertórios escolhidos pelo grupo. Segundo Velardi, nos espetáculos são apresentadas óperas pouco conhecidas do público geral. De acordo com a professora, com a encenação do inédito a tendência é que o público se abra para a novidade.

As experiências vividas pelos jovens cantores do Núcleo Universitário de Ópera, através da pesquisa da professora Velardi, responderão a questionamentos importantes, que darão uma nova perspectiva sobre utilização do corpo na ópera: Qual é o corpo que os jovens buscam durante a sua formação? Por consequência, qual encenação é desejável em ópera? Qual é o conceito de ópera desses jovens músicos, especialmente em relação às fronteiras entre o teatro e a voz cantada? Em última análise, qual é o lugar do corpo na ópera?

Mais informações: (11) 3091-8161, email imprensa-each@usp.br 

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