Cientistas do ICB desenvolvem alimentador artificial de baixo custo

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Antonio Carlos Quinto / Agência USP de Notícias

A partir de uma ideia simples e de baixo custo, pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP criaram um alimentador artificial para ser usado em experimentos com o Aedes aegypti, o mosquito da dengue. O Glytube, como foi denominado, é feito com materiais simples que, adaptados, cumprem a função de alimentadores elétricos importados nos trabalhos de pesquisas com insetos. A inovação acaba de ser publicada na revista PLoS One, no artigo Glytube: A Conical Tube and Parafilm M-Based Method as a Simplified Device to Artificially Blood-Feed the Dengue Vector Mosquito, Aedes aegypti.

Para adaptar as suas necessidades no Laboratório de Mosquitos Geneticamente Modificados, do Departamento de Parasitologia do ICB, o biólogo e pós-doutorando André Luis da Costa da Silva utilizou como base um tubo plástico de centrifugação que tem capacidade de armazenar 50 mililitros de líquido. “Esses tubos, como o restante do material usado na montagem do alimentador, são facilmente encontrados em qualquer laboratório”, garante.

Além do tubo, o alimentador é composto de um parafilme comercial (cera de parafina em filme plástico), a tampa do próprio recipiente – que tem recortado um orifício de cerca de 2,5 centímetros (cm) de diâmetro – e glicerol.

Elaboração e funcionamento

Silva explica que a elaboração, assim como o funcionamento do Glytube é simples. “O tubo plástico tem sua tampa retirada para colocarmos a glicerina e é fechado com um filme plástico”, descreve. “A tampa, com o orifício vedado pela membrana de parafina, recebe o sangue. O tubo é rosqueado na tampa, que funciona como o reservatório. É justamente por este orifício de 2,5 cm que o inseto irá atingir a membrana de parafina e se alimentar de sangue infectado”, explica. Ele lembra que a glicerina deve ser pré-aquecida a 50 graus Celsius (ºC) para manter o sangue aquecido. “O sangue humano tem uma temperatura média de cerca de 37 ºC”, lembra o biólogo.

Diferente dos modelos convencionais de alimentadores, o Glytube não necessita de energia elétrica durante a alimentação dos mosquitos e pode ser utilizado em insetários por até 30 minutos. Em testes realizados no laboratório, o uso do pequeno equipamento foi comparado à utilização de cobaias e a mesma eficiência foi observada.

Mosquitos trangênicos

Em seu pós-doutorado, que conta com a supervisão da professora Margareth de Lara Capurro, o biólogo testa linhagens geneticamente modificadas. O objetivo é transformar os insetos com um gene que os tornará refratários, isto é, que os deixem incapazes de transmitir o vírus da dengue. Daí a necessidade de se estudar insetos infectados em laboratório – o Glytube é utilizado para infectar artificialmente os mosquitos.

Os testes com Glytube começaram quando o pesquisador sentiu algumas dificuldades com o equipamento convencional. “Percebemos que algumas amostras de sangue depositadas no alimentador elétrico acabam ressecando, o que dificultava os experimentos”, lembra.

Todos os testes do artigo foram realizados com Aedes aegypti, mas Silva assegura que o equipamento pode ser usado também para mosquitos do gênero Culex (pernilongo comum) e Anopheles (mosquito transmissor da malária).

Mais informações: email alcosta@icb.usp.br

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