Curso da FIFA no HC treina educadores para jogar pela saúde

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Foto: Marcos Santos / USP Imagens
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Programa recorre à popularidade do futebol para disseminar educação e prevenção em saúde

Sede da Copa do Mundo em 2014, o Brasil recebeu pela primeira vez, durante esta semana, o Cascade Course, um treinamento para professores da rede municipal com o objetivo de promover com crianças um programa de educação e prevenção em saúde aliados à prática do futebol. O curso foi ministrado no complexo do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) desde segunda (10) até esta sexta-feira (14)  para professores de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

O treinamento é uma iniciativa da FIFA Medical Assessment and Research Centre (Centro de Pesquisa e Avaliação Médica FIFA), criada um ano antes da Copa do Mundo na África do Sul, em 2009. A organização mobilizou sua equipe devido aos dados alarmantes da Organização Mundial de Saúde (OMS), que apontavam as doenças mais prevalentes do continente africano, e criou o programa “11 pela Saúde”. Desde então, o programa já atuou em 20 países.

Segundo o médico oficial da Copa do Mundo em São Paulo, André Pedrenelli, o curso, inicialmente, tem por objetivo preparar os professores das doze cidades sedes. “A ideia é que os profissionais que fizerem o curso possam atuar como multiplicadores de conhecimento”, diz. Para o médico, o grande mérito do projeto é promover a qualidade de vida das pessoas através da educação. “Educando essas crianças de forma correta, consequentemente, se desenvolverá um adulto e um indivíduo da terceira idade mais saudável”, acredita.

De acordo com Pedrenelli, a FIFA avaliou que este era o momento de introduzir o curso no país, aproveitando o ensejo do campeonato mundial de futebol. O curso foi ministrado, simultaneamente, também em Brasília e Natal.

Todos pela Saúde

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
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A partir do treinamento oferecido pelo Cascade Course, os professores podem, então, aplicar o programa “11 pela Saúde”, que é baseado em onze mensagens simples, visando à redução de doenças transmissíveis e não transmissíveis, não só na África, mas em todo o mundo. Entre as mensagens, lições que estimulam o exercício físico, o respeito à mulher, a prevenção ao HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis e o controle do peso. O programa funciona como um disseminador de informação e prevenção em saúde a partir do trabalho que os professores exercem junto às crianças.

O “11 pela Saúde” envolve crianças entre 10 e 12 anos, faixa etária escolhida porque acredita-se que uma criança menor não tenha desenvolvido plenamente suas capacidades cognitivas. “Hoje, sabemos que as crianças dessa faixa têm um poder muito grande de influenciar a região onde vivem”, conta André Pedrenelli. “Eles levam essas mensagens aos seus pais, aos seus tios aos seus irmãos. Ou seja, a rede de disseminação desses conceitos de prevenção em saúde fica muito maior”, explica o médico.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
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Associação Atlética Acadêmica Oswaldo Cruz, onde ocorreram as aulas

Inicialmente, onze escolas participam do programa. Elas são indicadas pelo Ministério da Educação e os professores, preferencialmente de educação física, são escolhidos pela escola indicada.

O programa tem duração de onze semanas, e cada uma trabalha uma determinada informação de saúde. São, ao todo, onze sessões de 90 minutos, cada uma com dois blocos de 45 minutos, organização semelhante à de um jogo de futebol. A primeira parte chama-se ‘Jogando Futebol’ e está focada no ensino de habilidades relacionadas a um aspecto específico do futebol. A segunda parte se chama “Fair Play”, bloco em que uma questão particular em saúde é trabalhada com as crianças.

Para estimular uma maior adesão ao programa, a FIFA convidou alguns jogadores famosos como Neymar, Marta, Messi e Cristiano Ronaldo, para passar as mensagens às crianças através de vídeos.

Após as onze semanas do programa, a FIFA terá duas ou três semanas para avaliar os resultados iniciais e as escolas que desejarem poderão adotar o programa.

Lugar de mulher é em todo lugar

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
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Erika Ruíz

Uma das lições previstas no “11 pela Saúde” – a mensagem número dois, que diz: “Respeite as meninas e as mulheres” – aponta para uma mudança de pensamento da sociedade, mostrando que o espaço do futebol não é de uso exclusivo do sexo masculino.

Segundo a coordenadora internacional do programa na Colômbia, Erika Ruíz, esta mensagem existe pois, além de fazer parte das recomendação da OMS, trata de um problema gritante, tanto na África (onde foi o programa foi concebido) como nos demais países. “A mulher todo dia é vítima de abuso, de estupro, de violência familiar, de violência doméstica. Uma mensagem fundamental para se ensinar às crianças, principalmente aos meninos, é a importância de respeitar meninas e mulheres, assim como as demais pessoas com as quais eles convivem todos os dias”, conta.

Atualmente, Erika é a única mulher a integrar a coordenadoria internacional do programa e afirma que a inserção da igualdade de gêneros é de extrema importância. Ela mesma, em trabalhos anteriores, conta que já foi vítima de preconceito por ser mulher e trabalhar em uma área predominantemente.

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