Estudo mostra que acompanhamento melhora qualidade de vida de doente crônico

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Marcela Baggini/Assessoria de Imprensa da EERP

Doenças crônicas sempre estarão presentes na vida de algumas pessoas. No campus de Ribeirão Preto da USP, o Grupo de Investigação em Reabilitação e Qualidade de Vida está propondo uma forma educativa de acompanhamento dessa população que envolve técnicas simples e baratas, como ligações telefônicas. Os resultados garantem melhor qualidade de vida aos pacientes.

O Grupo é formado por pesquisadores da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, da Faculdade de Enfermagem da Unicamp e da Universidade de Washington, de Seattle, EUA. Eles participam de um estudo sobre “o efeito de uma intervenção educativa voltada para o autocuidado com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dessas pessoas”.

No campus de Ribeirão Preto da USP, o trabalho é coordenado pelas professoras Lídia Aparecida Rossi e Rosana Spadoti Dantas que acompanharam o processo de reabilitação de pacientes com doenças crônicas, mais especificamente problemas cardíacos e queimaduras graves.

Como o foco da intervenção educativa é esclarecer e orientar, favorecendo o autocuidado, as estratégias usadas foram encontros com as enfermeiras pesquisadoras nas unidades de internação e nos ambulatórios, e contatos telefônicos, após a alta, com os pacientes. Para o ensino dos participantes, foram desenvolvidos materiais ilustrativos (folhetos e apresentação em tablets e notebooks), com linguagem clara e simples, sobre causas, consequências, prevenção e tratamento, de maneira que compreendam o que está acontecendo e assim possam reforçar o autocuidado.

“Com o envelhecimento populacional, o número de pessoas com condições crônicas tende a aumentar. Por esse motivo, o seguimento adequado dessas pessoas tem sido uma preocupação crescente na área de enfermagem em todo o mundo”, afirma a professora Lídia.

Estudo Piloto

A proposta de intervenção foi testada durante estudos realizados com pacientes que apresentavam diferentes condições crônicas e eram atendidos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (campus e Unidade de Emergência) e no Hospital Estadual de Ribeirão Preto. Em cada estudo, os participantes foram recrutados e divididos aleatoriamente em dois grupos: intervenção (participou da intervenção educativa) e controle (recebeu apenas o atendimento habitual prestado pela instituição hospitalar).

O número de participantes variou entre os estudos e foi definido estatisticamente, ainda na fase de elaboração dos projetos. Do estudo com pacientes submetidos à intervenção coronária percutânea (angioplastia), participaram 60 pessoas e, do que estavam iniciando o uso de anticoagulantes orais, 80.

O recrutamento ocorreu, sobretudo, ao longo de 2011 e 2012, mas há pacientes que ainda permanecem em seguimento, como aqueles que realizaram angioplastia coronariana e os que sofreram queimaduras, pois o tempo estipulado para o seguimento foi de 12 meses.

A seleção dos participantes foi definida para cada estudo, de acordo com os objetivos investigados. No estudo com pacientes com insuficiência cardíaca, um dos critérios era ter sido internado devido à descompensação clínica da doença.

Para avaliação, os pacientes e os pesquisadores utilizaram instrumentos (a maioria escalas construídas por pesquisadores internacionais e previamente validadas para uso no Brasil) que avaliavam a qualidade de vida relacionada à saúde, adesão ao tratamento, autoeficácia, sintomas de ansiedade e depressão e de parâmetros clínicos. Os participantes eram avaliados no início do estudo (durante a internação) e ao término do seguimento (no retorno ambulatorial).

Dois meses após o início do tratamento com anticoagulantes orais, a qualidade de vida relacionada à saúde do grupo de pacientes que recebeu a intervenção educativa apresentou melhores resultados também no que se refere à autoeficácia e ansiedade em relação aos pacientes que receberam apenas o cuidado de rotina da instituição.

As pesquisadoras contam ainda que as relações com os pacientes são empáticas. “O paciente, ou até mesmo os familiares, ligam para tirar dúvidas”, salienta Rosana, que compreende essa relação como mais uma forma de aumentar a adesão ao tratamento e, consequentemente, a autoestima do paciente.

Para o paciente, são muitos os benefícios proporcionados pela intervenção educativa voltada para o autocuidado. Assim, o intuito do grupo agora  é convencer profissionais e gestores da saúde a aplicarem o método nas unidades. “Tirar dúvidas pelo telefone é fácil, barato e todos têm acesso. Evita o deslocamento do paciente, o que configura um estímulo”, observa Lídia. Ela também destaca que a valorização do autocuidado pode contribuir para redução do número de internações.

Grupo de Investigação em Reabilitação e Qualidade de Vida apresentou os resultados desta pesquisa no FAPESP Week North Carolina, realizado em Raleigh, nos Estados Unidos, em novembro.

Mais informações: (16) 3602-3402, email rizzardo@eerp.usp.br

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