Jogo desenvolvido na Poli ajuda pacientes com distrofia muscular a melhorar alimentação

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Um grupo de pesquisadores do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) da Escola Politécnica (Poli) da USP desenvolveu um jogo eletrônico gratuito para auxiliar o processo de reeducação alimentar de pacientes com distrofia muscular de Duchenne. A obesidade e a desnutrição estão entre as doenças mais frequentemente associadas a essa forma de distrofia, ocorrendo em mais da metade dos casos e afetando diretamente a função respiratória e a habilidade para realizar as atividades diárias.

Batizado de Duchsville, o jogo foi criado pelas pesquisadoras Irene Karaguilla Ficheman e Ana Grasielle Dionísio Corrêa, sob a coordenação da professora Roseli de Deus Lopes, do LSI, a pedido da coordenadora do setor de Terapia Ocupacional da Associação Brasileira de Distrofia Muscular (ABDIM), Adriana Klein.

O jogo foi desenvolvido com base nas experiências compartilhadas na prática assistencial com pessoas com distrofia muscular de Duchenne. “Refletindo sobre as dificuldades de adesão a uma alimentação adequada, surgiu o interesse em criar algo atrativo, dinâmico e interativo para apoiar esse processo”, explica Ana Grasielle, engenheira e pesquisadora do LSI e membro do grupo multidisciplinar responsável pelo desenvolvimento do Duchsville.

O jogo estimula a observação e a reflexão do paciente, que deve pensar sobre quais alimentos podem trazer benefícios ou malefícios para sua saúde caso sejam consumidos diariamente. A indicação é para pessoas a partir de seis anos de idade, familiares e cuidadores de pacientes com distrofia muscular de Duchenne.

Até agora foram finalizados duas modalidades do jogo: Duchsville-Nutrição e Duchsville-Reabilitação. A primeira tem como objetivo estimular a escolha por alimentos saudáveis e melhorar a compreensão de conceitos básicos de composição nutricional. Já o Duchsville-Reabilitação objetiva aumentar os “significados” do programa de reabilitação para pacientes.

A terapeuta Adriana Klein realizou um estudo com 27 profissionais da saúde para verificar os assuntos mais importantes a serem abordados com os pacientes. Após a análise dos dados, o jogo foi implementado pela equipe de pesquisadores do LSI e está disponível gratuitamente neste endereço.

Para validação da proposta, Ana Grasielle Dionísio Corrêa e Adriana Klein realizaram um estudo com adolescentes em tratamento na ABDIM. “A obesidade pode resultar da superproteção da família ao paciente, mas ocorre principalmente pela diminuição da mobilidade e aumento da dependência, o que prejudica a biomecânica da coluna vertebral e compromete o bom funcionamento das funções”, ressalta Corrêa. “Analisando os resultados, é possível perceber que a interatividade proporcionada pelo jogo estimula e favorece a construção do conhecimento sobre nutrição e hábitos alimentares saudáveis”, conclui a pesquisadora.

Com informações da Assessoria de Imprensa do LSI

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