Rede social muda vida de jovens em liberdade assistida

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Pesquisa na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP constatou que a rede social é essencial para adolescentes em liberdade assistida (LA). De acordo com a enfermeira Marilene Rivany Nunes, autora da pesquisa, com a rede social, esses adolescentes formam uma nova visão de mundo, que ultrapassa o nível da criminalidade. Ela ainda oferece a real possibilidade de mudança por meio da educação e da profissionalização”.

Segundo Marilene, nesse contexto, a liberdade assistida foi fundamental para promover o convívio social desses adolescentes e os ajudou a evitar a reincidência de atos infracionais. “A pesquisa deixou evidente que, para os adolescentes, a formação da rede social proporcionada pela liberdade assistida, teve papel essencial, pois, sem ela, eles poderiam se envolver em situações de maior vulnerabilidade ou contravenção, além de não conseguirem levar adiante suas vidas, já que uma de suas principais razões de ser refere-se exatamente ao apoio que recebem”.

Para a pesquisadora, o papel da família e do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), do interior de Minas Gerais, para o restabelecimento de um renovado convívio social, possibilitou novos projetos de vida, desvinculados de práticas delituosas, exatamente como propõe a medida socioeducativa de liberdade assistida. “Os adolescentes mostraram-se receptivos ao vínculo com uma figura feminina, com destaque para a mãe, e com o CREAS. Eles criaram vínculos fortes com diferentes membros e instituições, o que possibilitou o controle da conduta infracional dos adolescentes em liberdade assistida”.

O resultado desses vínculos, diz Marilene, é a possibilidade desses adolescentes construírem uma trajetória de vida saudável, responsável e distante do crime. Neste sentido, as análises revelaram que tanto a família como a equipe do CREAS ofereceram mecanismos de auxílio no processo de adolescer, como, por exemplo, apoio emocional, carinho, escuta ativa, aconselhamento, regulação da conduta”, disse Marilene. A pesquisadora lembrou que os profissionais que executam a liberdade assistida, já fazem parte das redes sociais dos adolescentes de forma afetiva e significativa. “Tudo isso permite ao adolescente mudar sua história de sua vida. O CREAS se destacou no sentido de auxiliar o adolescente a perceber novas possibilidades de vida”, enfatiza.

Papel do enfermeiro

Para o estudo, Marilene contou com a participação de 26 adolescentes, com idade entre 13 e 18 anos, que cumpriam medida socioeducativa de Liberdade Assistida no CREAS, durante três meses. Os resultados foram obtidos por meio de entrevista semiestruturada, dividida em duas partes, uma com dados dos participantes, como idade, sexo, escolaridade entre outros, e um questionário com nove questões, abordando sobre a rede social dos adolescentes. A partir disso, houve construção de mapas de rede dos participantes para conhecer ela melhor.

Outro dado que chamou a atenção da pesquisadora foi o fato de os adolescentes em liberdade assistida não apresentarem vínculo com o enfermeiro. Esses profissionais são essenciais para o adolescente em liberdade assistida que comete a prática abusiva de uso de álcool, uma vez que eles podem praticar ações específicas de infrações. “O consumo de álcool pode ser visto como uma atitude constante do grupo que tais adolescentes pertencem. Sem contar que o uso de álcool traz prejuízos para a saúde. É nesse momento que os enfermeiros são fundamentais”, explica Marilene.

Marilene diz que é necessária a atuação do enfermeiro ao lado de outros profissionais de saúde e educação, para fortalecer a relação com o infrator. “A articulação dos serviços e da equipe de saúde, bem como dos profissionais da educação, torna-se essencial para transformar o quadro de vulnerabilidade e com isso efetivar os direitos dos adolescentes no contexto do cumprimento da medida socioeducativa de liberdade assistida”, analisou Marilene.

A rede social, diz a pesquisadora, formada pelos adolescentes, mostrou-se uma boa referência para se compreender o desenvolvimento desses adolescentes e como os diferentes atores, setores e componentes da rede podem interferir nesse processo”, concluiu a pesquisadora.

A tese Rede social de adolescentes em liberdade assistida: um estudo exploratório, foi defendida na EERP em maio de 2015, com orientação da professora Marta Angélica Iossi. Segundo a pesquisadora, o estudo será publicada na Revista Brasileira de Enfermagem, na primeira edição de 2016.

Raquel Duarte/Assessoria de Comunicação da EERP.

Mais informações: maryrivany@yahoo.com.br

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